Professores da Reme (Rede Municipal de Ensino) de Campo Grande voltaram a negociar com a Prefeitura e vereadores na manhã desta sexta-feira (10), após rejeitarem a proposta de parcelamento do reajuste de 5,4% até janeiro de 2027. Ao fim da reunião, o Executivo se comprometeu a apresentar uma nova proposta sobre o cumprimento da política do Piso 20h da Reme.
Segundo a ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública), a categoria manteve o pedido para que o reajuste de 5,4%, previsto na política de valorização do magistério, seja pago conforme reivindicado pelos professores. Em resposta, a Prefeitura informou que encaminhará um novo texto, com alterações em relação às propostas anteriores.
Além da reformulação da proposta, foram discutidas outras reivindicações da categoria. Elas serão apresentadas e debatidas junto do documento oficial que será enviado pelo Executivo.
Em nota, a ACP informou que realizará uma Assembleia Geral Extraordinária na próxima segunda-feira (13), às 18h, em terceira chamada, no auditório da Fetems. Durante o encontro, a nova proposta será apresentada na íntegra, debatida e colocada em votação.
No início da reunião desta sexta-feira, o presidente da ACP, Gilvano Bronzoni, afirmou que, caso não houvesse avanço nas negociações, a categoria poderia deflagrar greve e não retornar às aulas após o fim das férias escolares. Conforme o calendário letivo da Semed (Secretaria Municipal de Educação), o recesso vai de 15 a 31 de julho.
Entenda o impasse
As negociações entre professores e Prefeitura se arrastam desde junho. No dia 12, a categoria realizou um protesto na Avenida Afonso Pena e paralisou as aulas nas escolas municipais. Desde então, foram realizadas reuniões nos dias 15 e 24 de junho e em 1º, 3, 6 e 10 de julho.
A ACP chegou a ameaçar iniciar uma “greve automática” caso a Prefeitura não apresentasse uma proposta de reajuste até terça-feira (7). O Executivo enviou um documento, mas a proposta foi rejeitada pelos professores.
A Prefeitura manteve o reajuste de 5,4%, mas propôs que ele fosse pago de forma parcelada: 1,7% em setembro deste ano, 1,7% em dezembro e 2% em janeiro de 2027. A categoria, porém, defende que todo o reajuste seja concedido ainda em 2026.
A Lei nº 7.523, sancionada em novembro de 2025, prevê três reajustes para os professores da Rede Municipal em 2026. O primeiro, de 2%, foi concedido em janeiro. O segundo corresponde à atualização anual do Piso Nacional do Magistério e, neste ano, é de 5,4%, percentual definido pelo Governo Federal em janeiro. O terceiro reajuste, de 3%, está previsto para setembro.
É justamente a forma de pagamento desse segundo reajuste que está no centro do impasse.
Limitações financeiras
A Prefeitura argumenta que enfrenta dificuldades financeiras para conceder o reajuste de forma integral. Segundo o RGF (Relatório de Gestão Fiscal), as despesas com pessoal já representam 53,97% da receita corrente líquida do município, acima do limite prudencial de 51,3% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal e próximo do teto de 54%.
Durante uma das reuniões de negociação, realizada em 15 de junho, o secretário municipal de Governo, Ulisses Rocha, afirmou que a Prefeitura enfrenta um déficit de R$ 138 milhões, o que exige readequações no orçamento antes da concessão do reajuste.
Após a rejeição da proposta de parcelamento pela assembleia da ACP, a prefeita Adriane Lopes afirmou que as negociações com a categoria continuarão. Segundo ela, a administração municipal cumprirá a Lei do Piso do Magistério, mas precisa conciliar a valorização dos profissionais com a responsabilidade fiscal.
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(Revisão: Nichole Munaro)








