O fenômeno El Niño segue em fase de intensificação e, segundo os modelos climáticos, tudo indica que ele atingirá seu ápice nos próximos meses, estendendo seus impactos até o início de 2027.
Em cada região do Brasil, os efeitos do El Niño ocorrem de forma diferente. No Sul, por exemplo, o fenômeno favorece a ocorrência de chuvas intensas e enchentes. Já no Norte e no Nordeste, há uma redução significativa das chuvas, intensificando as secas. No Centro-Oeste e no Sudeste, o calor se intensifica e ocorrem mudanças no regime de chuvas.
Considerando esse cenário, o Ministério da Saúde encaminhou, nesta quarta-feira (22), um alerta aos estados e municípios sobre a possibilidade de aumento na transmissão de arboviroses, como dengue e chikungunya.
Isso porque o aumento significativo das temperaturas, aliado às alterações no regime de chuvas e aos períodos de seca em diferentes regiões do país, cria condições favoráveis para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, seja pelo armazenamento incorreto de água no calor, seja pela formação de criadouros do vetor em dias de chuva.
Segundo as projeções desenvolvidas pelo InfoDengue/Fiocruz, o Brasil poderá registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027.
Recomendações
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde recomenda que os municípios intensifiquem as ações de vigilância e controle, realizando o bloqueio da transmissão nos primeiros casos identificados, reorganizando as atividades dos agentes de combate às endemias e adotando tecnologias de controle vetorial.
O Ministério também reforça a importância da colaboração da população. Os moradores devem intensificar os cuidados em seus quintais, eliminando possíveis criadouros do mosquito. Além disso, é fundamental que estejam atentos aos sinais das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti e procurem atendimento médico logo nos primeiros sintomas.
Vale lembrar que Mato Grosso do Sul vivenciou um cenário delicado no primeiro semestre de 2026 em relação aos casos de chikungunya em diversos municípios, especialmente em Dourados. Por isso, o alerta é bastante significativo para o Estado.
O que diz a SES?
A reportagem acionou a SES-MS (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul) para saber como a pasta pretende atuar no enfrentamento das arboviroses durante o próximo semestre e quais orientações serão repassadas aos municípios sul-mato-grossenses.
Em nota, afirmou que acompanha permanentemente o cenário epidemiológico das arboviroses e mantém vigilância contínua sobre os indicadores de dengue, chikungunya e Zika em todo o Estado.
“Entre as ações previstas estão a intensificação do monitoramento epidemiológico e entomológico, a emissão de alertas e boletins epidemiológicos, o apoio técnico às equipes municipais, a realização de capacitações e supervisões de campo, o fortalecimento da vigilância laboratorial e a orientação para a atualização dos planos municipais de contingência e a organização da rede assistencial”, diz a nota.
“Nos municípios que apresentaram maior transmissão de chikungunya no primeiro semestre, a atuação é priorizada conforme a avaliação de risco epidemiológico, contemplando apoio técnico diferenciado, análise dos indicadores, visitas técnicas, quando necessárias, acompanhamento da implementação das medidas de controle vetorial e suporte às ações de vigilância e assistência”.
Já sobre a possibilidade de ampliação da vacinação contra a chikungunya, pontuou que não há previsão.
“A estratégia seguirá somente nos municípios contemplados de acordo com os critérios da área técnica de Arboviroses do Ministério da Saúde e do DPNI (Departamento do Programa Nacional de Imunizações): Dourados, Itaporã, Amambai, Sete Quedas, Douradina e Batayporã. Os municípios que compõem a estratégia seguem ofertando a vacinação de acordo com as recomendações vigentes e os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.”
O Jornal Midiamax também acionou a Prefeitura de Dourados, município que concentrou o maior índice de mortes por chikungunya no Brasil em 2026, para saber se as estratégias de combate serão reforçadas a fim de evitar um novo agravamento do cenário epidemiológico no segundo semestre.
O espaço segue aberto para manifestação.
*Matéria atualizada às 17h32 para acréscimo de nota da SES.
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(Revisão: Nichole Munaro)







