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Professores ameaçam greve após férias se não houver acordo de reajuste de 5,4%

Última proposta da Prefeitura aceita reajuste de 5,4%, mas professores negaram parcelamento até 2027
Murilo Medeiros, Claudemir Candido -
Gilvano Bronzoni, presidente da ACP. (Leo de França, Jornal Midiamax)

Após rejeitarem o parcelamento do reajuste de 5,4% até janeiro de 2027, professores de voltam a negociar com a Prefeitura e vereadores na manhã desta sexta-feira (10). Ao entrar no Paço Municipal, o presidente da ACP (Associação Campo-Grandense de Profissionais da Educação Pública) afirmou que, se a reunião terminar sem acordo, a categoria pode deflagrar greve e não voltar às aulas depois das férias.

Possível movimento paredista foi debatido durante a assembleia da ACP na última terça-feira (7), mas não chegou a entrar em votação, a fim de manter aberta a mesa de negociação. Conforme calendário letivo da Semed (Secretaria Municipal de Educação), o período de recesso vai de 15 a 31 de julho.

“Nós estamos findando o primeiro semestre e, para os nossos alunos, pais e professores, é importante sairmos com a tranquilidade de ter uma volta para o segundo semestre de forma organizada, avançando na educação”, disse Gilvano Bronzoni, presidente da ACP nesta sexta-feira (10). Ele diz que a ACP cogita pautar uma greve, mas espera sair da reunião com uma proposta que atenda aos pedidos da categoria.

Se não houver acordo para o pagamento do reajuste integralmente em 2026, a categoria pode entrar em greve. “É possível cogitarmos não ter um retorno das aulas no segundo semestre, o que seria um cenário ruim, não só para a Prefeitura, mas também para as famílias campo-grandenses”, diz Gilvano. A Reme (Rede Municipal de Ensino) tem 9,2 mil professores e 112 mil alunos.

Entenda o impasse

No dia 12 de junho, professores protestaram pelo reajuste na Avenida Afonso Pena e paralisaram as aulas em escolas municipais. A manifestação foi seguida de reuniões de negociação nos dias 15 e 24 de junho, além de 1º, 3 e 6 de julho. O encontro desta segunda-feira (6) durou três horas e terminou, mais uma vez, sem acordo.

A ACP ameaçou iniciar “greve automática” caso a Prefeitura de Campo Grande não apresentasse proposta de reajuste na terça-feira (7). A administração enviou o documento, mas ele foi rejeitado pela categoria.

O Executivo da Capital aceitou manter o percentual de reajuste em 5,4%, mas sugeriu parcelar em três vezes: 1,7% em setembro, 1,7% em dezembro e 2,0% em janeiro de 2027. Os professores pleiteiam que o aumento seja pago todo em 2026.

A Lei nº 7.523, sancionada em novembro de 2025, instituiu três reajustes aos professores de Campo Grande em 2026. O primeiro, de 2%, ocorreu em janeiro. O segundo garantiria reajuste de 100% da correção anual do Piso Nacional do Magistério, em maio. Já o terceiro deve ser de 3%, em setembro.

Este segundo reajuste é alvo de impasse no momento. Em janeiro deste ano, o Governo Federal editou medida provisória, criando o percentual de 5,4% para a correção anual do piso. Assim, esse seria o percentual de reajuste dos professores de Campo Grande.

Limitações financeiras

Por outro lado, o RGD (Relatório de Gestão Fiscal) da Prefeitura da Capital mostra que os gastos com pessoal já alcançam 53,97% da receita corrente líquida. O limite prudencial de gastos, de 51,3%, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal, já teria sido ultrapassado. Campo Grande se aproxima do limite máximo, de 54%.

Na reunião de negociação realizada em 15 de junho, o secretário de Governo, Ulisses Rocha, citou um déficit de R$ 138 milhões nas contas da Prefeitura, o que dificulta a garantia de um percentual de reajuste e torna necessárias readequações orçamentárias.

Após a assembleia da ACP rejeitar a proposta de parcelamento do reajuste aos professores, a prefeita Adriane Lopes afirma que seguirá negociando com a categoria. Ela explica que o Executivo cumprirá a Lei do Piso do Magistério, mas precisa equilibrar a responsabilidade fiscal.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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