Campo Grande terá uma base da FN-SUS (Força Nacional do Sistema Único de Saúde) a partir de novembro de 2026 para acelerar a resposta do sistema de saúde em emergências e desastres ambientais. O polo regional, único no Centro-Oeste, foi anunciado nesta sexta-feira (28), em reunião entre Governo Federal, municípios e estados da região.
A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, afirma que o objetivo é descentralizar a FN-SUS, com distribuição de bases regionais em outros estados, além da sede em Brasília. “Para a gente ter resposta mais rápida às emergências, por exemplo, para o apoio em situação de desastres, estar mais próximo das equipes regionais”, explica.
A reunião é parte dos esforços de preparação para o enfrentamento do El Niño, fenômeno climático extremo que se intensificará até o fim do ano e deverá alterar o regime de chuvas e provocar ondas de calor em Mato Grosso do Sul. O aumento de incêndios florestais é o principal efeito esperado pela União na Região Centro-Oeste.
Força Nacional do SUS
A Força Nacional do SUS é um programa que atua para responder a situações de emergência em saúde pública em todo o Brasil. Neste ano, Dourados recebeu apoio da equipe nacional para conter a epidemia de chikungunya, que matou 30 pessoas em Mato Grosso do Sul e registra 12,6 mil casos prováveis.
Só em Dourados, são 5,2 mil casos prováveis e 18 mortes — a maioria de pacientes indígenas, nas aldeias Bororó e Jaguapiru.
A FN-SUS chegou à cidade em 17 de março e ficou durante um mês, com 40 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, técnicos e psicólogos. Até dia 4 de abril, eles atenderam mais de 1,4 mil pessoas na Reserva Indígena, removeram 96 pessoas para hospitais e visitaram 250 domicílios, conforme o Ministério da Saúde.
El Niño e chikungunya
O El Niño pode voltar a intensificar a circulação do vírus chikungunya antes do fim deste ano. Após meses de sucessivas altas e epidemia no Estado, a entrada no período mais seco e com temperaturas mais amenas contribuiu para reduzir a transmissão a partir do segundo semestre.
“Aumento de temperatura está associado à maior replicação do mosquito [Aedes aegypti]. Não só chikungunya, mas dengue também deve circular com mais intensidade”, alerta o infectologista Júlio Croda, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).
Membros da Sala de Situação nacional sobre o El Niño discutiram o risco de aumento da circulação de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, em reunião no dia 10 de agosto.
Alerta de incêndios

Mapa apresentado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) mostra que a maior parte do Estado tem previsão de “atenção” para fogo entre setembro e outubro. Outros municípios — no centro, norte e Bolsão de MS — devem ter estágio de “alerta”, que é mais severo. Outra parcela fica em estado de “observação”.
“Incêndios já estão crescendo em intensidade no país e há uma previsão de que ocorram com maior vigor entre setembro e outubro, especialmente no Centro-Oeste”, afirma Anna Flávia de Senna Franco, representante do Ministério do Meio Ambiente.
Ações de enfrentamento
Entre as ações apresentadas pelo Governo Federal aos outros entes, está o envio de recursos para prevenção de desastres. Mato Grosso do Sul teria previsão de receber R$ 78,9 milhões em investimentos no Novo Pac (Programa de Aceleração do Crescimento).
Além da base da FN-SUS em Campo Grande, o Centro-Oeste recebeu um Centro de Informação em Saúde e Clima, já em funcionamento, em Cuiabá (MT). Ele atua para integrar a inteligência em saúde, com coleta de dados e análise de impactos epidemiológicos, além de monitorar eventos climáticos.
O Ministério da Casa Civil também afirma ter ampliado a capacidade de monitoramento do tempo e do clima. Em janeiro de 2023, havia quatro estações meteorológicas do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) no Centro-Oeste. Neste ano, já há 127 estações, e a previsão do Governo Federal é construir mais 37 no próximo ano.

El Niño
O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ele enfraquece os ventos tropicais, altera a circulação atmosférica global e modifica os regimes de chuva e a temperatura em várias partes do planeta.
Em Mato Grosso do Sul, os efeitos variam de um ano para outro e dependem da interação com outros fatores atmosféricos e oceânicos. Segundo a coordenadora do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), meteorologista Valesca Fernandes, o fenômeno “deve favorecer ondas de calor”.
Até setembro, ele deve atingir MS com intensidade moderada. No entanto, entre setembro e dezembro, o fenômeno pode chegar à intensidade “muito forte”.
Caso ocorram chuvas acima da média, o risco de alagamentos pode aumentar. Por outro lado, o predomínio de calor intenso, sem chuvas consistentes, pode criar condições favoráveis aos incêndios florestais.
Chuva ou seca?
Nos últimos 24 anos, 15 tiveram El Niño, sendo que o fenômeno recebeu a classificação “forte” ou “muito forte” em 2016, 2023 e 2024. Em sete das 15 ocorrências, a temperatura média anual ficou acima do esperado. Além disso, o volume de chuva ficou acima da média em nove desses anos.
Chama a atenção que, em 2024, por exemplo, o El Niño foi classificado como “forte”, mas as chuvas ficaram abaixo da média e as temperaturas, acima. Já em 2016, o fenômeno foi “muito forte”, mas os termômetros terminaram o ano abaixo da média, enquanto as chuvas ficaram acima do esperado.
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(Revisão: Nichole Munaro)






