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Professores recuam e aceitam parcelamento do reajuste de 5,4% até janeiro de 2027

Assembleia desta segunda-feira (13) encerrou a negociação, que se arrastava desde junho, e afastou a possibilidade de greve
Murilo Medeiros -
Perto das férias, professores de Campo Grande rejeitam greve e mantêm negociação de reajuste
Professores de Campo Grande reunidos em assembleia da ACP. (Madu Livramento, Jornal Midiamax)

Professores de recuaram da decisão tomada na última assembleia geral da ACP (Associação Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública) e votaram no aceite do parcelamento, até janeiro de 2027, do reajuste de 5,4% proposto pela Prefeitura da Capital. A nova votação afasta a possibilidade de greve e encerra a negociação, que se arrastava desde o início de junho.

A Lei nº 7.523, sancionada em novembro de 2025, instituiu três reajustes aos professores de Campo Grande em 2026. O primeiro, de 2%, ocorreu em janeiro. O segundo garantiria reajuste de 100% da correção anual do Piso Nacional do Magistério (5,4%), em maio. Já o terceiro deveria ser de 3% em setembro.

No entanto, não houve aumento na categoria em maio, sob alegação de restrições financeiras. O impasse tomou força a partir do dia 12 de junho, quando professores protestaram pelo reajuste na Avenida Afonso Pena e paralisaram as aulas em escolas municipais. Essa manifestação abriu caminho para reuniões de negociação entre a Prefeitura, vereadores da Comissão de Educação e membros da ACP.

Reajuste parcelado

Depois de seis rodadas de negociação no Paço Municipal, o Executivo voltou a propor o parcelamento do segundo reajuste: 2% em setembro, 1,4% em dezembro e 2,0% em janeiro de 2027, totalizando 5,4%, tendo como referência de base de cálculo o mês de agosto.

Já o terceiro reajuste, de 3%, previsto para setembro deste ano, foi suspenso. O tema voltará à pauta de discussões em janeiro de 2027, conforme a proposta da Prefeitura. A Lei nº 7.523/2025 define ainda que, em 2027, a correção anual do Piso deve ser paga em maio, mais um reajuste de 5% em setembro.

O acordo de reajuste contempla professores aposentados e temporários, incluindo convocados e profissionais com aulas complementares.

Em assembleia realizada na noite desta segunda-feira (13), os professores de Campo Grande aceitaram os termos deste acordo. Na última reunião geral da categoria, na terça-feira passada (7), eles tinham rejeitado proposta semelhante, considerando que o aumento deveria ser integral em 2026.

Além disso, o Executivo também se compromete a publicar no Diário Oficial a tabela salarial da categoria e o calendário de reuniões mensais da Comissão de Estudos e Análise das Políticas Públicas de Educação, composta por ACP, secretários e vereadores.

‘Não é o resultado nos prazos que defendíamos’, diz ACP

Em nota, a ACP reconhece que a proposta aprovada não contempla integralmente a reivindicação inicial, mas diz que ela foi avaliada pela assembleia considerando o longo processo de mobilização e negociação.

“Entramos nesse movimento com reajuste zero. Saímos não com aquilo que pretendíamos e que nos é de direito, que era o pagamento à vista no mês de maio, mas com avanços construídos após muita mobilização”, afirma o presidente da ACP, Gilvano Kunzler Bronzoni.

Para a ACP, a mudança entre o cenário inicial — sem previsão concreta de reajuste — e a proposta aprovada nesta segunda-feira é resultado da organização e da pressão coletiva dos profissionais da educação.

“Não é o resultado nos prazos que defendíamos desde o início, mas a categoria avaliou, debateu e decidiu. A ACP respeita a decisão soberana da assembleia e seguirá acompanhando o cumprimento de cada etapa do acordo”, conclui Gilvano.

Limitações financeiras

No ofício enviado à ACP, com a proposta aprovada pela assembleia, a Prefeitura de Campo Grande afirma que o acordo considera “o compromisso da Administração Municipal com a valorização dos profissionais da educação, sem perder de vista a responsabilidade fiscal e a sustentabilidade das contas públicas”.

O Relatório de Gestão Fiscal do primeiro quadrimestre de 2026 mostra que os gastos com pessoal já alcançam 53,97% da receita corrente líquida do município. O limite prudencial de gastos, de 51,3%, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal, já teria sido ultrapassado. Campo Grande se aproxima do limite máximo, de 54%.

Na reunião de negociação realizada em 15 de junho, o secretário de Governo, Ulisses Rocha, citou um déficit de R$ 138 milhões nas contas da Prefeitura, o que dificulta a garantia de um percentual de reajuste e torna necessárias readequações orçamentárias.

Após a assembleia da ACP rejeitar a proposta de parcelamento do reajuste aos professores na última terça (7), a prefeita Adriane Lopes afirmou que seguirá negociando com a categoria. Ela explicou que o Executivo cumprirá a Lei do Piso do Magistério, mas precisa equilibrar a responsabilidade fiscal.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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