Seguindo a carreira do pai e do avô, a soldado recruta Thaysa Gonçalves, de 18 anos, realizou o sonho de se tornar militar e fez o Juramento à Bandeira nesta sexta-feira (21), um dos momentos mais importantes da carreira militar, que ocorreu de forma centralizada no Forte Pantanal, no Comando Militar do Oeste, em Campo Grande.
Thaysa se alistou no ano passado e hoje faz parte da primeira turma do Serviço Militar Feminino do Exército em Campo Grande, que fez o juramento à Bandeira junto a mais de 400 outros soldados da Capital.
“Meu pai e meu avô serviram. A partir do momento em que surgiu a oportunidade, eu falei: quero fazer parte disso. Ingressei na primeira turma de soldados do Serviço Militar Inicial Feminino. Quero crescer aqui dentro, construir meu futuro aqui dentro”, conta Thaysa.

Para ela, o compromisso com o país é um dos principais motivos que a fizeram sonhar com a vida e a carreira militar. “É um compromisso que estou fazendo com meu país, pela pátria e, se preciso, até minha própria vida. É pra isso que estamos aqui, para servir nosso país. Esse momento aqui é o fechamento, com formatura, solenidades”, relata a soldado.
A soldado se emociona ao lembrar do avô — que foi militar e faleceu antes de ver a neta ingressar no Exército Brasileiro —, mas também fica feliz ao lembrar que o pai está presente e pode honrar a profissão dele.
“Eu fico um pouco emocionada. Meu avô não se encontra mais aqui hoje. Mas minha avó falou pra mim: ‘O sonho do seu avô é te ver de farda’. Parece que o senhor que eu tinha dentro de mim se multiplicou. Então, cada momento que passo aqui é por ele, é pelo meu pai, é por mim. Tudo o que vivi, eu pensava neles; tudo o que eu vivia, eu pensava: meu pai vai se orgulhar, meu avô vai se orgulhar. Além de ser o meu sonho, também é o sonho deles”, conta a recruta, emocionada.

Acompanhando a filha, os pais de Thaysa, Edenilson Vieira de Arruda e Gabriela Gonçalves Vieira, orgulham-se de ver a mais nova militar da família nesse momento tão importante para a carreira. O pai, que já se aposentou do serviço militar, relembra o avô da jovem, que sonhava em ver a neta dando continuidade ao trabalho exercido por eles.
“É gratificante para um pai, ainda mais de três filhas. Você não imagina que uma delas vai ser militar. A gente fica muito feliz. Desde a escola, ela já tinha o sonho de ser militar. Meu avô foi militar, meu pai foi militar, eu fui militar. É gratificante pra gente,” conta.

Já a mãe, Gabriela Gonçalves Vieira, emocionada, conta que participou de todas as formaturas da filha desde o ingresso de Thaysa no serviço militar.
“Eu me emociono. Participei de todas as formaturas que já tiveram. Eu fico feliz por ela estar realizando essa vontade dela. Ainda bem que abriram as portas para as mulheres ingressarem como recrutas do exército e ela conseguiu estar nessa primeira turma. Ela está seguindo os passos do pai e dos avôs”, conta a mãe.

Juramento Centralizado
Além da formatura da primeira turma feminina, desta vez, a solenidade reuniu todos os quartéis de Campo Grande no Forte Pantanal, representando a união do serviço militar, por parte do Exército Brasileiro, em apenas um comando para o juramento à Bandeira.
“Esse momento é marcante para qualquer profissional das armas; é um momento que a gente nunca esquece. Ingressaram no início de março, passaram por diversas provações, serviços, acampamentos onde eles foram exigidos. Jurar à Bandeira é se comprometer com os serviços da pátria, é se comprometer a dedicar inteiramente a esse serviço, em que, em alguns momentos, eventualmente, a gente vai ter que colocar a nossa vida em risco”, explica o comandante militar do Oeste, general Alcides Valeriano.

Além disso, o general ressalta a importância da inclusão feminina no serviço militar com a abertura do ingresso a mulheres desde o ano passado. Segundo ele, a incorporação de mulheres às equipes militares deve ocorrer em todos os próximos anos, conforme ordem do Exército Brasileiro.
“É superimportante você ter mulheres no serviço militar. Nós somos diversos; o Brasil é diverso. Elas ajudaram muito a mostrar que são capazes. Não existe diferença entre ser um soldado do gênero masculino ou uma soldado do sexo feminino. Ganhamos em diversidade, em desempenho; as meninas se mostraram dedicadas e algumas, inclusive, com desempenho superior ao dos meninos. Todos os anos iremos incorporar mulheres, meninas, como soldados”, finaliza o general.
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(Revisão: Nichole Munaro)















