Pacientes renais crônicos passaram mal durante hemodiálise em uma clínica particular na Rua 13 de Maio, no bairro São Francisco, em Campo Grande, no dia 27 de abril. Uma pessoa morreu e outras quatro foram internadas em hospitais da Capital. Pacientes suspeitam de infecção bacteriana durante o procedimento.
Conforme relatos de pacientes, duas pessoas teriam ficado intubadas na Santa Casa de Campo Grande após passarem mal na clínica. O mal súbito ocorreu enquanto os doentes renais crônicos passavam por hemodiálise. Nove pacientes teriam passado mal.
A clínica atende por meio de planos de saúde, de forma particular e pelo SUS (Sistema Único de Saúde). No dia em que as pessoas passaram mal, todos os atendimentos eram pelo sistema público.
Filtros reutilizados?
Pacientes atendidos na clínica por meio do SUS enviaram reclamações à reportagem sobre suposto reúso de capilares — ou seja, o filtro da máquina de hemodiálise, responsável por ‘substituir’ parte da função dos rins.
“Os capilares do pessoal do convênio são de uso único, mas os nossos [pacientes do SUS] eles lavam e a gente usa na próxima sessão de diálise. Os nossos capilares são de reúso e de marcas ruins”, afirma uma mulher que frequenta a unidade de saúde.
Segundo ela, a clínica passou a destinar capilares de uso único aos pacientes do SUS após o ocorrido, a partir de terça-feira (28). “Minha preocupação é com a minha vida e a dos meus colegas, a gente tem que ficar cuidando do outro”. Ela diz ter medo e preocupação com a possibilidade de voltarem a reutilizar os filtros.
Outra paciente da clínica reclama que “os capilares são de péssima qualidade”. “Quando não era de uso único, o capilar rompia muitas vezes no segundo uso”. O rompimento, segundo ela, gera transtornos e atrapalha o tratamento. “Ninguém da empresa se manifestou até agora”, conclui.
Um terceiro paciente levantou suspeitas sobre a higiene dos aparelhos. “Foi uma bactéria que a gente não sabe se foi por causa da máquina ou na lavagem do capilar”, diz. Segundo ele, o problema atingiu apenas pacientes de duas salas da clínica, o que afastaria a possibilidade de ter contaminação na solução de diálise.
Efeito imediato
Testemunhas relataram à reportagem que o efeito foi imediato durante a hemodiálise. “Uma mulher ficou preta porque as mangueiras vão direto na veia”, disse um paciente.
No procedimento, sangue é retirado do paciente e passa por um filtro dialisador, com microfibras que atuam como membrana semipermeável. De um lado, passa o sangue e, do outro, uma solução de diálise. Os resíduos tóxicos, como ureia, creatinina e potássio, passam do sangue para essa solução.
Outra paciente relata a confusão durante a hemodiálise na segunda-feira (27). “Pessoas passando mal, várias ocorrências ao mesmo tempo e o médico bem apavorado”, afirma.
O que diz a clínica?
Em nota, a DaVita informa que apura e acompanha os fatos relatados pelos pacientes da unidade de Campo Grande na última semana.
“Toda a assistência necessária está sendo prestada, com acompanhamento contínuo das equipes médica e assistencial, além do suporte aos familiares. Reforçamos nosso compromisso com a segurança, a qualidade do atendimento e o cuidado prestado em nossas unidades“, afirma a clínica.
O que diz a Sesau?
Em nota enviada após a publicação desta matéria, a Sesau afirma que “até o momento, não recebeu comunicação oficial sobre as situações mencionadas envolvendo pacientes atendidos na clínica”.
“A Sesau reforça que acompanha com atenção toda situação que envolva assistência à saúde da população e permanece à disposição para colaborar, dentro de suas competências institucionais, sempre que oficialmente demandada”, conclui a nota.
(*) Editado às 12h50 de quinta-feira (7) para inclusão de nota da Sesau e às 16h para correção de informação.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







