Durante a COP15, especialistas debateram, na tarde desta quinta-feira (26), medidas para trabalhar a coexistência entre agropecuária, economia e onças-pintadas. Agropecuaristas e entidades conservacionistas dialogaram sobre como elaborar a relação entre o animal símbolo do Pantanal e a economia baseada em gado em Mato Grosso do Sul.
Dentro do evento, o painel fica localizado no Espaço Brasil, do Governo Federal, e reuniu representantes técnincos, entidades e associações de pecuaristas, que trabalham no contexto de coexistencia de seres humanos, economia e onças-pintadas.
Diego Viana, pantaneiro e membro do grupo técnico da Jaguarte, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural localizada na Serra do Amolar, em Corumbá (MS), é o responsável por mediar o contato entre os pecuaristas e a manutenção das onças.
Além de artigos, pesquisas e instituições, ele ressalta a importância de ter pessoas da comunidade no corpo técnico, para trabalhar essa coexistência.
“Nós temos pesquisadores dentro da rede Pantaneira pela Coexistência Humano-Onça, que são pantaneiros, assim como eu. E é muito mais fácil você ouvir e confiar em pessoas que são do seu meio. Então, ter pantaneiros como referência para os pantaneiros é o que faz a diferença”, comenta.
As medidas, na prática
Representante da WWF Brasil no Pantanal — ONG dedicada à conservação da natureza e ao uso racional dos recursos naturais —, Cyntia Santos destaca que as onças-pintadas existem há mais de 300 anos no bioma e são os maiores predadores da América Latina. A pesquisadora destaca que há, sim, formas de coexistência entre o animal e as práticas agropecuárias.
Cyntia comenta medidas para elaborar essa coexistência. “Nós temos insistido bastante no cercamento elétrico, na readequação do manejo. Muitas vezes, orientar o proprietário a deslocar a maternidade de perto da reserva legal para uma área mais isolada daquele lugar onde a onça vive já minimiza bastante o impacto da predação em si”, explica.
A especialista comenta, ainda, que essas técnicas, associadas a outros elementos, podem criar um espaço harmônico para os dois lados. “Com sistemas de luz, com outras coisas que vão agregando esse esforço, a gente mantém um animal silvestre, predador e potencial, no seu devido lugar, respeitando o seu papel na natureza”.
Ana Paula Felicio, secretária-executiva da Associação Aliança 5P, iniciativa conservacionista de proprietários de terras no Pantanal formada por empresários e produtores, detalha que cada caso é um caso: o trabalho é feito em conjunto, mas as indivudualidades de cada fazenda devem ser levadas em conta.
“É um desafio fazer essa aliança do conhecimento técnico-científico com a experiência que os produtores têm no campo. Então, por isso, não é uma receita específica. Para cada fazenda, a gente tem que conhecer o território, ver quais são os maiores desafios que ela enfrenta”, diz a secretária.
Sobre a cerca para as onças, comentada também por Cyntia, Ana Paula revela que sua função é fazer com que o animal entenda que aquela é uma área para não se aproximar. “A onça aprende, né? É um animal muito esperto e pode se acostumar com algumas técnicas, então, a gente sempre tem que estar pensando”, conclui.

COP15 em Campo Grande
A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres acontece em março, de 23 a 29. Assim, a Capital recebe delegações internacionais de até 133 países para a COP15.
O evento é organizado pela CMS (Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres), grupo da ONU (Organização das Nações Unidas). A expectativa é de que cerca de duas mil pessoas participem do evento.
Além das delegações, pesquisadores, cientistas e membros da sociedade civil participarão do evento.
As atividades da COP15 são divididas entre agenda organizada pela CMS, com debates e negociações na Zona Azul e outras programações abertas ao público espalhadas pelo município.
O Governo Federal, por meio do MMA (Ministério do Meio Ambiente), realiza ações que vão desde debates para o público em geral até sessões de cinema gratuitas. É o caso do espaço Conexão Sem Fronteiras, que ficará aberto na Casa do Homem Pantaneiro, no Parque das Nações, de 24 a 29 de março. Outra área aberta ao público será a ação na UFMS.
O Jornal Midiamax acompanha a COP15, confira algumas reportagens já publicadas:
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









