O município de Ribeirão Preto, em São Paulo, foi atingido por um violento temporal na sexta-feira (24), deixando um rastro de destruição. Com ventos acima de 100 km/h, o fenômeno, característico de uma microexplosão atmosférica, também causou a morte de um idoso.
A Prefeitura de Ribeirão Preto decretou situação de emergência por 180 dias. O município informou que foram registrados aproximadamente 23 milímetros de chuva em apenas 20 minutos, com rajadas de vento entre 70 km/h e 120 km/h. Todas as secretarias foram mobilizadas para atender a população, e uma força-tarefa foi criada.
Ainda de acordo com a prefeitura, os setores de energia, água e telefonia foram afetados. Também houve instabilidade nas operadoras de internet e queda no sinal de estações de rádio.
A CPFL Paulista informou que 115.180 clientes continuam sem energia na região de Ribeirão Preto neste sábado (25), cerca de 26 horas após o temporal.
Segundo a companhia, cerca de 250 equipes trabalham para restabelecer o serviço. Os profissionais foram remanejados de cidades como Franca, Araraquara, Campinas e Piracicaba para agilizar o atendimento e normalizar o fornecimento o mais rápido possível.
Morte
José Antônio de Oliveira, de 82 anos, morreu depois que a estrutura ao lado da casa dele, no Jardim Salgado Filho, cedeu e atingiu o imóvel. De acordo com o G1, o morador estava dormindo no momento da queda. Uma equipe de socorro foi acionada; no entanto, ele não resistiu aos ferimentos.
Ainda no bairro, casas foram destelhadas, imóveis desabaram e carros foram atingidos pelas estruturas. Por enquanto, não há informações sobre o número de famílias desalojadas.

Microexplosão
À EPTV, emissora afiliada da TV Globo, a meteorologista Josélia Pegorim informou que o temporal não está associado ao El Niño, mas foi provocado pela frente fria que passa por São Paulo. Os reflexos do El Niño estão previstos para a primavera.
O Climatempo explicou que a hipótese mais provável é a ocorrência de uma sequência de microexplosões, capazes de produzir ventos superiores a 100 km/h. Além disso, o fenômeno é provocado por nuvens cumulonimbus, que causam chuva forte, ventania e raios.
Embora houvesse previsão de chuva, a rápida evolução da tempestade dificultou a análise de sua intensidade. Além disso, há dificuldade na previsibilidade de novas tempestades severas.
Mobilização
Em coletiva de imprensa, o prefeito Ricardo Silva (PSD) informou que os trabalhos de rescaldo continuam neste sábado. O Governo do Estado de São Paulo enviou caminhões com donativos, caminhões-pipa e auxiliou na criação de abrigos.
“A principal meta nesta manhã é religar a energia. Sem a energia nas residências, a gente não consegue deixar essa crise. Nossa cobrança para a CPFL continua. Ontem, estávamos em reunião com 40% das residências sem energia. Fechamos a noite com 35%. Eles trabalharam de madrugada e já estamos com apenas 20% sem energia, o que representa 80 mil pontos. Ainda é muita coisa.”
“Conseguimos avançar bastante em 24 horas, diante do desastre. Se considerarmos que cada ponto tem três pessoas, podemos dizer que cerca de 200 mil pessoas ainda estão sem energia em Ribeirão Preto.”
A prefeitura também determinou:
- Autorização da mobilização de todos os órgãos municipais;
- Convocação de voluntários;
- Dispensa de licitação para a aquisição de bens indispensáveis ao atendimento da situação de emergência;
- Cancelamento de eventos.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







