A Santa Casa de Campo Grande informou, por meio de nota, nesta quinta-feira (10), que tem quatro crianças na fila por uma cirurgia cardíaca congênita eletiva. O procedimento foi paralisado pelo hospital desde o início de setembro, por falta de profissionais habilitados para realizar as operações de modo seguro.
A instituição divulgou que tinha dois cirurgiões cardíacos pediátricos na equipe médica especializada, porém um deles está afastado por motivo de saúde grave, enquanto a outra profissional pediu a rescisão contratual.
A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) de Campo Grande teria sido comunicada pela Santa Casa sobre a suspensão temporária das cirurgias cardíacas pediátricas congênitas eletivas, por meio do Ofício nº 280/2026, encaminhado em 3 de setembro, às 16h46.
O hospital justificou que a especialidade é de alta complexidade e com poucos profissionais disponíveis, “o que impede a recomposição imediata da equipe”.
A Santa Casa informou que a assistência pediátrica permanece ativa. “Os pacientes continuam sendo acolhidos, acompanhados e submetidos aos exames necessários, inclusive os 4 que atualmente aguardam procedimento cirúrgico. A Santa Casa também esclarece que a manutenção da assistência pelo SUS depende, também, do regular cumprimento das obrigações contratuais pelos entes públicos”, informa a nota.
A entidade beneficente reforçou o desequilíbrio econômico-financeiro do contrato, mesmo que os pagamentos estejam sendo feitos, “situação que impacta a sustentabilidade da instituição e a manutenção de equipes, medicamentos, insumos e materiais”, destaca a nota.
Pagamento de R$ 4 milhões
A Santa Casa também informou que o aporte de R$ 4 milhões anunciado pelo poder público para ajudar nas contas da instituição ainda não foi realizado.
“A suspensão, portanto, não significa interrupção da assistência às crianças, mas uma medida responsável e necessária para preservar a segurança dos pacientes. A Santa Casa permanece em diálogo com os gestores do SUS e trabalha para recompor a equipe especializada e retomar os procedimentos com a maior brevidade possível. A Santa Casa reafirma seu compromisso com a transparência, com a segurança e o cuidado dos pacientes”, finaliza a nota.
Na terça-feira (8), o secretário de Saúde de Campo Grande, Marcelo Vilela, afirmou que o repasse de R$ 4 milhões será feito em até 15 dias. Serão R$ 3 milhões por parte do Estado e R$ 1 milhão por parte da Prefeitura.
A medida faz parte de um plano emergencial definido na última semana, após um grupo de médicos da Santa Casa de Campo Grande se desligar da instituição devido aos salários atrasados há quatro meses. A demissão em massa fez com que toda a ala de cirurgia cardíaca pediátrica do hospital, que era referência na especialidade em Mato Grosso do Sul, fosse fechada.
Segundo Vilela, a Prefeitura de Campo Grande está em dia com todos os repasses que são de sua competência, e o valor repassado visa à compra de insumos para que os serviços não sejam ainda mais afetados.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)





