Maio de 2026 foi marcado por chuvas acima da média em grande parte de Mato Grosso do Sul, cenário que contribuiu para reduzir a intensidade da seca em diversas regiões do Estado.
Dados do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima) mostram que os maiores volumes de precipitação se concentraram nas regiões centro-sul, leste e sudeste, onde os acumulados variaram entre 120 e 240 milímetros. Já as regiões norte, sudoeste e do Bolsão registraram os menores índices, com volumes entre 0 e 80 milímetros.
O relatório aponta uma forte variação espacial das chuvas ao longo do mês. Enquanto parte do Estado recebeu volumes expressivos, outras áreas já apresentaram características típicas da estação seca.
Entre os maiores acumulados registrados nas estações meteorológicas, destacaram-se:
- Nova Andradina: 295,2 mm, volume 190% acima da média histórica;
- Anaurilândia: 275,8 mm, com chuva 217% acima da média;
- Dourados: 231 mm, equivalentes a 151% acima da normal climatológica.
Segundo o monitoramento, cerca de 55% das estações registraram precipitações acima da média histórica para maio.
Excesso de chuva favoreceu recuperação hídrica
Nas regiões que registraram excedente hídrico, principalmente leste, sudeste, centro e parte do Pantanal, houve melhora no armazenamento superficial de água, recarga parcial de aquíferos e reservatórios e aumento da umidade do solo, condição considerada favorável para atividades agropecuárias.
Em Campo Grande, a chuva acumulada em maio ficou 64% acima da média histórica. Em um dos pontos monitorados pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), o acumulado atingiu 168,8 milímetros, valor 91% superior ao esperado para o mês.

Seca perde força, mas ainda preocupa no Bolsão
Os indicadores utilizados para monitorar a seca mostram uma melhora em relação ao mês anterior. O Índice Padronizado de Precipitação apontou atenuação das condições de seca principalmente nas regiões centro-oeste do Estado. Apesar disso, permanecem áreas com déficit de chuva no Bolsão, onde os índices continuam abaixo de -1,3 nas escalas de seis e 12 meses.
Resultado semelhante foi observado no Índice Padronizado de Precipitação-Evapotranspiração, que também registrou enfraquecimento da seca em maio. Ainda assim, a região nordeste segue como a mais crítica, com indicadores variando entre -1 e -3, sinalizando persistência de condições secas de médio e longo prazo.
Extremos do mês vão de 1,7°C a 36,6°C
Além das chuvas, maio apresentou grande variação nas condições meteorológicas em Mato Grosso do Sul.
Os extremos observados foram:
- Maior temperatura: 36,6°C em Aquidauana (Fazenda Barranco Alto);
- Menor temperatura: 1,7°C em Iguatemi;
- Menor umidade relativa do ar: 15% em Três Lagoas;
- Maior rajada de vento: 82,8 km/h em Amambai (Novo Horizonte).
O relatório destaca que, apesar dos episódios de chuva intensa, também ocorreram momentos de calor elevado e baixa umidade em algumas localidades do Estado.
Próximos meses devem ter chuva irregular
A previsão climática para o trimestre julho-agosto-setembro indica tendência de chuvas ligeiramente acima da média histórica em Mato Grosso do Sul, embora com distribuição irregular. Os maiores acumulados são esperados para o extremo sul do Estado, enquanto as regiões norte, nordeste e noroeste devem receber os menores volumes.
Já as temperaturas têm maior probabilidade de permanecerem próximas ou ligeiramente acima da média, com indicação de um trimestre mais quente que o normal.
O cenário ocorre em meio ao estabelecimento do fenômeno El Niño, confirmado oficialmente em junho, que deverá atuar com intensidade fraca a moderada nos próximos meses e pode influenciar o comportamento das temperaturas e das chuvas no Estado.
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(Revisão: Nichole Munaro)





