O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões do ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos). O mineiro é suspeito de desviar emendas parlamentares.
A decisão de Dino se tornou pública neste domingo (12). Contudo, aconteceu em 6 de julho, mesmo dia em que Dino decidiu sobre Valdemar Costa Neto, presidente do PL, suspeito de desviar R$ 119 milhões. Assim, Dino pediu o bloqueio deste valor.
Na decisão sobre Cunha, Dino pede que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), apresente documentação das emendas. Assim, Motta terá 10 dias para enviar a documentação sobre a tramitação interna das emendas identificadas pela PF (Polícia Federal).
Isso porque a investigação quer acesso ao “modo individualizado e organizado por emenda”.
Operação Transparência
A investigação da Polícia Federal ocorre no âmbito da Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025. Os policiais apontaram que Valdemar “contava com autonomia para direcionar recursos de emendas conforme sua cota pessoal e particular, atribuída a partir de sua condição de presidente da sigla”.
Segundo a PF, Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca” e ex-assessora do deputado federal e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), teria operado os direcionamentos. Ela trabalhou no gabinete de Lira entre março de 2021 e o início de 2025, quando passou a atuar na liderança do Progressistas (PP) na Casa, partido do ex-presidente da Câmara.
‘Tuca’ foi o principal alvo da Operação Transparência e teve o aparelho celular analisado pela Polícia Federal. Foi constatado um “arranjo decisório paralelo” para a destinação de verbas públicas, no qual Valdemar aparece como responsável pela definição e pelo remanejamento de emendas.
“No caso analisado, um não parlamentar, ex-deputado cassado, presidente de uma importante sigla do Congresso, dispõe dos serviços de Fialek e de outros servidores da Câmara dos Deputados para destinar recursos conforme seus interesses, em sintomas inequívocos do cometimento dos crimes de peculato”, escreveu Dino.
Planilhas do ‘VCN’
Após a operação, os policiais federais relataram ao ministro Flávio Dino que planilhas eram formalizadas com indicações diretas de emendas atribuídas a Valdemar. Conforme a explicação, as planilhas eram tratadas, analisadas e condensadas por servidores da Câmara dos Deputados antes do encaminhamento aos ministérios.
Apesar das emendas terem registros em nome de deputados federais, a definição dos recursos partia de Valdemar. Para a PF, esse procedimento dava aparência de legalidade às indicações feitas pelo presidente do PL.
Surge então o nome de uma servidora da Câmara dos Deputados, lotada na liderança do PL, Nara Benedetti Nicolau Brum. A PF a apontou como agente central na engrenagem de tratamento e encaminhamento de emendas parlamentares por Valdemar.
Diálogos coletados na Operação Transparência demonstram que Nara atuava na viabilização técnica das emendas, mantendo interlocução constante com Mariângela Fialek, a ‘Tuca’. Os investigadores afirmaram que a servidora encaminhava planilhas e solicitava ajustes nos destinos e nas áreas temáticas das emendas.
Ao longo das comunicações, as indicações apareciam como Valdemar ou “do VCN”, abreviação de (V)aldemar (C)osta (N)eto.
*Com informações da Agência Estadão.
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(Revisão: Nichole Munaro)





