Hospital destinado ao atendimento de pessoas com mais de 60 anos pode ser construído no bairro Nova Lima, região norte de Campo Grande. O projeto prevê que a unidade tenha 185 leitos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e receba até mil pessoas por dia, entre pacientes, acompanhantes e funcionários. No entanto, a única via de acesso à unidade de saúde não tem asfalto, drenagem e iluminação, o que pode inviabilizar a construção.
A Prefeitura de Campo Grande publicou as informações do EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança) no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) desta quarta-feira (29). Interessados em discutir a instalação do hospital podem consultar as informações no site da Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano) e comparecer à audiência pública no dia 14 de setembro, às 18h.
A AARH (Associação de Auxílio e Recuperação dos Hansenianos), responsável pelo Hospital São Julião, aparece como proprietária e contratante do empreendimento. O novo hospital será instalado em terreno vizinho ao São Julião, com acesso previsto pela Rua Elias Catan.
Conforme o EIV, o local não possui pavimentação, calçadas, drenagem ou iluminação pública adequada. “Situação física atual (trecho não pavimentado) é incompatível com o padrão mínimo esperado até mesmo para uma via local que sirva de acesso a um estabelecimento de saúde”, afirma o documento. A pavimentação é considerada pré-requisito de segurança e acessibilidade para a construção.

Hospital de grande porte
O projeto prevê 150 leitos de enfermaria e isolamento, 20 de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para adultos e 15 destinados à recuperação após procedimentos com anestesia. Serão, portanto, 170 leitos de internação e 15 de apoio cirúrgico. A estrutura deve contar com centros cirúrgicos, ambulatório de especialidades, centro de diagnóstico, fisioterapia, reabilitação, farmácia, central de esterilização e espaços de apoio.
A área construída será de 13,3 mil m², dividida entre subsolo, térreo e dois pavimentos superiores. A edificação terá entre 12 e 15 metros de altura. O cronograma estima que a construção seja realizada em 24 meses, mas só começa após aprovações necessárias, como o EIV. Não há data para início da obra.
Apesar de funcionar 24 horas nos setores de internação, UTI e centro cirúrgico, o hospital não terá pronto atendimento aberto ao público. Isso significa que os pacientes não poderão procurar diretamente a unidade em casos de urgência.
Consultas e procedimentos ambulatoriais serão agendados. O ambulatório, o centro de diagnóstico e o setor de reabilitação deverão funcionar de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.
Mais 650 empregos
A previsão é de que o Hospital da Pessoa Idosa tenha entre 460 e 650 funcionários, distribuídos em três turnos. Também são esperados empregos temporários durante a construção, além do aumento da demanda sobre fornecedores, serviços terceirizados e estabelecimentos comerciais da região.
Considerando trabalhadores, pacientes, acompanhantes, visitantes e usuários dos ambulatórios, o hospital poderá acrescentar entre 700 e mil pessoas por dia útil à circulação no Nova Lima.
O estudo compara esse movimento ao registrado atualmente pelo Hospital São Julião. Conforme os dados apresentados, a unidade vizinha realizou 393,5 mil atendimentos ambulatoriais e 7,8 mil internações em 2025. Para os responsáveis pela construção, a presença do São Julião mostra que a região já é capaz de absorver o novo fluxo.
Acesso sem asfalto é principal problema
A deficiência mais grave identificada no estudo está no trecho final da Rua Elias Catan, a partir do cruzamento com a Rua Lino Villacha. O local não possui pavimentação, calçadas, drenagem ou iluminação pública adequada.
O EIV classifica a situação como um impacto de magnitude média a alta e considera as condições atuais incompatíveis com o acesso a um hospital de grande porte voltado principalmente a pacientes idosos e com mobilidade reduzida.
A principal medida recomendada é pavimentar o trecho seguindo o padrão da parte urbanizada da rua, com pista de nove metros, mão dupla e revestimento asfáltico. Também deverão ser construídas calçadas acessíveis com piso tátil, além de meio-fio, drenagem e iluminação.
A execução das melhorias dependerá da articulação entre os responsáveis pelo empreendimento e a Prefeitura de Campo Grande. O estudo trata a adequação da Rua Elias Catan como uma medida necessária para viabilizar o funcionamento do hospital.
Outros problemas
Outro problema é o transporte público, já que as linhas 208 e 210 não chegam ao acesso do futuro hospital, e o ponto de ônibus mais próximo fica a aproximadamente 1 km. O estudo recomenda criar uma parada na Rua Elias Catan e adequar o transporte coletivo, além de prever um ponto interno acessível.
O hospital deve elevar o fluxo atual de 63 veículos por hora, mas o estudo não prevê saturação da via. A unidade terá 236 vagas, acessos separados e deverá realizar novas contagens de tráfego aos seis e 12 meses após iniciar a operação.
Localizado na Bacia do Córrego Coqueiro, o terreno fica em região com histórico de alagamentos e possui uma Área de Proteção Permanente, que deverá ser preservada. O projeto prevê reservatórios de detenção, pisos permeáveis, compensação pela retirada de árvores e medidas contra poeira e ruídos.
O EIV projeta valorização gradual dos imóveis do bairro Nova Lima, impulsionada pelas melhorias urbanas e pela geração de empregos. A viabilidade, porém, depende de medidas como pavimentação da Rua Elias Catan, drenagem, iluminação, transporte coletivo e ligação à rede de esgoto.
O Jornal Midiamax perguntou se a Prefeitura de Campo Grande pretende fazer melhorias na Rua Elias Catan e aguarda resposta.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







