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Cotidiano

Reserva de Dourados tem mesma área há 1 século, perdeu matas e sofre com superlotação

Conheça a história das aldeias Jaguapiru e Bororó, demarcadas pela equipe de Marechal Rondon e pressionadas pela falta de espaço
Murilo Medeiros -
Mesmo pressionada pelo desmatamento, partes da Reserva ainda são cercadas por árvores. (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

Quando os moradores da RID (Reserva Indígena de ) — a mais populosa terra indígena do país — falam da vida nas aldeias Jaguapiru e Bororó, eles começam pela lembrança das matas e dos córregos, que já não existem mais. Em 124 anos de história, o território de 3,6 mil hectares — entre Dourados e Itaporã — nunca cresceu, mas sofreu muitas transformações e viu sua população aumentar mais de 27 vezes.

Na comemoração dos 124 anos da RID, o Jornal Midiamax produziu reportagens especiais sobre as aldeias Jaguapiru e Bororó. Esta conta a história da comunidade por meio das memórias dos indígenas e de documentos históricos. As outras duas tratam dos problemas sociais, que causam epidemias e denunciam o abandono pelo Poder Público, além das perspectivas pouco otimistas para o futuro da Reserva.

Professora e historiadora, a filha do líder indígena Marçal de Souza Tupã’i, Edna Silva de Souza, de 76 anos, nasceu e cresceu na Aldeia Jaguapiru ouvindo a língua Guarani Nhandeva em casa. Antes de falar da violência, da superlotação e da perda da identidade cultural entre os mais jovens, ela se lembra da floresta que existia ali.

“Eu vivi no primeiro mundo. Aqui era floresta, atravessava a estrada e era só perobal. Tinha animais silvestres, macaco, veado campeiro, mutum, capivara, irara. A gente conviveu com essa floresta”, conta. Tudo isso não é só cenário — a conexão com a natureza faz parte da cultura e do modo de viver indígena.

Cadê o córrego que estava aqui?

A caminho da escola, na Missão Caiuá, Edna Souza andava por trilhas no meio da mata, passando por pinguelas e córregos. “Era um trajeto muito rico. Na harmonia e na energia da natureza”, destaca. Atualmente, nada disso é possível, já que as matas foram derrubadas e os cursos d’água secaram.

Já Ronaldo Arévalo, 49 anos, morador da Aldeia Bororó, lembra o caminho para visitar o bisavô dele, o cacique Ireno Isnard, nomeado pelo general Rondon no início do século passado. Apesar de não ser tão longe, a distância parecia maior, porque havia vegetação mais densa na década de 1980. “Tinha muita mata, inclusive fechada, muita caça e pesca também”, lembra.

Segundo ele, o desmatamento começou a se intensificar quando foi autorizada a retirada de madeira em troca de casas de tábua. “Abriu tudo e começou a entrar o plantio de soja e veio o pessoal para arrendar terra”. Anos depois, Ronaldo se mudou para onde o bisavô morava e a terra estava ocupada com uma lavoura de soja. “Entrei e comecei a plantar [aroeira] aos poucos, reflorestando. Hoje você vê bastante árvore de novo.”

Os indígenas caçavam para comer, coisa que já não é mais possível, pela falta de animais silvestres nos arredores da Reserva. A caça predatória e a escassez de habitats podem explicar como isso ocorreu.

Para se ter ideia de como os animais eram pouco preservados, em 1948, funcionários do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro viajaram a Dourados para capturar animais da RID. Comunicado sobre o assunto enviado pelo Ministério da Agricultura integra o acervo do Museu Nacional dos Povos Indígenas. 

Mapa idêntico ao atual

(Museu Nacional dos Povos Indígenas)

O mapa acima, produzido em 1933 pelo encarregado do então Posto Indígena Francisco Horta, atual RID, mostra que os córregos Farinha Seca e Jaguapiru cortavam o território, mas eles já não existem na mesma extensão. 

O documento histórico também registra a área de 3,6 mil hectares da Reserva Indígena. Recenseamento feito em janeiro de 1933 registrou 494 pessoas vivendo naquele território. Depois de 93 anos, há 13.673 moradores, segundo o Censo de 2022. A população mais de 27 vezes maior pressiona o território e antigas áreas de mata deram lugar a casas, lavouras e estradas. 

Para comparar, um dos menores municípios de Mato Grosso do Sul é Douradina, com 3.586 habitantes e área de 28 mil hectares. A Reserva Indígena de Dourados tem quase 4 vezes mais população em uma área 87% menor.

124 anos de confinamento

Muito antes do desmatamento começar, os povos indígenas Guarani e Kaiowá já habitavam a região sul de Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai, inclusive muito antes de 1902, ano que marcaria o aniversário da RID.  “Lá em 1600 e pouco, já há registro dos [provando] que aqui existiam grupos de Guarani Kaiowá”, explica Edna Souza. 

