Diálogo de Vorcaro cita Jaques Wagner como intermediário para recado a Lula, indica PF Pular para o conteúdo
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Diálogo de Vorcaro cita Jaques Wagner como intermediário para recado a Lula, indica PF

Wagner foi alvo, na quinta-feira, 18, de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero
Diego Alves -
Reprodução

Mensagens inéditas encontradas pela Polícia Federal no telefone celular do banqueiro Daniel Vorcaro citam o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), como um intermediário para enviar recado ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de quem Wagner é amigo próximo, publicou o Estadão.

O Estadão teve acesso com exclusividade aos diálogos de Vorcaro que citam Jaques Wagner. Em nota, o senador disse reiterar que não tem nenhuma relação com Vorcaro e “não pode ser responsabilizado por conversas de terceiros, que sequer participou e em contexto que sequer sabe qual foi”, disse. “Não existiu intermediação e não existe relação”, reiterou.

Wagner foi alvo, na quinta-feira, 18, de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, por suspeita de receber propina do ex-sócio de Vorcaro no Banco Master, Augusto Lima, por meio da compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões e pagamentos a uma empresa de familiar no valor de R$ 3,5 milhões.

Os diálogos demonstram, de acordo com a PF, que Vorcaro também tinha relação com o senador, marcou encontros com Jaques Wagner e tinha acesso direto ao seu telefone celular. A PF também aponta que, além de Augusto Lima, o banqueiro Daniel Vorcaro também demonstrava ter influência com políticos da Bahia.

A conversa que cita Lula foi mantida entre Vorcaro e um funcionário seu no Banco Master, Fernando Mascarenhas Filho, em 17 de julho de 2024. Nas mensagens, Vorcaro comemora ao receber a informação de que estava sendo citado como alguém próximo ao governo federal “igual aos irmãos Batista”, uma referência aos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do grupo J&F.

Mascarenhas Filho escreveu ao banqueiro: “Unica coisa que falaram que somos proximos do governo, igual irmaos batista sao. O que é verdade rsrs”. Após compartilharem risadas, Vorcaro diz: “Isso aí é marketing pra nós. Manda pro Lula e pra base aliada”.

Em resposta, Mascarenhas Filho afirmou: “Vou mandar então pra tio Guiga e Jaques”. De acordo com a PF, Guiga seria o publicitário baiano Guilherme Sodré, considerado amigo muito próximo do senador petista e citado pela investigação com seu operador financeiro.

Ao analisar o material, a PF diz que os diálogos “sugerem proximidade entre Daniel Vorcaro e pessoas com poder político no estado da Bahia”.

“Identificou-se no aparelho celular de DANIEL BUENO VORCARO conversa com o contato ‘Fernando Master’ referente a FERNANDO DE GOES MASCARENHAS FILHO, Diretor Comercial do Banco Master, em que este afirma existir proximidade entre o banco e o Governo Federal: ‘Única coisa que falaram que somos proximos do governo, igual irmaos batista sao. O que é verdade rsrs”. Em seguida, afirmou tratar-se de “mkt pra nos” e sugeriu encaminhar o material ao Presidente Lula e à base aliada. O interlocutor então replicou: “vou mandar então pra tio guiga e Jaques” – referência direta a GUILHERME SODRÉ MARTINS e ao Senador JAQUES WAGNER”, escreveu a PF.

Na investigação, a PF apontou que Daniel Vorcaro também foi responsável por dar vantagens indevidas ao senador baiano em troca da sua atuação parlamentar em favor do Banco Master.

“Há elementos convergentes segundo os quais, pelo menos entre 2024 e 2025, JAQUES WAGNER recebeu de AUGUSTO FERREIRA LIMA e DANIEL BUENO VORCARO, diretamente ou por familiares próximos, vantagens econômicas diversas, em aparente correlação com sua atividade como senador da República, voltada a favorecer os interesses do Banco Master em pautas parlamentares e em temas regulatórios do sistema bancário”, escreveu a PF.

A investigação aponta a atuação de Wagner em propostas para tentar ampliar o crédito consignado, em iniciativas relacionadas ao aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e no acompanhamento da tentativa de venda do Banco Master ao BRB, medidas que, segundo a PF, eram estratégicas para as fraudes comandadas por Vorcaro.

A investigação da PF aponta que o senador manteve interlocução direta com o ex-sócio de Vorcaro, Augusto Ferreira Lima, sobre propostas legislativas e iniciativas parlamentares que poderiam beneficiar o Master.

Alvo da primeira fase da Compliance Zero em novembro, Augusto Lima voltou a ser alvo de medidas da Polícia Federal nesta quinta-feira, 18. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário na Bahia, em e no Distrito Federal. A defesa de Lima afirmou que as buscas foram “desnecessárias”. (Informações do Estadão)

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