Uma audiência de conciliação para tratar da disputa por terras entre produtores rurais e indígenas Kadiwéu está marcada para a próxima terça-feira (15), em Corumbá. A sessão foi designada pela Justiça Federal e será realizada na unidade do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) no município.
A expectativa é de que a audiência discuta uma possível conciliação para o conflito, que envolve áreas rurais reivindicadas pelos indígenas como parte da Terra Indígena Kadiwéu. A audiência deverá tratar das divergências sobre a posse e a ocupação das áreas.
O caso ganhou maior repercussão após produtores denunciarem novas ocupações em propriedades rurais de Corumbá. Entre elas, está a Fazenda Vila Real, de aproximadamente 4 mil hectares, que, segundo a defesa dos proprietários, foi ocupada por cerca de dez indígenas em junho.
Os produtores afirmam que a área é alvo de disputa judicial há décadas e sustentam que já houve decisão favorável à reintegração de posse. A defesa relata ocupações anteriores, em 2012, 2016 e 2018, além da registrada neste ano.
Segundo o advogado dos proprietários, durante a ocupação da Vila Real, cinco cabeças de gado teriam sido abatidas. Ele também afirma que o capataz da fazenda teria sido ameaçado e deixado a propriedade. A defesa diz ainda que parte do rebanho, estimado inicialmente entre 700 e 800 animais, precisou ser retirada às pressas.
Os indígenas, por outro lado, negaram à época que tenha ocorrido uma invasão. Representantes Kadiwéu afirmam que a área integra a Terra Indígena Kadiwéu, com cerca de 539 mil hectares, e que os indígenas já teriam a posse do território. Eles também negam violência ou ameaças durante a ocupação.
A divergência envolve ainda o registro e a localização da área. Os Kadiwéu sustentam que a Fazenda Vila Real, embora registrada em Corumbá, estaria dentro do território tradicional reconhecido da Terra Indígena Kadiwéu e relacionado à área registrada em Porto Murtinho.
Além da Vila Real, a defesa dos proprietários informou a existência de outra propriedade, a Fazenda Nova Hum, que também teria sido ocupada por indígenas. A Funai foi procurada anteriormente para se manifestar sobre as acusações e a disputa.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







