As eleições para deputados, senadores, governadores e presidente ocorrem no próximo dia 4 em todo o Brasil. Em Mato Grosso do Sul, segundo o TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul), cerca de 2,02 milhões de eleitores estarão aptos a comparecer às urnas em 2026, um aumento de 1,42% em relação a 2022.
Segundo levantamento do Observatório da Cidadania, o crescimento mais expressivo foi na faixa etária de pessoas com mais de 60 anos. O grupo passou de 397.658 para 460.085 pessoas, um aumento de 15,7% em quatro anos. Por outro lado, no grupo de pessoas entre 21 e 34 anos, houve queda de 8%, saindo de 579.687 para 533.539 eleitores. Já na faixa de 16 a 20 anos, o aumento foi ligeiro, de 0,9%, com 1.024 eleitores a mais em 2026.
Os dados expõem um cenário de contraste entre as faixas etárias extremas no Estado. Por isso, o Jornal Midiamax foi às ruas investigar as diferenças entre os eleitores jovens e idosos em Campo Grande. Os resultados encontrados confirmaram a situação apresentada pelas estatísticas, com maior participação do público mais velho.
Além disso, há maior intenção de voto entre os idosos com idade livre de obrigatoriedade do que entre os jovens consultados pela reportagem, considerados eleitores com voto facultativo.
Voto facultativo
Os votos nas eleições brasileiras são facultativos para três grupos, conforme a Constituição Federal. Apenas as pessoas analfabetas, as maiores de 70 anos e as com idade entre 16 e 18 anos podem optar por votar ou não. Os demais cidadãos são obrigados por lei a comparecer às urnas. Caso o eleitor não exerça o voto, fica em débito com a Justiça Eleitoral e sujeito à multa.
O número de eleitores com voto facultativo em Mato Grosso do Sul aumentou cerca de 10% de 2022 para 2026. No ano das últimas eleições presidenciais, eram 238.322 pessoas nessa condição; já em 2026, o número passou para 262.611, um aumento de 24.289 eleitores.

O que faz os jovens votarem?
A estudante Anne Caroline, de 18 anos, vai votar pela primeira vez em uma eleição presidencial. No entanto, a jovem já votou em 2024, quando foram escolhidos os prefeitos, vice-prefeitos e vereadores.
Ela conta que, mesmo sem a obrigação de votar na época, ela sempre foi incentivada por seus familiares a se interessar pela política e exercer seus direitos. “Foi mais um incentivo da família, que me incentivou a pensar mais além desde muito jovem. Minha mãe gosta dessas coisas e me incentivou”, explica Anne.

A jovem Layla Helena, também de 18 anos, vai votar pela primeira vez nestas eleições e vê a educação como o principal ponto a ser discutido. “Eu acho importante começar a votar [cedo], porque os jovens têm seus interesses também. Ultimamente, não tem muito incentivo [para os jovens] do governo, tipo oferecer um curso a mais”, opina Layla.
“Eu avalio a questão da saúde, educação e segurança. Hoje em dia tem escolas em que os professores só estão lá para receber dinheiro e não dão aula direito. No SUS [Sistema Único de Saúde], também não estão atendendo direito. Não tem como”, completa.

Por outro lado, o estudante Igor Meireles, de 17 anos, decidiu que não irá votar neste ano. Ainda com o voto facultativo, ele argumenta que não se preparou o suficiente para escolher seus candidatos. “Isso é uma opção minha, não querer me desafiar aí. Ainda não tô com a cabeça suficiente pra escolher”, afirma.
Para o jovem, o ideal seria estudar mais sobre política e o cenário atual do país antes de ir às urnas. Nas próximas eleições, ele espera ter mais conhecimento sobre o assunto. “Eu acho que tem que estudar mais sobre, né? Os debates em si ou o que a população está desejando”, completa Igor.

