O Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) publicou, no Diário Oficial desta sexta-feira (12), a exoneração de Priscila Rezende de Rezende do comando da Dirve (Diretoria de Registro e Controle de Veículos). Ela é prima do deputado federal Beto Pereira (Republicanos).
O despachante David Cloky Hoffaman Chita, réu acusado de operar esquemas de fraudes em registros de veículos no Detran-MS, acusou Priscila, em 2024, de ter sido colocada no cargo por influência do parlamentar para supostamente blindar o grupo. O despachante até tentou delatar tudo, mas seu pedido foi rejeitado na PGR (Procuradoria-Geral da República).
A exoneração de Priscila ocorre em meio ao avanço das investigações de fraudes no órgão. Em janeiro deste ano, o Jornal Midiamax revelou que o nome de Beto Pereira havia sido citado em inquérito da Polícia Civil como suposto líder de organização criminosa que comandava fraudes no Detran-MS.
Em março, a Cotra (Corregedoria de Trânsito) concluiu relatório de um pente-fino que identificou mais de 4 mil fraudes no Detran-MS — todas envolvendo serviços ligados à Dirve, como transferência de cadastro do veículo para MS, vistoria veicular, alteração de característica (inclusão de eixo) e transferência de propriedade, sem que o veículo sequer estivesse no Estado.
Segundo o corregedor, delegado Odorico Ribeiro de Mendonça e Mesquita, a polícia investiga cerca de 30 servidores do órgão que estariam envolvidos nas fraudes: “Em alguns casos, a participação do despachante não foi comprovada, podendo ter sido realizada pelo servidor em contato direto com os proprietários de outros estados ou do próprio Mato Grosso do Sul”.
Priscila é servidora concursada desde 2006 no órgão e foi nomeada para comandar a diretoria de registro de veículos em janeiro de 2023. Segundo David Chita, a nomeação ocorreu dias depois de ele ter se encontrado com Beto Pereira, em dezembro de 2022, ocasião em que o parlamentar teria citado o nome da prima ao despachante.
Conforme Chita, a promoção da prima de Beto Pereira seria estratégica para o esquema do grupo: “Falei que precisava de alguém na Dirve, que é o setor que libera acesso, tira acesso, muda funcionário”.
A reportagem procurou Priscila para comentar se a exoneração teria relação com as investigações, mas não obtivemos resposta. O Jornal Midiamax também tentou falar com o deputado Beto Pereira por telefone e via assessoria, mas não houve retorno até esta publicação.
O Detran-MS também foi acionado e enviou nota. Confira na íntegra:
“O Detran-MS informa que as exonerações publicadas no Diário Oficial desta sexta-feira (12) fazem parte dos trâmites administrativos necessários para adequação dos cargos de direção da autarquia, precedendo as respectivas novas nomeações. Não há qualquer relação entre as exonerações e investigações, processos judiciais ou procedimentos correicionais em andamento. O Detran-MS reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e o fortalecimento contínuo de seus mecanismos de controle e gestão.”
O espaço segue aberto para manifestações.
O Diário Oficial também trouxe a exoneração de Maria Moura Borba de Oliveira do cargo de diretora de engenharia, responsável pelas obras tocadas pelo Detran-MS. Ela também é concursada e deve voltar ao cargo de origem.
Blindagem na Dirve

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No ano passado, o Jornal Midiamax revelou que relatório de investigação da Polícia Civil demonstrava esquema de blindagem que existia dentro do órgão.
Em trecho do documento, a investigação revela que os procedimentos internos do Detran-MS, incluindo a Dirve (Diretoria de Veículos), comandada por Priscila Rezende de Rezende, investigavam apenas os chamados ‘digitadores’, dificultando até mesmo as investigações policiais.
Conforme a Polícia Civil, os investigados se valiam dessa brecha para se eximir da responsabilidade, dizendo que eles não tinham como saber o que acontecia antes ou depois de inserirem informações no sistema.
Assim, a polícia diz que se tratou de “verdadeiro modus operandi, utilizado durante longo período no Departamento de Trânsito do Estado de Mato Grosso do Sul, considerando as dificuldades práticas encontradas pela investigação”, segundo trecho do inquérito policial.
Ainda, a polícia aponta possível acobertamento do próprio Detran-MS: “As supostas irregularidades eram entendidas como meras transgressões disciplinares, a exemplo de extraviar documentos ou lançamento de informações imprecisas”.
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(Revisão: Nichole Munaro)