Edna de Souza, professora e historiadora, filha de Marçal de Souza. (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

O que mudou a partir de 1902 foi o confinamento desses povos, que passaram a viver em território muito menor do que estavam acostumados. As famílias indígenas Guarani Kaiowá, tradicionalmente, vivem distantes umas das outras e andam a pé por trilhas nas matas para visitar os parentes. 

Como se já não bastasse, indígenas da etnia Terena também foram levados e confinados na Reserva, assim como outros Guarani e Kaiowá, que anteriormente habitavam outras regiões. A RID nasceu como política de Estado para concentrar famílias em uma área pequena e liberar o restante para a colonização, propriedade privada e expansão agropecuária.

Até o início do século 20, poucos não indígenas habitavam a região. No entanto, a partir de 1902, a exploração da erva-mate levou mais e mais gente branca ao local, criando limites na área que, até então, era toda dos indígenas. Assim, eles pediam pela demarcação do território, como forma de impedir conflitos por terras.

Oficialmente, a reserva foi criada em 3 de setembro de 1917, pelo Decreto Estadual nº 401, com 3.600 hectares. À época, recebeu o nome de Posto Indígena Francisco Horta. No entanto, a área já tinha sido demarcada anos antes, pela equipe do marechal Cândido Mariano Rondon.

Escravidão nos campos de erva-mate

Até a Guerra do Paraguai, os indígenas da região sofriam poucas interferências externas de pessoas não indígenas.

Depois de 1870, quando a Guerra do Paraguai acabou, o Brasil precisava delimitar limites mais claros com o país vizinho. Assim, o grupo liderado pelo coronel Enéas Galvão, o Barão de Maracaju, com comando militar do então capitão Antônio Maria Coelho, realizou expedições na região para demarcação da fronteira.

Thomaz Laranjeira participava da chamada Comissão de Limites e, ao percorrer a região, percebeu que o cultivo de erva-mate poderia ser lucrativo. Assim, investiu na Companhia Matte Larangeira, que depois passaria ao comando dos irmãos Murtinho. A empresa instalou-se na área onde os indígenas viviam em 1902 e deteve o monopólio da exploração da erva por cinco décadas.

Depois de lutar na Guerra do Paraguai, os Guarani e Kaiowá sofreram com a exploração de seu trabalho nos campos de erva-mate. O relatório final da Comissão Nacional da Verdade revela que, além dos paraguaios, indígenas eram submetidos a trabalho análogo à escravidão pela Companhia. Parte deles se refugiou na RID, quando as terras foram demarcadas.

Cacique no início dos anos 1900, Ireno Isnard confirmou a situação em entrevista ao livro “Canto de Morte Kaiowá”, de José Carlos Sebe Bom Meihy, que reúne relatos de lideranças históricas da Reserva. 

“Os índios Guarani e Kaiowá sofreram muito com a guerra do Paraguai… Depois sofreram por causa do trabalho nos campos de erva”, declarou. “Os Kaiowá plantavam, colhiam e transportavam o mate [para a Companhia]. Foi o mate que chamou o branco para cá”, concluiu Ireno Isnard. 

Ireno Isnard. (Foto: Reprodução, blog Egizele Mariano da Silva)

Marechal Rondon demarcou terras

Também entre 1900 e 1910, a comitiva liderada pelo marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, à época general, desbravou a região para a construção de linhas telegráficas. A comunicação era um enorme desafio daquele período. Por exemplo, a notícia da invasão paraguaia, que iniciou a guerra, demorou cerca de um mês para chegar ao Rio de Janeiro, então capital do Brasil.

Além da instalação de telégrafos, Marechal Rondon desempenhou papel importante com as comunidades indígenas. Do Pantanal à Amazônia, ele registrou a vida deles e demarcou terras. Em Dourados, que ainda era parte de Ponta Porã, não foi diferente. 

“Marca a terra dos índios, porque o governo mandou e isso vai ser bom para vocês”, teria dito o marechal ao indígena Ireno Isnard, segundo relato dele ao livro “Canto de Morte Kaiowá”. Ele diz que, junto de membros da comitiva do marechal Rondon, mediu e demarcou as terras.

No entanto, documentos emitidos pelo SPI (Serviço de Proteção ao Índio) —  antecessor da Funai, que fazia uma espécie de administração das aldeias — nas décadas seguintes apagam o trabalho do indígena, que era o verdadeiro conhecedor da região. Pimentel Barbosa e major engenheiro Nicolau B. Horta Barbosa são registrados como os agrimensores da reserva.