A reportagem também conversou com outro jovem, de 20 anos, que preferiu não se identificar. Ele contou que, mesmo com a idade obrigatória, nunca votou e sequer possui o título de eleitor.
Por que idosos seguem votando?
Enquanto os jovens se dividem entre votar ou não, os idosos parecem mais decididos a continuar votando, por diferentes motivos. Vicência dos Santos participa, em 2026, de sua penúltima eleição obrigatória. Com 65 anos, a idosa afirma que, mesmo depois dos 70, vai continuar votando até quando aguentar. “Pra mim é muito importante [votar]. Eu vou continuar votando. Enquanto eu conseguir caminhar com minhas próprias pernas, vou continuar”, afirma Vicência.
Antes de escolher o candidato, a idosa explica que leva em consideração os projetos em execução do político. “Eu não vou pelo partido, eu vou pelo projeto do candidato. Se ele apresenta propostas e já tem projeto também, o partido pra mim não importa”, opina.
Ela também prioriza a saúde como tema e representantes que busquem garantir os direitos da população. “A saúde é precária. Temos que correr atrás, colocar pessoas lá que pensem em nós. Não tem médico nos postos de saúde, não tem remédio. Então tem que ter uma pessoa lá que lute pelo nosso direito”, completa.

O aposentado Odilon Albano já completou a idade do voto facultativo há dez anos, mas também irá votar em 2026. “Eu voto pela tradição, é uma tradição de voto”, explica.
Odilon argumenta que nem sempre as propostas são os melhores critérios de avaliação, pois em muitos casos não são cumpridas pelos eleitos. Para escolher um candidato, o aposentado afirma que busca alguém que o represente e não pratique corrupção.

Já o boliviano Pastor Flores, de 74 anos, está em Campo Grande desde 2021 e vai votar pela segunda vez em uma eleição presidencial, mesmo com o voto facultativo. O imigrante explica que ir às urnas é fundamental para seguir exercendo a democracia.
“As eleições são boas para todos. As pessoas têm que votar e ter esse direito. Isso é bom, porque, se não há eleições, não há justiça”, ressalta Flores. “Os melhores fatores [para o voto] são que o governo administre bem o que você paga; todo mundo paga imposto. Então, eu penso assim: melhorar o país, que é um administrador, né? Porque o governo administra, não é patrão. Nós somos patrões, porque nós pagamos imposto e o governo administra”, completa.

Apenas uma idosa, que também escolheu não se identificar à reportagem, disse que completou a idade com voto facultativo e que não iria mais votar nessas eleições.
Como se informam?
A diferença no perfil das gerações de eleitores jovens e idosos em Mato Grosso do Sul é ainda mais nítida na maneira como se informam sobre o cenário político. Com a evolução da tecnologia, a internet e as redes sociais ganharam protagonismo como disseminadoras de informações.
Entre o público jovem, são elas os meios mais utilizados para acompanhar candidatos e partidos políticos. Segundo Igor e Layla, as informações aparecem em notícias on-line e em publicações no feed de suas redes. Já Anne Caroline prefere ouvir podcasts e debates entre os candidatos para se informar sobre os assuntos.
Por outro lado, entre a geração mais velha, o principal meio de comunicação ainda é a televisão, citada pelos três entrevistados. As idades também mostram um cenário interessante: enquanto Odilon, de 80 anos, acompanha os candidatos apenas pela TV, Pastor Flores, de 74, se informa também pelo rádio e pelo jornal. Vicência, ainda mais jovem, com 65 anos, também utiliza a internet para se inteirar da política.
Eleições
As Eleições de 2026 ocorrem no dia 4 de outubro, em um domingo. Em caso de necessidade de segundo turno, este ocorre três semanas depois, no dia 25. Os eleitores precisarão escolher representantes para os seguintes cargos:
- Deputado federal;
- Deputado estadual;
- Senador (dois votos);
- Governador;
- Presidente.
O segundo turno ocorre somente se nenhum dos candidatos à Presidência ou ao Governo do Estado conseguir 50% ou mais dos votos no primeiro turno. Os votos brancos e nulos não são considerados.
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(Revisão: Nichole Munaro)








