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Transparência

SES nomeia médico como chefe da regulação após prisão de coordenador por fraude

Antigo gestor participou de esquema que desviou R$ 27 milhões em Mato Grosso do Sul
Fábio Oruê -
Rodrigo de Quadros. (Reprodução, Facebook)

A SES (Secretaria de Estado de Saúde) nomeou o médico Rodrigo Silva de Quadros como coordenador de Regulação e Assistência de Mato Grosso do Sul após a prisão do antigo chefe, Ed Carlo Britto Burgatt, na Operação Gutenberg, na terça-feira (7).

Em publicação no DOE (Diário Oficial do Estado), a secretária de Saúde em exercício, Crhistinne Maymone, designou Quadros para responder como coordenador da CRA (Coordenadoria de Regulação e Assistência) a contar a partir de terça — dia da operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

Rodrigo Silva de Quadros é médico formado pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e especialista em Clínica Médica. Ele atuava na SES em cargo de Direção Superior Especial e Assessoramento.

O antigo chefe do serviço, Ed Carlo, foi dispensado do cargo, conforme publicação no DOE de quarta-feira (8). No entanto, o investigado é servidor concursado no cargo de auditor de saúde e está afastado.

Ed Carlos era o coordenador da regulação estadual. (Reprodução, X)

Participação da regulação no esquema

Ed Carlo é um dos 16 presos na Operação Gutenberg, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), contra esquema que desviou R$ 27 milhões de prefeituras em Mato Grosso do Sul.

O servidor tinha papel fundamental no esquema, já que, segundo as investigações, o grupo usava a liberação de procedimentos, como exames e internações, como moeda de troca para gestores públicos comprarem materiais gráficos de empresas ligadas ao grupo.

A filha de Ed Carlo, a empresária Jéssyka Duarte Bugartt, também foi presa. Ela é dona do plano de saúde Capital Saúde.

Operação Gutenberg

O Gaeco cumpriu 16 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão, para desmantelar esquema que fazia da Central Estadual de Regulação um ‘balcão de negócios’.

Conforme balanço apresentado pelo MP ao Jornal Midiamax, foram cumpridos 14 mandados de prisão — e outros dois continuam em aberto, que são de dois empresários já considerados foragidos da Justiça.

Confira os presos:

  • Rossana Paroschi Jafar – dentista e dona de gráfica;
  • Olívia Paroschi Jafar – médica e dona da Clínica Ross, que também foi alvo;
  • Felipe Paroschi Jafar – ex-comissionado na Agesul e filho de Rossana Jafar;
  • Ed Carlo Britto Burgatt – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
  • Jéssyca Duarte Burgatt – filha de Ed e dona da Capital Saúde;
  • Joatan Gomes Peixoto – empresário;
  • Matheus Oliveira Peixoto – empresário;
  • Francisco Anízio dos Santos – empresário;
  • Douglas Henrique de Melo – empresário;
  • Paulo Rogério de Melo – empresário e pai de Douglas;
  • Gabriel Taquino de Paula – advogado;
  • Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil.

Durante as buscas, três flagrantes de posse ilegal de arma de fogo foram feitos. No total, foram cumpridos 40 mandados de busca e apreensão. Segundo o MPGO (Ministério Público de Goiás), em Abadiânia, foram cumpridos 1 mandado de prisão preventiva e 1 mandado de busca e apreensão.

A Operação Gutenberg visa combater organização criminosa acusada de fraude em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva, além de lavagem de capitais e outros crimes. O grupo agia em Campo Grande e tinha atuação espalhada em outras cidades do Estado.

O nome da operação, “Gutenberg”, faz referência a Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros, cuja nobre missão contribuiu para a ampliação do conhecimento. No caso investigado, os livros constituem justamente o instrumento utilizado para dar aparência de legalidade ao esquema criminoso.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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