Na frente da urna eletrônica, a sequência parece simples: apertar os números, conferir a foto e confirmar o voto no botão verde. Mas, antes disso, existe uma dúvida que muita gente ainda carrega de uma eleição para outra: quais representantes iremos escolher neste ano e o que cada político eleito nas urnas pode fazer?
Em 4 de outubro, os eleitores de Mato Grosso do Sul e do restante do Brasil terão seis escolhas para fazer na urna. Serão dois votos para senador e um voto para deputado federal, deputado estadual, governador e presidente da República. Em outras palavras, o eleitor escolherá representantes para diferentes níveis de poder e com funções distintas.
É justamente aí que começam as confusões. Uma estrada com problema, uma escola sem estrutura, uma unidade de saúde lotada ou uma reclamação sobre segurança podem até fazer parte da mesma conversa, mas não necessariamente são responsabilidade do mesmo governo.
Entender quem cuida de quê ajuda não só na hora do voto, mas também na hora de cobrar uma solução para as cidades, o estado ou o país.
Presidente: decisões que valem para todo o país
O presidente da República é o chefe do Poder Executivo federal. Cabe a ele administrar o governo federal, coordenar políticas nacionais e representar o Brasil nas relações internacionais, além de outras atribuições previstas na Constituição Federal. É ele ou ela quem toma decisões que atingem o país inteiro, como políticas econômicas nacionais, relações exteriores e ações que dependem da estrutura do governo federal.
Mas isso não significa que o presidente seja responsável diretamente por tudo o que acontece no país. Saúde, educação, segurança e infraestrutura, por exemplo, envolvem diferentes níveis de governo.
Governador: quem administra Mato Grosso do Sul
Se o presidente cuida da administração federal, o governador está à frente do Executivo estadual. Em Mato Grosso do Sul, o governador administra o Estado e coordena serviços e políticas que estão sob responsabilidade estadual. Entre eles, estão a Polícia Militar e a Polícia Civil, a rede estadual de ensino, as unidades estaduais de saúde e as rodovias estaduais.
Também cabe ao governo estadual administrar o orçamento do Estado e executar políticas públicas dentro das competências de Mato Grosso do Sul. Por isso, por exemplo, quando o problema está em uma estrada estadual ou envolve um serviço diretamente ligado à estrutura do Estado, a responsabilidade está na esfera desse gestor. Mas há casos em que a responsabilidade é dividida. Saúde e educação, por exemplo, têm participação dos governos federal, estadual e municipal.
Senador: por que o eleitor vota duas vezes?
Essa é uma das diferenças que mais chamam a atenção na eleição deste ano. Em 2026, cada estado vai escolher dois senadores. Isso acontece porque o Senado Federal é formado por 81 parlamentares, sendo três representantes de cada estado e do Distrito Federal, com mandato de oito anos. Neste ano, duas das três cadeiras de cada unidade da Federação serão renovadas.
O senador atua no Congresso Nacional, em Brasília. Ele participa da criação e votação de leis federais, fiscaliza o governo federal e também exerce atribuições exclusivas do Senado, como analisar determinadas indicações feitas pelo presidente e participar de processos previstos na Constituição.
Os dois candidatos mais votados em cada estado são eleitos e ficam com as vagas nas cadeiras da bancada em Brasília.
Deputado federal: quem representa MS em Brasília
Também será preciso escolher um deputado federal. É ele ou ela quem vai para a Câmara dos Deputados e representa a população do nosso estado no Congresso Nacional. Eles podem propor, discutir e votar leis federais, além de fiscalizar as ações do governo federal.
Outra função importante está no orçamento da União. Deputados e senadores participam da discussão e votação do orçamento federal e acompanham a aplicação dos recursos públicos.
Em Mato Grosso do Sul, serão eleitos oito deputados federais. Um deputado federal pode atuar na criação de uma lei nacional, na fiscalização do governo federal e na destinação de recursos por meio das emendas parlamentares, mas não exerce a função de prefeito, governador ou secretário de Estado.
Deputado estadual: o que acontece dentro de MS
Se o deputado federal atua na Câmara, em Brasília, o deputado estadual trabalha na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. O parlamentar estadual participa da elaboração das leis estaduais e fiscaliza o governo de Mato Grosso do Sul. Também discute o orçamento estadual e acompanha a execução das políticas públicas do Estado.
Neste ano, serão escolhidos 24 deputados estaduais em Mato Grosso do Sul. É esse grupo que participa das discussões sobre regras que são de competência do Estado e acompanha a atuação do Executivo estadual.
Quem resolve cada problema?
A resposta nem sempre cabe em um único nome. Uma escola municipal, por exemplo, está ligada à prefeitura. Já uma escola da rede estadual está sob responsabilidade do governo do Estado. Uma universidade federal, por sua vez, está vinculada à União.
O mesmo acontece com as estradas. Uma rodovia estadual é responsabilidade do Estado; uma rodovia federal, da União. No transporte coletivo urbano, a responsabilidade é municipal. Na saúde, a divisão é ainda mais ampla. União, estados e municípios participam do Sistema Único de Saúde e possuem responsabilidades diferentes.
É por isso que saber apenas o nome de quem ocupa determinado cargo não é suficiente. É preciso entender qual é a função daquele cargo e até onde vai o poder de decisão de quem será eleito.
Seis votos diante da urna
No dia 4 de outubro, o eleitor de Mato Grosso do Sul verá seis telas diferentes na urna eletrônica. A ordem definida pelo Tribunal Superior Eleitoral será:
- Deputado federal;
- Deputado estadual;
- Senador;
- Governador;
- Presidente.
O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro. Caso seja necessário, o segundo turno para presidente e governador está marcado para 25 de outubro.
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(Revisão: Nichole Munaro)







