O Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio e os cuidados com a saúde mental, também chama a atenção para quem fica após uma morte por suicídio. Para familiares e amigos, o processo de luto pode ser marcado por sentimentos intensos, como tristeza, saudade, culpa e raiva, e questionamentos que nem sempre têm respostas.
Segundo Edilson dos Reis Capelão, psicólogo clínico do Humap-UFMS (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian), esse tipo de luto reúne diferentes aspectos que podem tornar a experiência ainda mais dolorosa. Entre eles, estão o caráter inesperado da morte, os sentimentos ambivalentes em relação à pessoa que morreu e o estigma que ainda envolve o tema.
A culpa também costuma aparecer com frequência. Questionamentos como “Eu poderia ter feito alguma coisa?” podem fazer parte da tentativa de compreender uma situação que, muitas vezes, não possui uma explicação simples.
Para o especialista, é importante diferenciar a busca por uma explicação da construção de um significado para a perda. Nem sempre será possível descobrir exatamente o que levou uma pessoa a tomar determinada decisão. Nesse processo, conversar sobre as dúvidas e compartilhar as lembranças pode ajudar na elaboração do luto.
Silêncio pode dificultar o processo
O tabu em torno do suicídio pode fazer com que familiares escondam a causa da morte ou evitem falar sobre a pessoa que morreu. Conforme o psicólogo, esse silêncio pode aumentar o isolamento e dificultar a elaboração do luto.
Por isso, o acolhimento não depende necessariamente de encontrar as palavras certas. A orientação é estar presente de maneira concreta, oferecendo ajuda nas tarefas do dia a dia e permitindo que a pessoa expresse diferentes sentimentos sem julgamentos.
Também é importante não deixar de falar sobre quem morreu. Perguntar sobre lembranças e permitir que o enlutado fale sobre a pessoa pode ajudar a preservar a memória para além das circunstâncias da morte.
O apoio também precisa continuar depois dos primeiros dias. De acordo com o especialista, o sofrimento pode se intensificar novamente em datas importantes e momentos de lembrança.
Quando procurar ajuda
O luto, por si só, não é considerado uma doença, mas pode se tornar mais complexo e exigir acompanhamento profissional. Entre os sinais de alerta, estão a permanência de uma dor extremamente intensa por meses, dificuldade persistente para realizar atividades básicas, isolamento social, uso abusivo de álcool ou medicamentos e pensamentos suicidas.
Nessas situações, a orientação é buscar avaliação especializada, com psicoterapia e, quando necessário, acompanhamento psiquiátrico.
Crianças e adolescentes
O cuidado também deve levar em conta a idade de quem perdeu alguém. Crianças precisam receber informações verdadeiras e adequadas ao nível de compreensão, sem explicações que possam gerar confusão sobre a morte.
Já adolescentes podem vivenciar o luto de maneira diferente e apresentar mudanças de comportamento, irritabilidade, isolamento ou queda no rendimento escolar. A recomendação é manter o diálogo e observar sinais de sofrimento.
Em Campo Grande, o Grupo de Apoio ao Luto do Humap-UFMS/HU Brasil oferece acolhimento gratuito e aberto ao público. Os encontros são realizados aos sábados, das 14h às 16h30, na Unidade 6, Multiúso 2, ao lado da Biblioteca Central da UFMS.
Para situações de sofrimento intenso, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.
💬 Fale com os jornalistas do Midiamax
Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o Jornal Midiamax?
🗣️ Envie direto para nossos jornalistas pelo WhatsApp (67) 99207-4330. O sigilo está garantido na lei.
✅ Clique no nome de qualquer uma das plataformas abaixo para nos encontrar nas redes sociais:
Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp, Bluesky e Threads.
(Revisão: Dáfini Lisboa)








