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Cotidiano

5G em apenas 29 cidades de MS expõe bolsões de exclusão digital no interior

Cobertura está concentrada em municípios com maior IDH e ao longo da BR-163 e BR-262
Osvaldo Sato -
Tecnologia 5G demanda instalação de mais antenas — exemplo no Centro de Campo Grande. (Foto: Maps)

Dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, apenas 29 possuem atualmente cobertura de sinal 5G, segundo cruzamento de dados oficiais da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e dos mapas de cobertura das principais operadoras de telefonia móvel do Estado: Vivo, Claro e TIM.

O levantamento realizado pelo Jornal Midiamax mostra que a nova geração da internet móvel ainda está concentrada em áreas urbanas mais desenvolvidas, com maior densidade populacional, melhor infraestrutura e atividade econômica, enquanto grande parte do interior permanece fora dessa transformação tecnológica.

A distribuição revela uma relação direta entre acesso ao 5G e indicadores de desenvolvimento humano. Os nove municípios com maior IDH de Mato Grosso do Sul já possuem cobertura da tecnologia: Campo Grande (0,784), Chapadão do Sul (0,754), Dourados (0,747), Três Lagoas (0,744), Maracaju (0,736), São Gabriel do Oeste (0,735), Cassilândia (0,731), Paranaíba (0,728) e Nova Andradina (0,721).

Conforme o índice IDH diminui, também cai a presença da nova rede, o que expande o risco de formação de novos bolsões de exclusão digital em cidades já mais vulneráveis social e economicamente.

A cobertura também acompanha os principais eixos logísticos do Estado, especialmente ao longo da BR-163 e da BR-262, além de regiões impulsionadas pelo avanço da indústria agroflorestal e da celulose. Municípios como Inocência e Água Clara, que vivem forte crescimento econômico com a expansão industrial ligada ao eucalipto, já aparecem no mapa do 5G. O mesmo ocorre em cidades estratégicas como Campo Grande, Corumbá, Três Lagoas, Ponta Porã e Dourados, onde grande parte da área urbana já está coberta pela tecnologia.

Por outro lado, municípios fora desses corredores de desenvolvimento ou distantes das principais rodovias tendem a ficar para trás. O 5G exige maior número de antenas e infraestrutura muito mais densa que o 4G, o que torna sua implantação mais cara e menos atrativa em áreas rurais ou cidades pequenas. Em Mato Grosso do Sul, onde ainda há localidades com dificuldades até mesmo no funcionamento regular do 4G, a chegada do 5G ainda é um desafio distante.

O cenário gera situações curiosas e desiguais entre municípios vizinhos. Aquidauana possui cobertura 5G, enquanto Anastácio, cidade colada à vizinha, ainda não aparece no mapa das operadoras. Há ainda municípios cobertos por apenas uma operadora, como o caso de Inocência, onde a cobertura já existe, mas apenas pela TIM. Já Ladário aparece atendida somente pela Claro.

A cobertura plena pelas três principais operadoras está restrita a apenas cinco municípios sul-mato-grossenses: Campo Grande, Corumbá, Paranaíba, Dourados e Três Lagoas.

Relação de moradores cobertos pelo 5G, em escala que vai de azul escuro (maior quantidade) a vermelho (menor quantidade). (Reprodução, Anatel)

Municípios com 5G

Levantamento sobre a cobertura do 5G em Mato Grosso do Sul, com dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), mostra que Campo Grande lidera com 98,38% dos moradores abrangidos pela tecnologia, seguida por Três Lagoas, com 96,64%, e Dourados, com 94,29%.

Também aparecem entre os maiores índices Corumbá (91,13%), Naviraí (91,12%) e Cassilândia (86,99%), indicando maior consolidação da nova geração de internet móvel nos principais centros urbanos e polos regionais do Estado.

Ao todo, foram contabilizados 29 municípios com acesso efetivo ao 5G. Esse número considera cidades que possuem cobertura para quase 10% ou mais da população residente, critério adotado para indicar presença mais significativa da tecnologia. A contagem parte de Anastácio, que registra 9,53% de moradores cobertos.

Outras seis cidades aparecem com percentuais mínimos de cobertura e, por isso, não foram incluídas nessa conta principal. É o caso de Terenos (1,08%), Selvíria (0,09%), Nova Alvorada do Sul (0,02%), Jaraguari (0,01%), Iguatemi (0,01%) e Rio Verde de Mato Grosso (0,01%).