Capitão nomeado por Rondon

Ireno Isnard foi o primeiro capitão da RID, nomeado pelo próprio Rondon. Desde então, os indígenas ainda chamam as suas lideranças pelo título militar. “A patente de capitão não é o normal, o comum mesmo é cacique. Aqui a gente não tem capitão, não existe hierarquia militar”, comenta Ronaldo Arévalo, bisneto de Ireno. 

A família Arévalo segue relevante na política da Aldeia Bororó: Luciano, pai de Ronaldo, foi cacique por 21 anos, e Reinaldo, irmão dele, ocupa o cargo há cinco anos. 

Além do cacique, que é líder político e moral, há os caciques rezadores, que são lideranças religiosas em aldeias Guarani e Kaiowá. “Fazem a reza, medicamentos e ervas medicinais na comunidade”, explica Ronaldo.

Missão Caiuá: hospital e escola

Corpo docente e estudantes de Enfermagem do Hospital da Missão Caiuá em 1965. (Foto: Arquivo, Museu Nacional dos Povos Indígenas)

Outro marco do desenvolvimento da Reserva Indígena é a chegada da Missão Evangélica Caiuá, da Igreja Presbiteriana do Brasil, em 1928. Além da filantropia, com hospital e escola, a ação visava catequizar os povos originários. Inclusive, a Bíblia traduzida era distribuída e cultos eram realizados em língua nativa.

Eles exercem forte influência na Reserva de Dourados até hoje. A escola e o hospital da entidade ainda são muito importantes aos indígenas dali, mas eram as únicas unidades de educação e saúde naquela época. A Missão fica nos limites das aldeias, fora da RID.

“Meu pai, nos discursos dele, falava que o progresso foi muito bom para as comunidades indígenas, mas também trouxe muita coisa ruim”, diz Edna Souza, filha de Marçal de Souza. Ela acredita que a Missão atuou para aculturar a comunidade, ou seja, adaptá-la aos valores e costumes de uma cultura diferente.

Na escola, os professores eram missionários e falantes apenas de português. Mesmo muito dedicada aos estudos, Edna Souza repetiu três vezes as séries iniciais, porque precisou aprender o idioma, já que em casa só falava a língua guarani Nhandeva. Era difícil memorizar os novos sons e símbolos gráficos.

“Nossa cosmovisão de mundo cultural foi silenciada ao longo do tempo por outra maneira que foi imposta, para a gente ver esse outro mundo e absorver essas normas, dessa nova sociedade, adquirir novos comportamentos”, explica a historiadora.

Por outro lado, faltava muito apoio estatal e a entidade religiosa ocupou o espaço vazio. “Na área de saúde e na área da educação, a Funai e o SPI não davam nada. Quem dava era a Missão. Era a Missão que promovia o bem para a comunidade indígena”, completa Edna Souza. 

Migração em massa

O hospital e a escola atraíram indígenas que antes moravam em chamados fundos de fazenda — áreas dentro de propriedades rurais privadas em disputa. A população só aumentou depois da chegada e popularização da Missão Caiuá. “Também naquela época, há registros nos relatórios da Missão de que aqui já tinha muito problema de fome”, cita Edna.

Epidemias, como a de varíola e tuberculose, também intensificaram a migração à Reserva em busca de hospital. Além disso, a partir do fim da década de 1940, com a criação da Cand (Colônia Agrícola Nacional de Dourados), os indígenas passaram a ser expulsos das fazendas. 

Ao mesmo tempo, lideranças como Marçal de Souza atuavam para resgatar quem vivia em condições de escravidão. Inclusive, os próprios irmãos dele moravam em fundos de fazenda nessa situação. “Trabalhavam em troca de comida, era um trabalho escravo”, relata Edna. Eles foram os primeiros resgatados por Marçal. 

‘Boom’ populacional

Recenseamento feito em janeiro de 1933 calculou 494 pessoas vivendo na Reserva Indígena de Dourados, segundo documento disponível no Museu Nacional dos Povos Indígenas. De lá para cá, a população aumentou em 2.268%, ou seja, mais de 27 vezes.

Fotografia enviada junto ao recenseamento, em 1933. (Foto: Museu Nacional dos Povos Indígenas)

No início da Cand, em dezembro de 1947, a população tinha subido para 545 moradores, segundo resumo mensal de atividades enviado ao SPI. Desses, 354 eram Kaiowás, 149 Terenas e 42 Guaranis. A escola contava com 55 alunos.

Dez anos depois, em 1957, o número de habitantes explodiu em mais de 112%. O Posto Indígena Francisco Horta era o mais populoso da região, com 1.157 aldeados. À época, outras duas reservas também tinham área de 3,6 mil hectares, mas a população de ambas não passava de 430 pessoas.

Nos próximos sete anos, o aumento registrado foi de 23,3%, com alta em todas as etnias, principalmente dos Guarani. Segundo documento emitido pelo SPI em 1965, havia 1.463 moradores na reserva, sendo 745 Kaiowás, 375 Terenas e 345 Guaranis.

