Em operação deflagrada nesta quinta-feira (10), a PF (Polícia Federal) investiga um fluxo de recursos que vai desde emendas parlamentares do deputado Mario Frias (PL-SP) a empresas relacionadas a produtora Go Up Entertainment, de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo a apuração, há suspeitas de desvio e ocultação de recursos públicos e irregularidades no financiamento do filme. A Operação Make Up tem como alvo Frias, que é produtor-executivo de “Dark Horse”.
No fluxo identificado pela PF, Frias usou emendas para destinar R$ 2 milhões ao ICB (Instituto Conhecer Brasil). O caminho feito pela PF também constatou pagamentos de R$ 700 mil a 2 empresas, uma transferência de R$ 750 mil à Go Up e outros R$ 645,4 mil enviados pelo próprio deputado à produtora.
A partir dessas informações, a PF fez uma relação entre tais valores. Segundo o órgão, o ICB recebeu R$ 2 milhões provenientes de 2 emendas apresentadas por Frias. Parte dessa quantia foi usada no Termo de Fomento nº 971232.
Nesse documento, Dinâmica Editoria e Instituto Super Poder Educacional receberam R$ 700 mil do ICB. As empresas pertencem ao mesmo grupo empresarial da NTT Brasil, conforme representação da PF.
No mesmo período analisado, o grupo transferiu R$ 750 mil à Go Up Entertainment. De acordo com a PF, a quantidade é “quase que exatamente correspondente” aos R$ 700 mil recebidos pelas outras empresas do grupo.
Deputado também enviou dinheiro
A PF identificou ainda que Frias transferiu R$ 645,4 mil diretamente à Go Up em menos de 60 dias. O deputado tinha rendimentos mensais de pouco mais de R$ 44 mil, e a PF afirma que as transferências colocam “em questão o lastro financeiro” usado para sustentar os repasses.
Além disso, o órgão classifica que os valores enviados por Frias à produtora são incompatíveis com seus ganhos e créditos identificados nas contas bancárias. Dessa forma, as movimentações colocariam Frias como um participante ativo da engrenagem financeira sob investigação, além ser um agente central de uma possível organização criminosa, segundo a PF.
Ligação com ‘Dark Horse’
Uma das sócias da Go Up é Karina Gama, que preside a ICB e a ANC (Academia Nacional de Cultura). De acordo com a representação da PF, a produtora movimentou R$ 19 milhões de 10 de novembro a 30 de dezembro de 2025. Um dos principais remetentes era a NTT Brasil, com R$ 750 mil, e Frias com R$ 645,4 mil.
No período analisado pelo órgão, que coincide com as movimentações financeiras e a filmagem do longa, a Go Up realizou pagamentos a um hotel de alto padrão, empresas de alimentação e produtoras. Karina Gama também é alvo da operação.
A operação apura eventuais irregularidades na execução de emendas parlamentares. A PF e a CGU (Controladoria-Geral da União) cumpriram 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
São investigadas suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
*Com informações do Poder360.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