Nesses casos, a baixa abrangência sugere que o sinal pode estar restrito a uma única antena ou até mesmo ser reflexo da cobertura de municípios vizinhos, sem uma operação consolidada de 5G no território local.

Relação de municípios e residentes abrangidos

  1. Campo Grande — 98,38%
  2. Três Lagoas — 96,64%
  3. Dourados — 94,29%
  4. Corumbá — 91,13%
  5. Naviraí — 91,12%
  6. Cassilândia — 86,99%
  7. Paranaíba — 83,43%
  8. Bonito — 81,75%
  9. Rio Brilhante — 80,22%
  10. Ponta Porã — 78,13%
  11. — 77,54%
  12. São Gabriel do Oeste — 77,13%
  13. — 76,36%
  14. Chapadão do Sul — 74,96%
  15. Ladário — 74,56%
  16. Nova Andradina — 73,23%
  17. Maracaju — 68,16%
  18. Inocência — 63,57%
  19. Amambai — 59,97%
  20. Aquidauana — 59,25%
  21. Sidrolândia — 55,00%
  22. — 52,20%
  23. Itaquiraí — 49,76%
  24. Ivinhema — 49,06%
  25. Camapuã — 44,91%
  26. Caarapó — 37,45%
  27. Costa Rica — 29,24%
  28. Itaporã — 13,77%
  29. Anastácio — 9,53%

Instalação de antenas

A expansão da rede depende diretamente da instalação de ERBs (Estações Rádio Base), as antenas que sustentam o funcionamento do 5G. Como o sinal da frequência de 3,5 GHz tem alcance menor que o das gerações anteriores, é necessário instalar muito mais estruturas, especialmente nas áreas urbanas e também em distritos mais afastados.

Segundo Luciano Stutz, presidente da Abrintel e porta-voz do Movimento Antene-se, o principal gargalo hoje em Mato Grosso do Sul não está apenas no investimento das operadoras, mas principalmente na legislação municipal para instalação dessas estruturas. Atualmente, além da Capital, apenas outras sete cidades possuem leis municipais de antenas aprovadas: Corumbá, Costa Rica, Bela Vista, Bonito, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas.

De acordo com ele, considerando os compromissos previstos no edital do 5G, ainda existem 81 localidades no Estado situadas em municípios que não aprovaram novas leis de antenas, segundo acompanhamento da Anatel. Entre elas, estão Alto Santana, Raimundo e Tamandaré, no município de Paranaíba.

“Sem leis de antenas que facilitem a instalação e havendo entraves urbanísticos ou ambientais, há a possibilidade dessas localidades serem objeto de pedido de troca, como outras tantas no Brasil que não têm cobertura”, afirma Stutz.

Ele explica que muitas cidades ainda tratam a infraestrutura de telecomunicações como edificações comuns, o que aumenta a burocracia e atrasa a expansão. “As infraestruturas devem ser tratadas como equipamento urbano e não edificações”, pontua.

A avaliação do setor é de que a ausência de regras claras, a demora na liberação de licenças e a judicialização envolvendo normas urbanísticas continuam sendo entraves importantes para a chegada do 5G, principalmente fora dos grandes centros. Por isso, o Movimento Antene-se defende a modernização das leis municipais para facilitar a conectividade e evitar que regiões mais remotas fiquem ainda mais excluídas digitalmente.

Mapa das antenas 5G instaladas em Campo Grande. (Imagem: Conexis)

Cobertura de 80% em 2026?

Segundo o Ministério das Comunicações, o Brasil deve encerrar 2026 com cerca de 80% da população coberta pela tecnologia 5G. A previsão é de alcançar 2.220 municípios, superando com folga a meta inicial de 1.469 cidades. Hoje, a cobertura já chega a mais de 1.500 municípios brasileiros.

“Estamos atravessando a maior transformação de conectividade da nossa história. O 5G não é apenas mais velocidade de internet. Ele representa inovação, competitividade e novas oportunidades para milhões de brasileiros”, afirmou o ministro Frederico de Siqueira Filho.

Mapa da NPERF de locais onde foram efetivadas conexões 5G mostra Brasil à frente de países vizinhos. (Imagem: NPERF)

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(Revisão: Nichole Munaro)

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