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Cotidiano

Setembro Vermelho: Miguel infartou durante exames e meses antes perdeu o pai pela doença

Atendimento correto e imediato foi o que salvou a vida de Miguel durante ataque
Claudemir Candido -
Setembro Vermelho: Miguel infartou durante exames e meses antes perdeu o pai pela doença
(Foto: Mateus Andrade/Jornal Midiamax)

Em setembro de 2019, o empresário Miguel Pimentel precisou lidar com uma daquelas perdas que mudam a vida. O pai morreu vítima de um infarto. Cinco meses depois, em fevereiro de 2020, Miguel estava em uma clínica médica para fazer exames de rotina quando percebeu que alguma coisa não estava certa. Começou a suar frio, sentiu o corpo dar sinais de alerta e pediu ajuda.

O que deveria ser apenas uma consulta acabou se transformando em um dos momentos mais marcantes da vida dele. Miguel estava tendo um infarto dentro de uma clínica de atendimento cardiológico.

“Foi minha sorte, proteção de Deus. Eu tive os primeiros socorros muito rápido. Há um tempo, isso me gerou um desequilíbrio completo na minha vida pessoal; a única coisa que eu fazia para me cuidar era ir uma vez por ano ao cardiologista. Em 24 de fevereiro de 2020, eu tirei o dia para fazer esses exames, uma bateria: exame de sangue, exames de imagem, a esteira. Logo após a esteira, eu voltei para a recepção da clínica para um último exame, onde eu comecei a passar muito mal, a suar frio. A minha grande sorte, o grande motivo de eu estar vivo hoje, apesar de não ser um hospital, era uma clínica médica que me deu os primeiros socorros corretos antes de me encaminharem ao hospital”, conta o empresário.

Miguel Pimentel, empresário. (Foto: Mateus Andrade/Jornal Midiamax)

A cena poderia ter sido ainda mais assustadora pelo que havia acontecido meses antes. A lembrança da morte do pai ainda estava muito presente quando Miguel se viu diante do mesmo problema. Só que, desta vez, a história teve outro desfecho.

“2019 foi um ano extremamente desgastante, vivendo essa doença do meu pai no coração, que terminou com a morte dele. Não tem como não associar a morte dele ao que aconteceu comigo. Apesar de eu ter vivido todo o processo dele, o que me deu forças, a sequência de emoções muito fortes na minha vida me deu muito medo. Meu pai já tinha ido, mas principalmente o medo de eu não me recuperar o suficiente para ter uma vida com o meu filho; isso mexia muito comigo e com minha cabeça durante os dias no hospital”, lembra Miguel.

O fato de estar em um ambiente médico no momento do infarto fez diferença. Miguel recebeu atendimento rapidamente e conseguiu superar o episódio. Mas sobreviver foi apenas o primeiro passo. Depois do susto, veio uma outra batalha: aprender a conviver novamente com o próprio corpo e recuperar a segurança de fazer aquilo que sempre fez, principalmente depois do nascimento do primeiro filho.

“Mudou tudo! Quando você pega um filho no colo, você olha e fala: ‘Cara, não sou só mais eu; essa pessoinha depende de mim’. Eu saí muito fragilizado do hospital, mas com um objetivo muito forte. Eu coloquei na minha cabeça isso: eu vou me cuidar para que eu possa ter saúde para assistir à conquista dos meus filhos. Eu saí com medo, mas, depois de um tempo, eu superei esse medo, com exercícios, caminhada, corrida, emagreci, comecei a me alimentar melhor, o almoço agora é sempre na mesa da minha casa”, conta o empresário.

Miguel Pimentel, empresário. (Foto: Mateus Andrade/Jornal Midiamax)

O coração, que antes era quase esquecido na rotina, passou a ocupar outro espaço na vida de Miguel. Vieram mudanças na alimentação, mais atenção aos cuidados com a saúde e a inclusão da atividade física no dia a dia.

Foi na corrida que ele encontrou uma das principais formas de reconstruir essa relação com o próprio corpo. Aos poucos, aquilo que poderia ser visto apenas como exercício se transformou também em uma maneira de recuperar a confiança. Cada treino representava um pouco da retomada de uma vida que, depois do infarto, passou a ser enxergada de outra forma.

