O percentual de famílias endividadas em Campo Grande chegou a 73,8% em julho de 2026, segundo o levantamento Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), divulgado nesta segunda-feira (10). O índice está 7,6 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período, em 2025, quando 66,2% das famílias declararam possuir algum tipo de dívida.
Embora a capital sul-mato-grossense tenha registrado alta no endividamento, a inadimplência apresentou uma ligeira redução, passando de 29,7%, registrado em junho, para 28,7%, registrado em julho. Já a porcentagem de consumidores que afirmam não ter condições de quitar os débitos caiu para 8,4%, o menor patamar observado no período analisado.
O cartão de crédito persiste como o principal “vilão”, sendo a causa do endividamento de 66,8% dos entrevistados. Na sequência, aparecem os carnês (16,9%), o crédito pessoal (15,2%) e o financiamento de veículos (11,1%).
A pesquisa ainda chama a atenção para o percentual de 43,4% de famílias que afirmaram estar comprometidas com dívidas há mais de um ano, o que revela o peso das obrigações financeiras nos orçamentos domésticos. Além disso, o levantamento aponta que, em média, 29% da renda familiar está comprometida com dívidas e que entre 11% e 50% do orçamento mensal é destinado ao pagamento dessas obrigações.
Para o presidente do Sistema Comércio MS, Juliano Wertheimer, os números revelam uma economia aquecida, mas exigem atenção. “Os dados mostram que as famílias sul-mato-grossenses continuam consumindo, movimentando a economia e sustentando a atividade do comércio. No entanto, o aumento do endividamento exige cautela. O desafio é garantir que o acesso ao crédito ocorra de forma responsável, preservando a capacidade de pagamento das famílias e a saúde financeira do mercado consumidor.”

Na avaliação do representante da entidade, os índices reforçam a importância de ações voltadas à educação financeira e ao uso consciente do crédito. Em relação à Capital, Juliano destaca o contraste entre o crescimento do endividamento e a manutenção do controle sobre os compromissos financeiros.
“Campo Grande apresenta um nível elevado de endividamento, mas ainda mantém indicadores de inadimplência e incapacidade de pagamento relativamente controlados. Isso demonstra que o consumidor tem conseguido administrar seus compromissos, embora seja fundamental acompanhar a evolução desse quadro para evitar que o endividamento prolongado se transforme em inadimplência”, afirma.
A economista do IPF-MS (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS), Regiane Dedé, destaca que o principal alerta está na duração das dívidas.
“Em julho de 2026, o endividamento em Campo Grande chegou a 73,8%, subindo com força no último ano (+7,6 p.p.). Mesmo assim, a inadimplência ficou estável, e a parcela sem condições de pagar caiu, mostrando controle relativo. O alerta fica por conta da cronicidade: 43,4% das dívidas já duram mais de um ano, bem acima da média nacional, de 33,1%. O campo-grandense está mais endividado e por mais tempo, mas ainda pagando melhor que o Brasil, um equilíbrio frágil se o ritmo não desacelerar”, alerta.
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(Revisão: Nichole Munaro)







