O Conselho Superior do Ministério Público Federal formou maioria para não afastar o procurador-geral da República, Paulo Gonet, dos casos relacionados ao Banco Master. A votação ocorre nesta sexta-feira (25).
Em números, o placar está em 6 a 0 contra o afastamento do PGR. Todavia, os conselheiros estão divididos em outro ponto do julgamento, com um empate em 3 a 3 sobre o aprofundamento da apuração. Ao todo, nove integrantes do conselho participam da votação.
Os conselheiros Celso de Albuquerque Silva e Alexandre Camanho de Assis, além do relator Francisco Sanseverino, votaram pelo arquivamento do pedido de investigação. Já Samantha Chantal Dobrowolski e Janice Ascari defenderam a designação de um subprocurador-geral da República para aprofundar a análise.
O que está em análise
Nesta sexta-feira, os conselheiros se reúnem para discutir se as referências ao nome de Paulo Gonet contêm elementos suficientes para justificar a necessidade de uma investigação criminal e disciplinar ou se o procedimento deve ser arquivado.
A análise no Conselho do MPF ocorre após a divulgação de relatório da Polícia Federal produzido a partir de dados do celular do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero.
As mensagens recuperadas pela PF apontam a existência de interlocução entre o banqueiro e o procurador-geral, realizada, principalmente, por meio do advogado Ciro Soares.
Os principais pontos que envolvem o PGR são:
- Uma viagem a Londres, na qual, segundo registros de mensagens do celular de Daniel Vorcaro, as despesas de Pedro Gonet, filho do procurador-geral, foram custeadas pelo ex-banqueiro, em abril de 2025.
- A divulgação de uma fotografia tirada em 2024, em Londres, na qual Paulo Gonet aparece segurando um charuto e sentado junto a Vorcaro em uma mesa com copos de uísque. A foto causou manifestações internas no Ministério Público.
- Uma tentativa de articulação no Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG), na qual, conforme conversas de abril de 2024, o advogado Ciro Soares afirma a Vorcaro que pediu a intervenção de Gonet para convencer o procurador Georges Seigneur a desistir da disputa pela presidência do CNPG. Três dias após o diálogo, Seigneur saiu da candidatura e Jarbas Soares foi eleito.
Além disso, mensagens do celular de Vorcaro de outubro de 2025 mostram que o ex-banqueiro citou o PGR ao pedir um interlocutor que reforçasse conversas com autoridades para evitar medidas do BC (Banco Central) contra a instituição financeira.
Próximos passos
Caso a maioria dos conselheiros vote pela abertura de uma investigação, será designado um subprocurador-geral da República para conduzir a apuração de forma independente. Ele analisará os dados e apresentará um relatório final ao próprio Conselho.
Se indícios de crime forem identificados, os fatos serão encaminhados ao STF (Supremo Tribunal Federal), que decidirá sobre eventual abertura de inquérito contra o chefe do MPF.
*Com informações do G1.
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(Revisão: Nichole Munaro)










