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Polarização entre Lula e Flávio é vista como ‘inevitável’, mas eleitores acreditam na renovação

Pesquisa mostra Lula e Flávio Bolsonaro na liderança, enquanto Caiado, Zema e Renan Santos enfrentam dificuldades para romper a polarização
Lethycia Anjos -
Flávio e Lula
Flávio e Lula lideram a corrida eleitoral (Divulgação)

A polarização política que marcou as últimas eleições presidenciais segue dominando o cenário nacional. Embora parte do eleitorado ainda demonstre desejo por uma alternativa à disputa entre os principais grupos políticos do país, muitos brasileiros afirmam sentir-se encurralados entre as candidaturas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). É o que apontam pesquisas qualitativas realizadas pela Genial/Quaest em maio.

Os levantamentos analisados pelo Estadão acompanham, desde agosto do ano passado, 20 eleitores independentes — que não se identificam nem como lulistas nem como bolsonaristas — além de cinco grupos focais realizados em diferentes regiões do país com participantes do mesmo perfil.

O estudo foi realizado entre os dias 21 e 28 de abril, com eleitores de 16 anos ou mais em dez estados brasileiros, que juntos representam cerca de 75% do eleitorado nacional. A coleta foi feita presencialmente, por meio de entrevistas face a face com questionários estruturados.

Polarização inevitável?

Coordenadora de pesquisas qualitativas da Quaest, Luciana Andrade destaca que existe um forte desejo por renovação política, mas os eleitores enxergam a polarização como um cenário praticamente inevitável.

“Embora exista um forte desejo por renovação, o eleitor se sente encurralado por uma polarização que percebe como inevitável”, afirmou ao Estadão.

Segundo a pesquisadora, muitos entrevistados demonstram preocupação com a ausência de uma liderança alternativa que tenha reais condições de disputar a Presidência.

“Por mais que eu queira uma alternativa, não acho que ninguém hoje vai ter força suficiente para tirar Lula ou Flávio do segundo turno”, resumiu um dos participantes.

Nesse cenário, parte dos eleitores independentes afirma que poderá votar no candidato considerado o “menos pior”, enquanto outros cogitam se abster.

Desgaste dos principais nomes

Nos grupos focais da Quaest, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro apresentam fragilidades diante do eleitorado independente. Conforme aponta o Estadão, Lula enfrenta desgaste relacionado à condução da economia e à sua imagem pública, além de já não despertar o mesmo entusiasmo observado em eleições anteriores.

Já Flávio Bolsonaro sofre os efeitos da repercussão do caso Master e enfrenta a percepção de que uma eventual gestão sua representaria uma continuidade do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu pai.

Quem é a ‘terceira via’?

Apesar do desejo de parte do eleitorado por uma alternativa à polarização, uma candidatura de terceira via ainda encontra dificuldades para ganhar competitividade. Os principais obstáculos apontados pelos entrevistados são o baixo nível de conhecimento sobre esses nomes e a percepção de que eles não possuem chances reais de vitória.

Ronaldo Caiado

ronaldo caiado
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD). (Madu Livramento/Midiamax)

Entre os eleitores independentes, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), é visto como um político experiente e firme. Segundo o Estadão, sua principal credencial é a melhora dos indicadores de segurança pública no estado, tema considerado prioritário por muitos entrevistados.

Por outro lado, sua candidatura esbarra no baixo grau de conhecimento fora da região Centro-Oeste e na associação ao agronegócio e às elites econômicas.

“Ele é da área mais agro. Vai trabalhar para os grandes agricultores, para o povo rico mesmo”, afirmou um eleitor da região Sul.

Romeu Zema

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), tem sua capacidade administrativa reconhecida pelos eleitores independentes. Ainda assim, enfrenta dúvidas sobre sua viabilidade eleitoral.

Entre os pontos negativos citados estão o baixo nível de conhecimento fora do Sudeste, a imagem de gestor distante e a percepção de falta de empatia.

Ao Estadão, Luciana Andrade destacou que frases polêmicas atribuídas ao político também aparecem com frequência nas discussões dos grupos focais. “Sei que ele é um candidato forte da direita no eixo -Minas, mas só isso que sei”, relatou um eleitor do Sul.

Renan Santos

renan santos missão
Renan Santos é pré-candidato à Presidência pelo Missão. (Reprodução, Confederação Nacional dos Municípios)

Já Renan Santos, pré-candidato da Missão, permanece pouco conhecido nacionalmente. Ainda assim, segundo a Quaest, foi o nome fora da polarização que mais se beneficiou da crise envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Após o episódio, parte dos eleitores independentes que vinha se aproximando de Flávio passou a enxergar Renan como uma alternativa, aponta o Estadão.

Apesar disso, sua candidatura ainda enfrenta obstáculos. Os entrevistados têm dificuldade em associá-lo a realizações concretas e não o consideram um nome competitivo. Também pesa a percepção de que governaria mais para as elites do que para a população em geral.

“O Renan Santos lembra muito o Cleitinho. Ele é visto como alguém que denuncia e enfrenta o sistema”, explica Luciana Andrade.

Lula lidera seguido por Flávio Bolsonaro

Os números da Genial/Quaest reforçam a percepção identificada nas pesquisas qualitativas: apesar do desejo de parte do eleitorado por uma alternativa à polarização, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seguem concentrando as preferências dos brasileiros.

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 39% das intenções de voto, ante 33% de Flávio. Bem atrás estão Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, Romeu Zema (Novo), com 2%, e Renan Santos (Missão), também com 2%.

Regionalmente, Lula mantém ampla vantagem no Nordeste e no Pará, chegando a 53% em Pernambuco, 50% no Ceará e 49% na Bahia. Já Flávio Bolsonaro tem desempenho mais forte no Sul e no Centro-Oeste, com destaque para o Paraná (38%), (31%) e Goiás (25%).

Os principais nomes da chamada terceira via concentram força em seus redutos. Caiado alcança 31% em Goiás, enquanto Zema registra 11% em Minas Gerais, mas ambos têm dificuldades para ampliar a competitividade nacional.

Nos cenários de segundo turno, Lula vence Flávio Bolsonaro em Minas Gerais, Pará e nos estados nordestinos pesquisados, mas fica atrás no Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, São Paulo e .

Contra Zema, o petista enfrenta uma disputa mais equilibrada em Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Paraná. Já diante de Caiado, o governador goiano leva vantagem apenas em Goiás.

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