Não é de hoje que notícias falsas relacionadas à saúde circulam pela internet. Receitas milagrosas, desinformação sobre vacinas e alegações equivocadas sobre os efeitos de determinados alimentos são apenas alguns exemplos de conteúdos que se espalham rapidamente pelas redes sociais. Basta rolar o feed para se deparar com publicações dessa natureza.
Esse tipo de desinformação é perigoso, pois pode levar pessoas a adotarem práticas sem comprovação científica, abandonarem tratamentos adequados ou desacreditarem medidas de prevenção, agravando problemas de saúde.
Por isso, nesta quinta-feira (2), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou esclarecimentos sobre algumas informações falsas — ou equivocadas — que viralizaram recentemente nas redes sociais.
Afinal, hantavirose é um efeito colateral de vacina? Café provoca calvície? Alho pode ser considerado um antibiótico? Abaixo, você confere o que é verdadeiro ou falso sobre essas publicações.
Café provoca calvície?
Que o café é a bebida queridinha dos brasileiros, isso nós já sabemos. Mas será que ele teria alguma relação com a calvície, um problema que afeta homens e mulheres de todas as idades? Bom, segundo informações falsas que circulam na internet, sim.
Isso porque, segundo essas publicações, uma nova fórmula teria sido introduzida em 2026 pela indústria, com “produtos químicos tóxicos”, e autorizada pela Anvisa.
Isso, porém, é falso. Segundo a agência, não houve mudança na composição ou nos ingredientes do café vendido no Brasil. A resolução que “embasa” essa desinformação (716/2022) trata especificamente dos requisitos sanitários do café e descreve os padrões de qualidade, segurança e composição, assim como o que pode ser adicionado ao alimento.
Também não houve alteração nos aditivos que podem estar nos cafés vendidos no país. Atualmente, são permitidos quatro tipos: três acidulantes, capazes de aumentar a acidez ou conferir sabor ácido, e um aromatizante natural ou idêntico ao natural, que pode intensificar o aroma e o sabor.
Se você deseja consultar os aditivos permitidos para o café e outros alimentos no país, clique aqui.
Alho é antibiótico?
O alho é um tempero presente em quase todas as cozinhas brasileiras. Porém, uma desinformação a seu respeito pode colocar em risco a saúde das pessoas.
Você certamente já ouviu algum familiar dizendo que o alho é um excelente antibiótico natural e, por isso, seu uso em chás ou in natura, por exemplo, é um ótimo mecanismo de tratamento para inflamações.
Esse tipo de notícia se apoia em informações parcialmente verdadeiras. O alho tem em sua composição diversas substâncias, uma delas, a alicina, que oferece efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes, cardioprotetores e até imunomoduladores. No entanto, não há nenhuma comprovação científica de que ele trate infecções nem de que possa substituir a amoxicilina ou qualquer outro antibiótico.
E é aí que está o perigo. Com a circulação dessas informações, muitas pessoas podem interromper o uso de medicamentos testados para apostar apenas nos efeitos do alho. Com um tratamento inadequado, seu quadro de saúde pode ser agravado.
Vale lembrar que, para serem vendidos em farmácias, os antibióticos são testados, estudados e aprovados após extensa pesquisa científica. Além disso, para registrarem esses produtos, agências reguladoras — como a Anvisa — têm uma série de exigências para aprová-los.
Anvisa vende caneta emagrecedora?
Se você viu alguma publicação afirmando que a Anvisa vende canetas emagrecedoras, saiba que essa informação é falsa. Esse tipo de post busca enganar pessoas que estão em busca do medicamento, associando-se à agência para dar mais credibilidade ao golpe.
Nestes casos, a orientação é basicamente denunciar a plataforma anunciante por meio do Fala.BR, do Governo Federal. Saiba como agir ao se deparar com essas publicações:
- Não clique em nenhum link enviado por e-mail nem em mensagem ou sites que vendem medicamentos em nome da Anvisa;
- Verifique sempre o domínio de envio dos e-mails e a URL dos sites que oferecem os produtos. O site oficial da Agência é https://www.gov.br/anvisa/pt-br;
- Em caso de dúvidas, entre em contato pelos canais oficiais da Agência: telefone 0800 642-9782 ou por meio do formulário eletrônico;
- Nunca faça nenhum tipo de pagamento solicitado nestes e-mails, mensagens ou telefonemas;
- Encontrou publicações desse tipo em redes sociais? Denuncie a postagem na própria plataforma e não clique;
- Se você ou sua empresa foi contatado por golpistas, envie sua denúncia para a Anvisa pelo Fala.BR.
Hantavirose é efeito colateral de vacina?
Segundo essas publicações falsas, a doença estaria listada em um banco de dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) e da farmacêutica Pfizer como possível efeito colateral da vacina. Tanto a entidade quanto o laboratório negaram essas afirmações.
O imunizante foi registrado pela Anvisa e não tem nenhuma indicação ou relação com a hantavirose.
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(Revisão: Nichole Munaro)








