Em meio à epidemia de chikungunya que afeta Mato Grosso do Sul, a nova sede da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), inaugurada nesta segunda-feira (22) em Campo Grande, chega com a possibilidade de ampliar a capacidade científica do Estado no enfrentamento as arboviroses. A estrutura deve reforçar ações de diagnóstico e vigilância epidemiológica, além de impulsionar pesquisas voltadas ao desenvolvimento de novos fármacos e bioinsumos.
A inauguração ocorre em um momento de alerta para a saúde pública. Na última sexta-feira (19), Mato Grosso do Sul confirmou a 24ª morte por chikungunya em 2026, igualando em seis meses o total de óbitos registrados pela doença ao longo da década anterior.
Fármacos e bioinsumos
O diretor-presidente da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul), Cristiano Carvalho, destaca que a ampliação da infraestrutura científica abre novas possibilidades para pesquisas voltadas aos principais desafios sanitários do Estado.
Segundo ele, pesquisadores sul-mato-grossenses já atuam em parceria com grupos de outras regiões do país na busca por soluções inovadoras para doenças como a chikungunya.
“Os pesquisadores estão trabalhando para fortalecer a vigilância e reduzir os impactos dessas doenças. Ao mesmo tempo, desenvolvem pesquisas em conjunto com equipes de outros estados, o que pode resultar na criação de novos fármacos e bioinsumos”, afirmou.
A integração da equipe local com centros de referência da Fiocruz no Rio de Janeiro, como Farmanguinhos e Bio-Manguinhos, amplia o potencial de desenvolvimento tecnológico e científico da instituição.
“A nova estrutura permitirá ampliar a capacidade de diagnóstico e fortalecer pesquisas relacionadas à saúde. Temos uma posição estratégica por estarmos em uma região de fronteira e conectados à Rota Bioceânica. Isso exige vigilância constante e capacidade de resposta rápida diante de possíveis ameaças sanitárias”, diz o diretor.
Além disso, a Fiocruz possui histórico de atuação no enfrentamento da chikungunya. O Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz é referência nacional para o diagnóstico de arboviroses e desenvolve pesquisas sobre o vírus desde 2010. Atualmente, a instituição utiliza técnicas moleculares e sorológicas para identificação da doença e participa de ações de vigilância e monitoramento epidemiológico em diferentes regiões do país.
Estrutura amplia capacidade científica
Para a direção da Fiocruz Mato Grosso do Sul, a nova sede representa um avanço na capacidade científica e tecnológica da instituição, ampliando o potencial de pesquisas voltadas aos desafios da saúde pública e à conservação dos biomas brasileiros, especialmente o Pantanal.
Entre os destaques da nova estrutura está o Laboratório de Biodiversidade, dedicado ao estudo de compostos extraídos da flora regional com potencial de aplicação na área da saúde. A unidade também abriga laboratórios de cultivo celular, imunofarmacologia e análises laboratoriais, além de um biotério destinado a pesquisas científicas.
A expectativa é de que esses espaços contribuam para o desenvolvimento de novas tecnologias, medicamentos e insumos estratégicos para o SUS (Sistema Único de Saúde), além de fortalecer a resposta a epidemias e emergências sanitárias.
MS vive epidemia de chikungunya
Entre 2016 e 2025, Mato Grosso do Sul registrou 24 mortes e 21.282 casos prováveis de chikungunya. Somente em 2026, o Estado já contabiliza 13.190 casos prováveis. Embora o número de ocorrências ainda seja inferior ao acumulado da década anterior, a quantidade de mortes já atingiu o mesmo patamar.
No Brasil, o cenário também preocupa. Dados do Ministério da Saúde apontam 53.857 casos prováveis e 40 mortes por chikungunya neste ano. Mato Grosso do Sul concentra cerca de 24,5% dos casos registrados no país e 60% dos óbitos.
Na prática, isso significa que aproximadamente um em cada quatro casos de chikungunya no Brasil ocorre em território sul-mato-grossense, enquanto seis em cada dez mortes pela doença foram registradas no Estado.
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(Revisão: Nichole Munaro)






