Há mais de 48 horas sem energia elétrica, Michelli da Silva, 48 anos, precisou recorrer à água da chuva para tentar abastecer os animais que cria em sua chácara no bairro Jardim Veraneio, em Campo Grande. Como a região não possui rede de abastecimento, o fornecimento de água depende de bombas elétricas, que estão sem funcionar desde o temporal da última quinta-feira (10).
Michelli mantém um criatório de cavalos na propriedade e conta que a falta de energia tem dificultado até mesmo o abastecimento dos animais, que precisam de grande quantidade de água diariamente.
“No meu caso, é criatório de animais e deveria ser prioridade o reabastecimento da energia. Para nós que temos animais, é muito difícil, ainda mais os de grande porte, que consomem muita água. O local também precisa ser limpo. Captei água da chuva para fornecer, o que não é ideal”, relata.
Sem energia, a moradora também perdeu os alimentos que estavam armazenados na geladeira. A situação, segundo ela, preocupa ainda mais por causa dos vizinhos idosos que dependem de medicamentos de uso contínuo que precisam ser mantidos refrigerados.
“Alguns vizinhos dependem de medicação de uso contínuo que precisa ser refrigerada e estão perdendo tudo. Inclusive, são idosos. Eles estão desesperados com a situação”, conta.
A falta de energia também deixou a região sem iluminação durante a noite. Michelli afirma que, por ser uma área mais afastada, os moradores já convivem com preocupações relacionadas à segurança.
“Aqui é mais afastado e já temos insegurança por conta dos andarilhos. Imagina no escuro!”, afirma.
Em nota, a Energisa informou que uma equipe já foi encaminhada ao local para reabastecer a energia elétrica.
Temporal afetou milhares de moradores
O temporal provocou ocorrências em diferentes regiões de Campo Grande. Segundo a Energisa, a chuva das últimas horas agravou a situação, dificultando os trabalhos. Ao todo, 160 árvores já foram retiradas da rede elétrica e 97,4% dos clientes afetados tiveram o fornecimento de energia normalizado.
A empresa também informou que mantém contato com os órgãos públicos envolvidos na resposta ao temporal e atua especialmente nas ocorrências que envolvem risco elétrico e serviços essenciais.
Entre os bairros mais afetados, estão Jardim Noroeste, Centro, Vila Margarida, Jardim Itamaracá, Monte Castelo, Tiradentes, Vila Marli, Vila Planalto, Jardim São Conrado, Jardim Nhanhá e Novos Estados.
Ainda conforme a Energisa, cerca de 800 profissionais estão nas ruas, incluindo equipes técnicas de outras cidades de Mato Grosso do Sul. “As equipes estão mobilizadas para atender às ocorrências e normalizar o fornecimento de energia aos clientes afetados.”
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(Revisão: Nichole Munaro)







