O TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) negou na noite de sexta-feira (11) o pedido de liberdade da coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística da Santa Casa de Campo Grande, Monique Gregório de Oliveira. Ela é uma das seis pessoas presas em operação contra corrupção no hospital.
A Operação Antidotum também realizou a prisão da presidente da Santa Casa, Alir Terra. Até esta publicação, o hospital não esclareceu quem assumiu o comando após a ação.
Monique é responsável pelo setor que, por exemplo, emite os prontuários médicos. Ela passou por audiência de custódia neste sábado (12). Como a prisão é preventiva, apenas o deferimento de um habeas corpus pode liberá-la.
Ao Jornal Midiamax, o advogado Leandro Gregório, que representa Monique, explicou que a corte negou a liminar, mas quer mais informações do Núcleo de Garantias para julgar o mérito do pedido.
“O desembargador não concedeu a liminar, mas pediu esclarecimentos para o juiz em 24 horas e a gente tá esperando uma decisão a qualquer momento”, disse.
Para a defesa, a coordenadora só é alvo da Operação Antidotum porque responde pelo setor responsável pelos prontuários e a Inocência dela será comprovada.
“Em momento nenhum, se cita o nome dela, não existe nenhuma acusação do próprio Ministério Público em relação a isso. A questão sobre ela foi sobre a hipótese de que ela poderia assumir com algum documento, mas ela não tem nenhum envolvimento com o fato concreto da denúncia”, explicou Leandro.
Operação mira esquema de fraude em contratos da Santa Casa de Campo Grande
Em 11 de setembro de 2026, o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) — por meio do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) — realizou a Operação Antidotum, contra um suposto esquema de fraude em contrato da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande.
Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão, em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
Os alvos foram:
- Alir Terra Lima, presidente da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande;
- Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, diretor-adjunto de finanças do hospital;
- Rinaldo Hakme Romano, ex-diretor financeiro do hospital;
- Alessandro Dias Junqueira, ex-diretor administrativo do hospital;
- Monique Gregório de Oliveira, coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística do hospital;
- Maurício Aparecido Benites, empresário.
As investigações apontaram possíveis fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela ABCG (Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande) — mantenedora da unidade — para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, no qual foram efetuados pagamentos elevados sem a devida prestação de serviços.
O contrato previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano e tinha vigência de três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Somente no primeiro ano de vigência, o desvio de recursos totalizou R$ 1,4 milhão.
O Gecoc constatou, ainda, irregularidades em contratos celebrados pela operadora de plano de saúde Santa Casa Saúde com diversas empresas do mesmo grupo. Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, estava desocupado.
Somente em 2025, a Santa Casa Saúde pagou R$ 9,6 milhões para essas empresas e gerou um prejuízo de, no mínimo, segundo apurado até o momento, R$ 3,5 milhões.
Além disso, contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a CGE-MS (Controladoria-Geral de MS).
O total do prejuízo causado à Santa Casa de Campo Grande ainda está sob investigação.
A ação contou com apoio operacional do BPChq/PMMS (Batalhão de Choque da Polícia Militar de MS) e a participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil Seccional de MS).
“Antidotum”, termo que dá nome à operação, traduz-se do latim como “antídoto” e significa contraveneno ou contramedida, substância que neutraliza ou impede a ação nociva de uma toxina no organismo. Também é usado no sentido figurado como recurso ou solução contra um problema.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