Muito mais recentemente, segundo dados do Censo de 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a Reserva Indígena de Dourados tem 13.673 moradores, dos quais 98,54% são indígenas. Em 2010, eram 11.138 pessoas. O crescimento foi de 22,7% em 12 anos. 

Marçal: o Deus Pequeno

Anos depois de Ireno Isnard, Marçal de Souza foi cacique na Reserva Indígena de  Dourados, após se mudar de Ponta Porã, atraído pela Missão Caiuá. Internacionalmente reconhecido, ele transformou-se em liderança, lutou pelos direitos dos indígenas e terminou assassinado por conflitos de terra.

Tupã’i, nome recebido por Marçal de Souza ao nascer, significa “Deus Pequeno”. Para a historiadora Edna Souza, filha dele, o batismo não era apenas um nome, mas uma espécie de anúncio.

Marçal nasceu em 1920, em Ponta Porã, no território Guarani Nhandeva, e foi para a Missão Caiuá aos seis anos, depois de ser picado por uma cobra. Mais tarde, voltou para estudar, após perder os pais para epidemias, e foi acolhido no orfanato da Missão.

Ele tornou-se professor, enfermeiro, missionário e intérprete. Falava bem português e espanhol, tinha noções de inglês e francês e se comunicava, principalmente, nas línguas indígenas. A capacidade de traduzir era também política, e Marçal passou a ser visto como alguém capaz de levar para fora da aldeia a dor, as denúncias e as necessidades de seu povo.

Na década de 1950, como missionário, enfermeiro e intérprete, ele visitava famílias, participava de rodas de conversa e ouvia relatos sobre a vida de povos indígenas. “Isso foi criando uma vontade de tentar resolver os problemas [da comunidade] e ele buscava soluções”, diz a filha.

Perseguição na ditadura

Essa presença fez com que Marçal se tornasse uma referência dentro e fora da aldeia. Edna atribui parte disso ao que chama de “dom da palavra alma”. “Ele foi adquirindo confiança e a comunidade da época via nele a esperança de trazer solução para os indígenas”, afirma. No entanto, isso alertou o governo ditatorial da época, que passou a persegui-lo.

Em 1975, por exemplo, relatório produzido pela ditadura militar pedia que Marçal fosse retirado da Reserva de Dourados por “aliciar os índios contra os seus capitães”. Em outro trecho, o documento afirma que Marçal trabalhava “junto a esta comunidade com fins de conscientizá-la de que a Funai teme a imprensa falada ou escrita”. Em 1983, ele foi expulso de lá e se mudou para .

Segundo Edna, Marçal denunciava “os desmandos, os maltratos com o povo indígena de Dourados e do Cone Sul”, além de venda de madeira e violações contra comunidades indígenas. A filha lembra que ele passou a levar essas denúncias para igrejas, universidades e espaços públicos, até se tornar conhecido nacionalmente.

Subversivo por falar ao Papa

Marçal de Souza com o Papa João Paulo II. (Foto: Paulo Suess, Cimi)

Em 1980, Marçal discursou ao lado do Papa João Paulo II em Manaus e denunciou a violência contra lideranças indígenas no Brasil. “Bradamos à Sua Santidade a nossa miséria e nossa tristeza pela morte de nossos líderes, assassinados friamente por aqueles que tomam o nosso chão — aquilo que para nós representa a nossa vida e sobrevivência nesse grande Brasil, um país cristão”, disse ele.

Classificado como confidencial pela ditadura, relatório de informações de julho de 1980 narra que houve tentativa de impedir que Marçal de Souza e outros indígenas de fora de Manaus falassem ao Papa. No entanto, o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) conseguiu garantir a participação. Bispos da Igreja Católica eram perseguidos por defender os indígenas de Dourados neste período e um deles foi expulso da RID.

“Vários documentos contendo denúncias teriam sido entregues ao Papa, inclusive um que teve repercussão nacional, pois acusava várias autoridades (o próprio Ministro do Interior) de inimigas dos índios”, conclui o documento produzido pela ditadura.

Três anos depois, aos 63 anos, Marçal foi assassinado com cinco tiros na porta de sua casa, na Aldeia Campestre, em Antônio João, já no fim da ditadura. Ninguém foi condenado pelo crime. Décadas depois, Marçal foi reconhecido como Herói Nacional do Brasil. Em 2026, também recebeu anistia política, em reconhecimento à perseguição sofrida durante a ditadura militar.

“Meu pai sabia que ia morrer. Ele sempre falava: ‘Eu sou uma pessoa marcada para morrer, mas por uma causa justa a gente morre’”, lembra Edna Souza.

Assista à reportagem:

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(Revisão: Nichole Munaro)

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