A educação financeira deve ser incluída no currículo escolar brasileiro, após aprovação no plenário do Senado Federal, na quarta-feira (15). O tema deve ser ensinado por meio de matérias já existentes, como Matemática, História e Geografia, ao longo de toda a formação escolar.
Os aprendizados devem aumentar o conhecimento dos alunos sobre finanças, investimentos, educação fiscal, previdenciária e até securitária. Outra mudança no âmbito da educação ocorreu na última terça-feira (14), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou uma lei que coloca a educação política como obrigatória nas escolas.
Em Campo Grande, a população avalia que a educação financeira pode ser positiva para ajudar o povo a ‘sair do vermelho’. Para Kanaã Becker, de 22 anos, dono de uma loja de delivery, o ensino sobre as finanças deve melhorar a economia e o padrão de vida dos brasileiros.
“O Brasil hoje em dia está numa dívida absurda e a gente espera que, trazendo uma matéria dessa, consiga ao menos reverter isso […] a gente espera que essa nova geração consiga estar revertendo isso, jogando a economia do Brasil para cima. E se os professores conseguirem transmitir a importância disso, eu acho que só tem a agregar”, opina.
Ele conta que foi sua noiva Laís Muniz, estudante de Direito, que lhe ensinou mais conhecimentos sobre finanças depois que se conheceram. “Eu mesmo fui uma dessas pessoas que caíram em muitas dívidas, não deixei de pagar nunca, só que eu tive que trabalhar mais […] eu conheci a Laís com 21 anos, então, ela que me ensinou muito sobre guardar dinheiro, sobre investir no melhor dinheiro, ou seja, o que eu aprendi não foi na escola”, conta.
Já Laís diz que teve curiosidade e acabou aprendendo muito com seus pais. “Eu sempre tive curiosidade, por ver meus pais. [Quis] já ter as minhas coisinhas e conquistar tudo, desde nova. Então, assim, eu tento guardar, mas eu acho que, se eu tivesse começado mais nova, seria bem melhor, já na escola”, explica.

Mães e avós apoiam
Jassiane da Silva, de 38 anos, é mãe de dois filhos, de três e sete anos. Ela concorda que a educação financeira pode ajudar seus filhos a terem mais conhecimento sobre como o dinheiro funciona desde crianças.
“Eu acho que começar desde pequeno já [vai] ter uma noção quando for maior. De controle de gastos, de como investir. É importante, sim”, afirma. “Na nossa época, quando a gente estava [na escola], não tinha essa base, essa noção, não tinha nada disso. Com certeza [vai ser importante]”, completa.

Assim como ela, Josimeire Neres, de 38 anos, mãe da Vitória, de 12 anos, afirma que o ensino deve contribuir para o conhecimento da filha. “Eu acho muito importante, porque eles vão crescer um adulto sabendo sobre educação financeira […] Porque, na verdade, a gente cresceu um adulto sem saber da realidade, então, sim, é muito importante”, opina.

Já Cleunice da Silva, de 56 anos, avó do pequeno Miguel, de apenas nove anos, avalia a implementação como positiva e diz que já educa seu neto a guardar seu dinheiro. “Acho que faz uma grande diferença na hora de eles aprenderem […] vão aprender o que eles ganharam como ‘mesadinha’, vão saber repartir, guardar”, conta.
“Eu estava ensinando ele, que eu estava comprando uma sandália, e ele vai pelo que tem no bolso. Eu falei: ‘Não, você tem que pesquisar primeiro, comprar e fazer sobrar o seu dinheiro para guardar no final’, e é isso”, explica Cleunice.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)