“Quando eu saí do hospital, eu achava que ia dormir e não ia acordar. Depois, quando o médico falou que eu poderia me exercitar, eu comecei a caminhar. Eu caminhava 500 metros, voltava pra casa e ficava esperando um ataque. E acabou que o meu escape para a recuperação e confiança foi a corrida. Então, eu emagreci absurdamente; eu emagreci 30 kg. Corria 10 km muito rápido, ou seja, tudo aquilo como prova de que: ‘Olha, eu tô bem, eu posso, né?’ Hoje eu pego mais leve. Já passou mais tempo. Eu tinha 38 anos; agora, já tô com 45. Tem que cuidar, tem que cuidar do joelho, tem que cuidar da coluna, mas eu não tiro o olho disso, sabe?”, explica Miguel.

Porque sobreviver a um infarto não significa simplesmente deixar o hospital e voltar para casa. Para quem passa pela experiência, o medo pode continuar mesmo quando o coração já está sendo tratado. Um esforço, uma falta de ar ou uma sensação diferente pode despertar a lembrança daquele dia.

É justamente por isso que a recuperação também passa pela cabeça. O paciente precisa entender os próprios limites, seguir o tratamento e, com orientação médica, voltar gradualmente às atividades que faziam parte da rotina.

Para o cardiologista Delcio Gonçalves, atividade física acompanhada por profissionais, alimentação equilibrada e controle dos fatores de risco são importantes nessa reconstrução e ajudam a diminuir as chances de novos episódios. O médico também chama atenção para os cuidados emocionais e para a espiritualidade como parte do processo de alguns pacientes.

“São várias fases de tratamento. A atividade física começa ainda no leito, depois sentado, depois caminhando na unidade, no hospital. Além da recuperação, diversas mudanças na rotina são fundamentais para reduzir o risco de novos episódios de doenças cardiovasculares, como a alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos orientada, controle de doenças como a hipertensão e o diabetes, além do acompanhamento médico e do uso de medicamentos”, explica o cardiologista.

Delcio Gonçalves, cardiologista. (Foto: Mateus Andrade/Jornal Midiamax)

No caso de Miguel, a história começou com uma perda e, poucos meses depois, ganhou um novo capítulo dentro de um consultório. O pai morreu em setembro. Em fevereiro, foi Miguel quem precisou enfrentar o próprio coração.

Hoje, ele olha para o que aconteceu não apenas como o dia em que sofreu um infarto, mas como um ponto de mudança. A lembrança continua ali, mas deixou de representar apenas medo. Tornou-se também um lembrete diário de que cuidar da saúde precisa fazer parte da vida.

“Ninguém é mais hábil e responsável por cuidar de mim do que eu mesmo. Não é meu médico, não é a minha família, sou eu. O que eu coloco para dentro e não tô falando de alimentação, sabe? O que eu carrego, entendeu? O que eu busco, o que eu retenho comigo e o que eu deixo passar”, explica Miguel.

E talvez seja justamente essa a mensagem que fica no Setembro Vermelho: o coração pode mudar uma história em questão de minutos, mas os cuidados depois de um susto também podem ajudar a escrever uma nova rotina. Para Miguel, essa nova rotina veio com mudanças, corrida, acompanhamento e uma vontade ainda maior de continuar vivendo.

“Sem romantizar, o meu grande aprendizado foi que eu vacilei. E esse vacilo quase custou minha vida. Essa é a minha grande luta. Porque não é fácil, não tô falando que ‘Ah, eu estou imune’, né? Muito pelo contrário. Então, essa é a grande mensagem: eu já errei uma vez, e isso quase custou a minha vida. E, se hoje tá tempestade, amanhã o sol vai abrir. Você pode estar na tempestade que for hoje; amanhã o sol abre. Entendeu? São essas duas grandes mensagens que eu tinha tirado desse acontecimento quase que trágico da minha vida”, finaliza Miguel.

Setembro Vermelho

O Setembro Vermelho é uma campanha de conscientização sobre a saúde do coração e os cuidados para prevenir as doenças cardiovasculares, que estão entre as principais causas de morte no mundo. A iniciativa reforça a importância de manter hábitos saudáveis e de fazer acompanhamento médico regularmente.

Além da prevenção, o período também chama atenção para os sinais de alerta de problemas cardíacos, como dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, náusea e mal-estar. Identificar os sintomas e buscar atendimento rapidamente pode fazer diferença em situações como o infarto.

A campanha também lembra que receber um diagnóstico de doença cardiovascular não significa abrir mão de uma vida ativa. Com tratamento adequado e acompanhamento profissional, muitos pacientes conseguem retomar atividades físicas, trabalho, lazer e manter uma boa qualidade de vida.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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