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Cotidiano

MS tem 31 favelas e mais de 800 pessoas morando em locais acessíveis apenas a pé

Levantamento analisa as condições de mobilidade e acessibilidade dentro e fora de favelas e comunidades urbanas do Estado
Idaicy Solano -
(Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax)

Mato Grosso do Sul possui 31 favelas/comunidades urbanas, nas quais ao menos 835 pessoas moram em trechos acessíveis apenas por moto, bicicleta ou a pé, conforme os dados do “Censo 2022: Favelas e Comunidades Urbanas – Características Urbanísticas do Entorno dos Domicílios”, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no dia 5 de dezembro.

O estudo aponta que Mato Grosso do Sul tem 16.278 pessoas residindo em favelas ou comunidades urbanas. Destas, 5,1% (835) vivem em trechos sem acesso para carros, caminhões, ônibus e veículos de transporte de carga. Fora dessas comunidades, apenas 0,17% da população vive sob essas condições. Nesses locais, ambulâncias também tinham o acesso restrito.

A Comunidade Esperança, localizada em , apresentou o maior percentual de pessoas vivendo em trechos de vias extremamente estreitos, com capacidade máxima de circulação por moto, bicicleta ou pedestre (79,35%), seguida pela comunidade Mandela, também na Capital, (77,02%) e Popular Velha, no município de (31,9%).

Sobre a pesquisa

O levantamento traz informações referentes aos logradouros dentro e fora de favelas e comunidades urbanas, apresentando índices acerca da: capacidade máxima de circulação da via, existência de arborização, pavimentação, bueiro ou boca de lobo, iluminação pública, ponto de ônibus, sinalização para bicicleta, existência de calçada, obstáculo na calçada e, por fim, rampa para cadeirante.

O recorte por estado revela que Mato Grosso do Sul tem a menor disponibilidade de iluminação pública em favelas e comunidades urbanas, em todo o país. Além disso, apenas 2,7% destes territórios possuem ponto de ônibus, e menos de 1% dos moradores têm acessibilidade nas rampas das calçadas.

Conforme o censo, 90% da população que reside nestes locais também tem dificuldade de locomoção nas calçadas. Por fim, Mato Grosso do Sul tem o segundo maior percentual de moradores de favelas e comunidades residindo em áreas arborizadas.

Casas em vias estreitas, com acesso apenas de moto, bicicleta ou a pé. (Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax)
Comunidade Esperança, em Campo Grande. (Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax)
Matagal alto e lixo são realidades em comunidades urbanas. (Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax)

Comunidades quase não têm iluminação pública e coleta de lixo

Conforme explica o chefe do Setor de Pesquisas Territoriais do IBGE, Filipe Borsani, a capacidade de circulação das vias impacta também no destino do lixo dos domicílios. Para que o lixo seja coletado diretamente por serviço de limpeza, por exemplo, é necessário que as residências estejam localizadas em ruas com capacidade máxima de circulação por caminhão, ônibus e veículos de transporte de carga.

O levantamento aponta que 81,9% (9.530) dos moradores de favelas/comunidade urbanas vivendo em ruas com capacidade máxima de circulação para caminhão, ônibus e veículos de transporte de carga têm coleta no domicílio por serviço de limpeza, enquanto 14,5% (1.688) têm lixo depositado em caçamba.

Além disso, 84,5% dos moradores de favelas do Estado vivem em trechos de vias não pavimentados, totalizando 13.897 pessoas, enquanto 14,5% (2.381) residem em trechos com pavimentação. Esse é o maior percentual entre as unidades da Federação. Os resultados da ‘Pesquisa de Entorno’ mostram também que 51,4% dos moradores destes territórios vivem em trechos com iluminação pública (8.405 pessoas), enquanto 48,5% não têm acesso a este serviço (8.098 pessoas).

No Estado, sete favelas/comunidades urbanas não possuem pavimentação, sendo cinco em Campo Grande (Uirapuru, Cidade dos Anjos, Nova Capital, Refriko e Comunidade Esperança), uma em Dourados (Vitória) e uma em .

Acesso restrito também impacta na coleta de lixo. (Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax)

Falta de acessibilidade e mobilidade

Dentro das favelas e comunidades urbanas sul-mato-grossenses, apenas 2,7% dos moradores vivem em ruas com acesso a ponto de ônibus ou van. Além disso, mais de 90% da população residente neste território tem dificuldade de locomoção nas calçadas. Conforme o censo, apenas 1,4% (235 pessoas) dos 16.278 residentes dessas áreas têm acesso a calçadas sem obstáculos.

Por fim, menos de 1% destes moradores possuem acessibilidade nas rampas das calçadas. A situação é ainda mais grave quando se analisa a presença de rampas para cadeirantes. Apenas 2% dos moradores
de favelas e comunidades urbanas têm acesso a esse tipo de estrutura, o que corresponde a 330 pessoas.

Em contrapartida, o Estado se destaca nacionalmente como o segundo maior percentual de moradores das favelas residindo em áreas arborizadas, ficando atrás apenas do Tocantins (80,1%). Em Mato Grosso do Sul, 76,9% dos moradores dessas localidades (um total de 12.512 pessoas) vivem próximos a áreas arborizadas.

Cenário fora das favelas

O levantamento também analisa as condições de mobilidade e acessibilidade fora das favelas e comunidades urbanas sul-mato-grossenses. Fora desses territórios, 79,2% dos habitantes vivem em trechos de vias que são pavimentadas, além de 99,2% dos moradores viverem em locais com acesso à iluminação pública. O estudo aponta, ainda, que apenas 9,5% dos moradores concentrados fora das comunidades moram em trechos de vias com ponto de ônibus ou van.

Em relação à acessibilidade nas calçadas, o cenário fora das favelas e comunidades urbanas é menos crítico, sendo 29,2% (422.124) dos 1.477.135 moradores vivendo em locais com calçadas adequadas. Já a presença de rampas de acessibilidade para cadeirantes está disponível para 49% da população fora das favelas.

Estrutura básica, presente em boa parte dos bairros de Campo Grande. (Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax)
Afonso Pena, principal avenida de Campo Grande. (Marcos Erminio, Midiamax)
Rampa de acessibilidade em bairro de Campo Grande. (Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax)
Bueiro em bairro de Campo Grande. (Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax)

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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