Os carros elétricos começam a ganhar espaço também no mercado de usados em Mato Grosso do Sul. Em Campo Grande, modelos seminovos de marcas chinesas já aparecem expostos em lojas de veículos como uma novidade no perfil do setor automotivo na Capital.
Apesar do avanço nas vendas, a desvalorização ainda é apontada como uma das principais preocupações de consumidores. Dados do Índice Webmotors mostram que os elétricos usados ainda perdem valor em ritmo maior do que os carros a combustão, embora o cenário tenha apresentado melhora em 2026.
Em janeiro, os elétricos usados registraram desvalorização de -0,698%, índice melhor do que os -1,648% observados em dezembro de 2025. Já em abril, a queda ficou em -0,140%, acima dos -0,072% de março, mas ainda em um cenário considerado mais estável do que nos últimos anos.
Para o empresário Fernando Cobianchi, proprietário da Cobimotors, em Campo Grande, a perda de valor atinge principalmente modelos de luxo, enquanto os elétricos de entrada ainda mantêm baixa desvalorização no mercado de seminovos.
Segundo ele, veículos acima de R$ 450 mil tendem a sofrer maior desvalorização por conta das limitações de autonomia e do perfil mais restrito de compradores. Já os modelos compactos e médios, principalmente das marcas chinesas que chegaram recentemente ao Brasil, têm comportamento diferente.
“Os modelos de entrada não apresentam desvalorização significativa. Os usados de 2024, 2025 e 2026, principalmente de marcas pioneiras como BYD e GWM, mantêm um bom valor de revenda”, afirma.
Kobianchi explica que a entrada agressiva das montadoras chinesas no mercado brasileiro mudou o cenário dos seminovos na faixa entre R$ 100 mil e R$ 200 mil. Segundo ele, veículos elétricos nessa categoria chegam a vender mais rápido do que modelos tradicionais a combustão.
“Os primeiros veículos elétricos que comercializamos foram vendidos em cerca de uma semana. Hoje, a média é de 17 a 20 dias, ainda mais rápido do que carros a combustão”, relata.



Uso para aplicativos de transporte
De acordo com o empresário, a maior parte da procura vem de motoristas de aplicativo e consumidores que buscam reduzir gastos operacionais. Ele estima que a maioria dos compradores dos elétricos seminovos utiliza os veículos para trabalho diário.
O mercado, porém, ainda convive com dúvidas relacionadas à durabilidade das baterias, assistência técnica, disponibilidade de peças e evolução tecnológica. Outro ponto observado pelo setor é que os primeiros elétricos vendidos no Brasil pertenciam majoritariamente à categoria premium, acima de R$ 300 mil, segmento que tradicionalmente sofre desvalorização maior no mercado de usados.
Nos últimos anos, porém, modelos mais acessíveis, como Dolphin Mini, Dolphin e Ora 3, passaram a liderar as vendas no país, ampliando o acesso aos eletrificados e fortalecendo também o mercado de seminovos.
Mesmo com o crescimento da procura, Cobianchi avalia que o setor automotivo segue cauteloso em 2026, influenciado pelas taxas de juros elevadas e pela desaceleração nas vendas de veículos tradicionais.
“Os veículos elétricos de entrada têm alta demanda e até listas de espera. Já os carros a combustão tiveram queda na procura, o que levou montadoras nacionais a reduzirem preços para tentar reagir”, conclui.
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(Revisão: Nichole Munaro)







