A campanha Outubro Rosa reforça, durante todo o mês, a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. No Brasil, a doença é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.
Desde setembro de 2025, uma nova política do Ministério da Saúde ampliou o acesso à mamografia pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Com a mudança, mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sintomas, passaram a ter acesso ao exame na rede pública. Em dezembro do mesmo ano, a Lei nº 15.284 reforçou o direito à realização da mamografia a partir dos 40 anos.
Apesar da ampliação, a recomendação não significa que todas as mulheres nessa faixa etária precisem fazer o exame anualmente. Segundo a enfermeira Mayara Rodrigues Mota, chefe da Unidade de Hematologia, Hemoterapia e Oncologia do Humap-UFMS (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), a decisão deve levar em conta o perfil de cada paciente.
“Para pessoas sem sintomas e consideradas de risco habitual, a faixa etária prioritária para o rastreamento organizado no SUS é dos 50 aos 74 anos a cada dois anos. Entre 40 e 49 anos, a decisão deve ser individualizada e compartilhada com o profissional de saúde”, explica.
Quando procurar atendimento?
Além da realização dos exames indicados, conhecer o próprio corpo é importante para identificar possíveis alterações nas mamas. A recomendação é observar e tocar as mamas no dia a dia e procurar atendimento caso seja percebida alguma mudança.
Entre os sinais de alerta, estão o aparecimento de nódulo ou caroço, principalmente quando endurecido, fixo ou com aumento progressivo; retração da pele ou do mamilo; mudanças no formato da mama; saída espontânea de secreção pelo mamilo, especialmente quando sanguinolenta e de apenas um lado; vermelhidão persistente, feridas que não cicatrizam e alterações na pele.
Também merecem avaliação o aumento progressivo da mama, inchaço, pele com aspecto de “casca de laranja” e o surgimento de nódulos ou ínguas na região das axilas.
A presença desses sinais, entretanto, não significa necessariamente que a mulher tenha câncer, já que diversas alterações mamárias são benignas. O importante é não adiar a avaliação médica.
“Quando existe um sinal ou sintoma, não estamos mais falando de rastreamento, mas de investigação diagnóstica, que pode ser indicada em qualquer idade”, afirma Mayara.
Qual a frequência da mamografia?
Para mulheres de risco habitual e sem sintomas, a recomendação prioritária do Ministério da Saúde é que a mamografia de rastreamento seja realizada a cada dois anos, entre os 50 e 74 anos.
Já entre 40 e 49 anos, o exame também está disponível pelo SUS, mas a decisão sobre iniciar o rastreamento deve ser discutida individualmente com um profissional de saúde, considerando os benefícios e possíveis desvantagens.
Histórico familiar aumenta o risco?
Ter familiares que tiveram câncer de mama pode aumentar o risco, mas não significa que a mulher necessariamente desenvolverá a doença.
A avaliação considera diversos fatores, como quem teve câncer na família, o grau de parentesco, a idade em que a doença foi diagnosticada e a existência de casos de câncer de ovário, câncer de mama em homens, tumores nas duas mamas ou vários familiares acometidos.
“Algumas famílias apresentam características que sugerem predisposição hereditária, inclusive relacionada a alterações em genes como BRCA1 e BRCA2, entre outros”, explica a especialista.
Nessas situações, pode ser necessário acompanhamento especializado, aconselhamento genético e uma estratégia de vigilância diferente daquela indicada para mulheres consideradas de risco habitual.
Por isso, informar o histórico familiar aos profissionais de saúde é importante para que o risco individual seja avaliado corretamente.
Informação também faz parte do tratamento
Para as mulheres que recebem o diagnóstico de câncer de mama, além das dúvidas sobre a doença, é comum surgirem preocupações relacionadas à possibilidade de transmitir uma predisposição genética para os filhos; aos efeitos colaterais dos tratamentos; e ao tempo necessário para a recuperação.
Segundo Mayara, o acolhimento e o acesso a informações confiáveis são fundamentais durante esse processo.
“Cada câncer de mama possui características próprias, e o tratamento é definido de maneira individualizada, considerando diferentes fatores, como o tipo e as características biológicas do tumor, sua extensão, as condições clínicas da paciente e as opções terapêuticas disponíveis”, afirma.
A especialista destaca ainda que, além do tratamento, é necessário garantir que a paciente compreenda as etapas do cuidado e possa participar das decisões relacionadas à própria saúde.
Diagnóstico precoce aumenta chances de tratamento
A identificação do câncer de mama em estágios iniciais pode ampliar as possibilidades de tratamento e favorecer um prognóstico mais positivo. Quando o tumor é descoberto enquanto ainda está localizado, podem ser utilizadas abordagens menos complexas em alguns casos, reduzindo também os impactos físicos e emocionais do tratamento.
“O diagnóstico precoce não depende apenas da mamografia. Envolve, também, a mulher reconhecer alterações suspeitas, procurar atendimento sem demora, encontrar uma rede de saúde preparada para realizar a investigação e, se necessário, iniciar o tratamento oportunamente”, ressalta Mayara.
A orientação durante o Outubro Rosa é que mulheres conheçam os sinais de alerta, mantenham o acompanhamento de saúde e procurem atendimento diante de qualquer alteração suspeita.
“Não deixe o medo adiar uma avaliação”, aconselha a especialista.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









