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Cotidiano

MS capacita técnicos para mercado de crédito de biodiversidade no Pantanal

Curso reuniu profissionais do Imasul e Semadesc e apresentou modelos internacionais e regras para transformar conservação da onça-pintada
Keyla Santos -
MS capacita técnicos para mercado de crédito de biodiversidade no Pantanal
(Reprodução, Wetlands International Brasil)

Cerca de 20 técnicos do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) participaram de uma capacitação sobre mercado de créditos de biodiversidade, compradores, preços e tendências.

A formação faz parte da construção do primeiro mecanismo de financiamento da conservação para o PEPRN (Parque Estadual do Pantanal do ), que está sendo implementado pelo Governo de MS.

O projeto é financiado pelo GEF (Fundo Global para o Meio Ambiente), dentro do programa GEF Terrestre, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente. O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) é a agência implementadora e o Funbio (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade) é o executor. A consultoria técnica é da Wetlands International Brasil e da Mupan (Mulheres em Áreas Úmidas).

O que é um crédito de biodiversidade?

Conduzida pela especialista em pagamento por serviços ambientais Olivia Marques, a capacitação de dois dias mostrou o que pode ser considerado um crédito, como medir, comprovar, verificar e onde vender.

A ideia, segundo o gerente de Unidades de Conservação do Imasul, Leonardo Tostes Palma, é colocar todo mundo na mesma página.

“Reunimos a equipe do Imasul e da Semadesc que trata de unidades de conservação, ativos ambientais e as áreas jurídica e administrativa. É importante que todos entendam o que é o crédito de biodiversidade e qual o papel de cada um, para que esses créditos possam ser disponibilizados de maneira correta e tragam sustentabilidade financeira para a unidade”, destacou.

Onça-pintada como moeda de conservação

O PEPRN tem 76.851 hectares e reúne os ambientes mais representativos do Pantanal: lagoas permanentes, cordilheiras de mata e áreas alagáveis.

Para o mecanismo, lançado em maio de 2026, a metodologia escolhida tem a onça-pintada como espécie guarda-chuva – indicador da saúde do ecossistema. A unidade de referência é 1 hectare com 1 onça-pintada conservada por 1 ano.

Segundo Letícia Larcher, gestora de projetos da Wetlands e da Mupan, a escolha não foi por acaso.

“A análise de viabilidade, elaborada em março de 2025, identificou a onça-pintada como estratégica para representar o ecossistema, considerando seu valor ecológico e sua relação com a proteção de diferentes ambientes do Pantanal”, explicou.

Mas só escolher a espécie não basta. Para virar crédito, é preciso ter unidade de medida, linha de base, evidências, adicionalidade, duração e monitoramento. Ou seja, provar o que tinha antes, o que mudou com o projeto e como isso será verificado ao longo do tempo – dados que também vão alimentar os relatórios de sustentabilidade de futuros compradores.

Experiência da Inglaterra

Um dos cases apresentados foi o da Inglaterra. Desde 2024, o país exige por lei o Biodiversity Net Gain: todo grande empreendimento precisa gerar pelo menos 10% de ganho líquido de biodiversidade. Esse ganho pode ser dentro da obra, em área externa ou pela compra de créditos estatutários.

O exemplo mostra como uma obrigação legal cria demanda por créditos.

A diferença para o carbono é crucial: enquanto uma tonelada de CO2 vale igual em qualquer lugar do mundo, o crédito de biodiversidade é territorial. O valor do Pantanal está justamente nas características únicas daquele bioma.

Próximos passos

Com a capacitação encerrada, a equipe agora avança na estrutura de governança e no modelo jurídico-financeiro que vai viabilizar a venda dos créditos.

Em paralelo, sete especialistas seguem para o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro para instalar armadilhas fotográficas e iniciar o monitoramento ecológico da onça-pintada.

O objetivo é que a biodiversidade do parque seja reconhecida não só pelo valor ecológico, mas também como um ativo capaz de garantir recursos de longo prazo para manter a área protegida.

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