A juíza Eucélia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Competência Residual, marcou o interrogatório dos réus em esquema de fraudes no Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul).
A audiência faz parte de ação penal que investigou a participação do despachante David Cloky Hoffaman Chita e da ex-servidora comissionada Yasmin Osório Cabral, que atuava na Corregedoria. Ela foi nomeada por indicação política após trabalhar em campanha eleitoral em 2022.
Os dois chegaram a ser presos no decorrer do processo. Yasmin foi liberada e usou tornozeleira por alguns meses. Já David ficou um tempo foragido, depois foi preso e, agora, está sob monitoramento eletrônico.
Havia expectativa de os dois serem ouvidos na última audiência, em julho, mas, devido a uma testemunha que faltou, a sessão foi adiada. Assim, David e Yasmin devem ser ouvidos em audiência marcada para o dia 17 de setembro, em Campo Grande.
Conforme investigação do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), David teria conseguido liberar documentações de veículos com restrições. Yasmin recebia propina para, clandestinamente, dar baixas em caminhões com restrições, em fraude cometida em conjunto com o despachante David Cloky Hoffaman Chita.
De acordo com o relatório de investigação policial, David pagava Yasmin pelos serviços. Foi apurado que ela ganhou um iPhone 15 Pro Max — que foi entregue a ela em uma cesta dentro do Detran-MS —, joias e eletrônicos, como ar-condicionado e televisão, além de valores em dinheiro no Pix.
A 1ª audiência do caso aconteceu no fim de janeiro. Na ocasião, as defesas de David e Yasmin preferiram não dar muitos detalhes à reportagem.
Esquema antigo no Detran-MS
O despachante David Chita responde a outros processos por fraudes no Detran-MS. Em um deles, ele é réu com Gênis Garcia Barbosa — nomeado pelo então presidente do Detran-MS, Gerson Claro —, que foi promovido a gerente de agência após trabalhar na campanha do deputado em 2018.
O esquema consiste em ‘esquentar’ documentação de semirreboques para inclusão do 4º eixo. O dono do veículo é cooptado e aceita pagar um valor para o despachante, que aciona seu contato no órgão para alterar a documentação, com a divisão da propina.
David tentou delação
David afirmou que tinha como provar todas as acusações e que a possível delação poderia derrubar suposta quadrilha com servidores do órgão, empresários, delegados de polícia, assessores e políticos. No entanto, a delação foi barrada na PGR (Procuradoria-Geral da República), em Brasília.
Em entrevista ao Jornal Midiamax, em 2024, reconhecida pela Justiça como material jornalístico sério, David Chita, ao apontar Beto Pereira como o chefe da corrupção do Detran-MS, disse que as investigações são feitas para livrar políticos.
Na ação em que foi preso, David Chita agia em conluio com a servidora comissionada Yasmin Osório Cabral — apadrinhada política de Beto Pereira —, que teria sido nomeada no Detran-MS para operar o esquema.
Chita afirmava ter provas de ter repassado mais de R$ 1,2 milhão ao grupo chefiado pelo deputado federal no período em que o esquema criminoso operou. Beto Pereira nunca respondeu aos questionamentos da reportagem, mas afirmava em suas redes sociais que não tinha envolvimento com o esquema.
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(Revisão: Nichole Munaro)






