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Cotidiano

Vigilância Sanitária fiscaliza clínica de hemodiálise após morte de paciente

Segundo pacientes, 13 doentes renais crônicos passaram mal, sob suspeita de infecção bacteriana durante procedimento
Murilo Medeiros -
Paciente passa por hemodiálise – ilustrativa. (Foto: Reprodução, InNefro)

A Vigilância Sanitária estadual visitou na manhã desta quinta-feira (7) a clínica, na Rua 13 de Maio, bairro São Francisco, onde 13 pacientes passaram mal durante hemodiálise na última semana. Um homem morreu e outras quatro pessoas foram internadas, sob suspeita de infecção bacteriana.

Conforme a SES-MS (Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul), a Vigilância Sanitária Estadual “está apurando os fatos relacionados ao caso”. A pasta diz que “segue acompanhando a situação e adotando as medidas cabíveis, conforme os protocolos sanitários vigentes”.

Duas pessoas teriam ficado intubadas na Santa Casa de após passarem mal na clínica, segundo relatos de pacientes. O mal súbito ocorreu durante o procedimento, no dia 27 de março.

Pacientes atendidos por meio do SUS (Sistema Único de Saúde) enviaram reclamações à reportagem sobre suposto reúso de capilares — ou seja, o filtro da máquina de hemodiálise, responsável por ‘substituir’ parte da função dos rins. Após a morte, os capilares passaram a ser de uso único.

Fiscalização

Durante a fiscalização da Vigilância Sanitária, uma paciente chegou a abordar os agentes estaduais para fazer reclamações sobre o serviço prestado. Ela enviou relato à reportagem, mas preferiu não se identificar.

“Falei que a gente não está sendo assistido. A impressão que dá é que tanto fez, tanto faz. Se morre um outro, amanhã já tem outro no lugar”, lamenta a mulher.

Segundo a testemunha, os agentes da Vigilância Sanitária observaram as máquinas de hemodiálise da clínica durante a fiscalização, na manhã desta quinta-feira (7).

Infecção grave

O marido de uma paciente da clínica procurou o Jornal Midiamax para relatar que a esposa, de 54 anos, precisou ser “internada às pressas” depois de passar mal durante um procedimento no dia 27 de abril. Conforme o homem, a paciente contraiu um quadro grave de infecção e ficou internada no CTI (Centro de Terapia Intensiva). Ela deve permanecer no hospital por 14 dias, fazendo o uso de antibiótico.

Outra paciente da clínica relatou que, nos últimos dias, testemunhou outros pacientes sendo hospitalizados devido a infecções causadas por bactérias. O cenário causa preocupação. “Já tem três semanas que o pessoal vem passando mal. No meu horário, foram três que tiveram as mesmas reações. A gente se preocupa. Temos uma colega que saiu ontem [da internação] e outra que ainda se encontra hospitalizada.”

Outra paciente da clínica reclama que “os capilares são de péssima qualidade”. “Quando não era de uso único, o capilar rompia muitas vezes no segundo uso”. O rompimento, segundo ela, gera transtornos e atrapalha o tratamento. “Ninguém da empresa se manifestou até agora”, conclui.

Um terceiro paciente levantou suspeitas sobre a higiene dos aparelhos. “Foi uma bactéria que a gente não sabe se foi por causa da máquina ou na lavagem do capilar”, diz. Segundo ele, o problema atingiu apenas pacientes de duas salas da clínica, o que afastaria a possibilidade de ter contaminação na solução de diálise.

O que diz a clínica?

Em nota enviada ao Jornal Midiamax, a clínica informa que apura e acompanha os fatos relatados por pacientes da unidade de Campo Grande na última semana. Confira o posicionamento na íntegra:

“Em todos os casos a Clínica tem prestado a devida assistência, com ações e monitoramento dos cuidados prestados aos seus pacientes.

Com relação ao uso das instalações internas, esclarecemos que há um processo revisão de fluxos para melhor atendimento e segurança de nossos pacientes e colaboradores, sem qualquer prejuízo a qualidade do tratamento oferecido.

Reforçamos nosso compromisso com a segurança, a qualidade do atendimento e o cuidado prestado em nossas unidades.”

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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