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Transparência

Justiça marca oitivas do clã Razuk em ação contra o jogo do bicho em MS

Ex-deputado Neno Razuk é apontado como líder do esquema e teria ficado no lugar do pai, Roberto Razuk
Fábio Oruê -
successione razuk
Clã Razuk seria responsável pelo jogo do bicho em MS. (Reprodução, Redes Sociais)

A Justiça marcou para o próximo mês a audiência para ouvir o clã Razuk e demais réus em processo contra o jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. Nesta sexta-feira (19), foram ouvidas as últimas cinco testemunhas de defesa no caso.

Agora, com o fim da fase dos depoentes, o juiz José Henrique Kaster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, marcou para o próximo mês a oitiva dos réus. O processo está sob sigilo; portanto, apenas as partes interessadas puderam acompanhar a audiência.

Na última sexta-feira (12), foram ouvidas as testemunhas de defesa restantes dos réus Samuel Ozório Júnior e Marco Aurélio Horta. Nesta sexta, os últimos depoimentos foram prestados por videochamada. Como a ação corre em sigilo, os advogados que estavam presentes na audiência preferiram não se manifestar.

Grupo de advogados que atua no caso. (Mateus Andrade, Jornal Midiamax)

Desta vez, prestarão depoimento os réus Marcelo Tadeu Cabral, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk — todos presos —, além do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk. O pai deles, Roberto Razuk, também é réu da ação e cumpre prisão domiciliar por conta da idade.

Outro que também está preso é o advogado Rhiad Abdulahad. Além deles, 16 pessoas constam como rés, mas respondem em liberdade.

Sucessione

A ação se originou após a deflagração da Operação Sucessione, que já acumula cinco fases — a última em novembro de 2025. Neno é apontado pelos promotores como líder da organização criminosa.

Roberto Razuk foi apontado pelo Gaeco como antigo chefe da operação do jogo do bicho na região sul do Estado. Até a década de 1990, o esquema em todo Mato Grosso do Sul era liderado por Fahd Jamil, também alvo da Successione em fases anteriores.

Fahd deixou o comando da organização criminosa e dividiu a operação em duas frentes: a região de ficou com Jamil Name e a região de e Ponta Porã passou para Roberto Razuk. O antigo líder ficou distante, mas manteve influência, como mostrou reportagem da Revista Piauí em dezembro de 2024.

Sala de audiência da 4ª Vara Criminal. (Mateus Andrade, Jornal Midiamax)

Família Razuk e mais 20 denunciados por jogo do bicho

O MPMS, por meio do Gaeco, ofereceu denúncia contra o deputado estadual Neno Razuk (PL); seu pai, o ex-deputado Roberto Razuk; e seus irmãos, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk.

A peça acusatória aponta o clã como a cúpula de uma organização criminosa armada dedicada à exploração ilegal de jogos de azar, utilizando-se de corrupção, lavagem de dinheiro e roubos para assegurar o monopólio da contravenção no Estado.

Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas. O MPMS requer, além da condenação pelos crimes imputados, o pagamento de R$ 36 milhões a título de reparação de danos, conforme o artigo 7.º, inciso I, da Lei de Lavagem de Dinheiro.

De acordo com o documento, a investigação identificou que, após a desarticulação da organização criminosa liderada pela família Name (alvo da Operação Omertà), o grupo liderado pelos Razuk iniciou uma ofensiva para preencher o vácuo de poder e assumir o “monopólio do jogo do bicho” em Campo Grande e regiões estratégicas.

A denúncia detalha que a organização agia de forma violenta e estruturada. O Gaeco aponta que o grupo não apenas explorava a atividade ilícita, mas utilizava um aparato armado para cometer “roubos majorados” contra grupos rivais, visando enfraquecer a concorrência e tomar pontos de aposta à força.

“A organização criminosa se mantém ativa e atuante […] visando seu principal objetivo: estabelecer o monopólio do jogo do bicho em Campo Grande, bem como manter o jogo do bicho em funcionamento em outras cidades do Estado, notadamente em Dourados e região”, aponta um trecho do documento.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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