Com a proximidade do fim do ano, muitas famílias correm contra o tempo para tentar encerrar 2025 no “azul”. Mas, faltando menos de um mês para a virada do ano, ainda é possível começar 2026 sem dívidas?
Para a economista Aline Moreira, a resposta é sim. Segundo ela, ainda dá para recuperar parte do prejuízo e iniciar o próximo ano com mais estabilidade financeira — desde que algumas ações comecem imediatamente.
Em novembro, o índice de famílias endividadas em Campo Grande alcançou 66,7%, conforme dados da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).
Na Capital, 219.707 famílias estão endividadas. Desse total, 96.257 possuem contas em atraso e 47.318 declararam não ter condições de pagar. Quanto ao tempo de atraso, 50,6% das dívidas ultrapassam 90 dias; 29,5% estão entre 30 e 90 dias; e 12,4% têm até 30 dias. Em média, os débitos estão atrasados há 70 dias nos lares campo-grandenses.
13º salário e feirões de renegociação

Dezembro é um dos meses mais aguardados pelos trabalhadores com carteira assinada, graças ao pagamento do 13º salário, que costuma trazer alívio ao orçamento e garantir uma renda extra para quitar dívidas ou realizar as compras de Natal. Por isso, a economista reforça que este é o momento ideal para reorganizar as finanças.
“É um período em que geralmente há uma renda extra, vinda do 13º salário, e o mercado também fica mais aquecido, o que abre oportunidades de prestação de serviços e comissões. Isso ajuda muito a fechar o ano no azul”, explica.
Além do reforço no orçamento, os feirões de renegociação, como Refis (Programa de Regularização Fiscal) e Serasa, intensificam-se neste período e podem oferecer até 90% de desconto em dívidas.
“Vale acompanhar o portal, fazer login e verificar diariamente as ofertas de negociação. Essas oportunidades podem reduzir bastante o valor devido”, orienta a economista.
Corte de gastos
Embora muitos comecem a economizar reduzindo lazer e qualidade de vida, Aline diz que o ideal é olhar primeiro para os custos fixos, como as assinaturas de TV e internet.
“Aluguel, financiamentos, água, luz, internet e celular devem passar por uma avaliação. O consumidor precisa identificar o que dá para negociar, o que excluir e o que é realmente indispensável”, afirma.
Planos de celular e internet costumam oferecer descontos quando o cliente solicita cancelamento. Já as assinaturas recorrentes aparecem entre as maiores vilãs.
“As pessoas ativam vários serviços com período de teste gratuito e ficam esquecidos. Excluir essas assinaturas já gera economia imediata”, diz Aline.
Após essa etapa, aí, sim, é hora de analisar gastos variáveis. Aline recomenda o uso da Pirâmide de Maslow personalizada, onde cada pessoa classifica o que é essencial ou dispensável para sua própria qualidade de vida.
“Se algo considerado supérfluo é importantíssimo para você, não deve ser colocado no topo da pirâmide. O exercício ajuda a visualizar o que realmente pode ser cortado.”
A Pirâmide de Maslow apresenta uma divisão hierárquica em que as necessidades consideradas de nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto. Segundo esta teoria, cada indivíduo tem de realizar uma “escalada” hierárquica de necessidades para atingir a sua plena autorrealização.
Planejamento financeiro para 2026
Para quem deseja entrar no próximo ano mais organizado, a regra é simples: ter clareza sobre entradas, saídas, dívidas, patrimônio e investimentos.
“A ferramenta ideal é aquela que funciona para você, caderno, app, planilha ou bloco de notas. O fundamental é registrar tudo”, afirma.
A economista também recomenda metas baseadas em porcentagem da renda, como o método 50-30-20:
- 50% para despesas fixas;
- 30% para gastos variáveis;
- 20% para investimentos e reserva — feitos antes de pagar as contas.
“Guardar é bom, mas não suficiente no Brasil. É preciso investir para se proteger da inflação e manter o poder de compra”, enfatiza.
Na hora de pagar dívidas, qual estratégia seguir?

Quitar dívidas deve andar lado a lado com a formação de uma reserva financeira. Segundo Aline, a prioridade deve ser dada às dívidas que ameaçam bens essenciais, como imóveis e veículos. Depois, às que possuem juros mais altos.
“Não dá para só pensar em pagar a dívida e não juntar dinheiro, porque, se acontece algum imprevisto, aí você cai de novo em uma nova dívida.”
Para quem já está inadimplente, a orientação é aguardar uma boa proposta de negociação, enquanto forma uma reserva.
“Isso ajuda a aproveitar descontos maiores e, ao mesmo tempo, impede que a pessoa volte a usar crédito enquanto não reorganiza a vida financeira.”
Cenário econômico favorável para 2026
Para 2026, as projeções apontam uma melhora gradual na economia. O PIB brasileiro deve crescer em torno de 2% no próximo ano, impulsionado pelo agronegócio, exportações de commodities e investimentos em infraestrutura.
“A tendência é de alívio na inflação e redução na taxa de juros, o que pode tornar linhas de crédito mais acessíveis para conseguir concretizar alguns sonhos”, explica Aline.
Além disso, o Banco Central deve manter juros em níveis baixos, para incentivar o consumo e o crédito. No entanto, mesmo com um ambiente externo mais positivo, ela reforça que o principal fator está no controle individual.
“É importante acompanhar o cenário, mas também fazer nossa parte. Com organização e disciplina, 2026 pode ser um ano muito melhor para a saúde financeira das famílias.”
Em 2025, o país registrou uma recuperação moderada, com inflação controlada e um leve avanço no mercado de trabalho. Para 2026, porém, o desafio será enfrentar as incertezas do cenário global, marcado por tensões geopolíticas, desaceleração da economia chinesa e a aceleração da transição energética.
💬 Receba notícias antes de todo mundo
Seja o primeiro a saber de tudo o que acontece nas cidades de Mato Grosso do Sul. São notícias em tempo real com informações detalhadas dos casos policiais, tempo em MS, trânsito, vagas de emprego e concursos, direitos do consumidor. Além disso, você fica por dentro das últimas novidades sobre política, transparência e escândalos.
📢 Participe da nossa comunidade no WhatsApp e acompanhe a cobertura jornalística mais completa e mais rápida de Mato Grosso do Sul.
(Revisão: Dáfini Lisboa)








