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Sindicato Rural emite nota de repúdio sobre condução em criação do Refúgio de Vida Silvestre em MS

Audiência pública que discutiria a criação do Revis foi cancelada
Diego Alves -
Delta do Salobra. (Foto: Reprodução/IDS)

O Sindicato Rural de e emitiu nota de repúdio contra a forma como está sendo conduzido o processo de criação do Refúgio de Vida Silvestre promovido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

Nesta quarta-feira (17), audiência pública que discutiria a criação do Revis foi cancelada, em Bodoquena, após os ânimos ficarem exaltados com manifestantes impedindo a reunião . O Sindicato Rural informa que não organizou, coordenou ou convocou a mobilização de produtores rurais ocorrida durante a audiência pública. Já o Instituto emitiu nota dizendo que a audiência foi adiada por falta de segurança.

A proposta do ICMBio pretende abranger mais de 60 mil hectares nos municípios de Miranda, Bodoquena e para a crianção do Refúgio. A região foi reconhecida como altamente prioritária para conservação, com indicação pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade para a possível criação da Unidade de Conservação.

Conforme o ICMBio, foi realizado estudos ambientais, sociais e econômicos, que orientaram a definição de um polígono que prioriza Reservas Legais, APPs (Áreas de Preservação Permanente), áreas inundáveis e regiões de baixíssima aptidão agropecuária. Trata-se, ainda segundo o Instituto, de uma proposta destinada à valorização de áreas que já possuem restrições de uso, transformando-as em ativos ambientais com alto potencial de geração de renda.

Leia nota de repúdio do Sindicato Rural de Miranda e Bodoquena:

O Sindicato Rural de Miranda e Bodoquena vem a público manifestar seu repúdio à forma como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) tem conduzido o processo de criação do Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) Delta do Salobra, proposta que pretende abranger mais de 60 mil hectares nos municípios de Miranda, Bodoquena e Corumbá. Inicialmente, é importante esclarecer que o Sindicato Rural não organizou, coordenou ou convocou a mobilização de produtores rurais ocorrida durante a audiência pública realizada no dia 17 de junho no auditório da Prefeitura Municipal de Bodoquena. A participação expressiva da população foi uma manifestação espontânea de proprietários rurais, trabalhadores, moradores e famílias diretamente impactadas pela proposta, que compareceram para expressar suas preocupações e sua insatisfação diante da falta de diálogo efetivo sobre um projeto que pode alterar profundamente a dinâmica econômica, social e produtiva da região. Não se deve atribuir aos produtores rurais a responsabilidade pelo cancelamento da consulta pública. No ofício assinado pela prefeitura do município, a administração afirmou que a suspensão ocorreu por questões de segurança diante da superlotação do espaço destinado ao evento. O fato é que o verdadeiro debate deveria estar centrado na ausência de respostas concretas sobre os impactos que a criação da unidade de conservação poderá provocar sobre propriedades privadas, atividades produtivas e o futuro das famílias que vivem e trabalham há gerações nessa área. Embora o ICMBio afirme que o modelo de Refúgio de Vida Silvestre permite a permanência de propriedades privadas e a continuidade de atividades consideradas compatíveis com os objetivos de conservação, os produtores têm razões legítimas para questionar quais serão, na prática, as restrições futuras impostas ao uso da terra, à ampliação de atividades produtivas, à realização de investimentos, ao acesso ao crédito rural, ao licenciamento ambiental e ao próprio direito de propriedade. Os produtores rurais da região não são contra à conservação ambiental. Ao contrário. São eles que, há décadas, preservam nascentes, matas ciliares, reservas legais e áreas de preservação permanente, cumprindo rigorosamente a legislação ambiental brasileira, considerada uma das mais exigentes do mundo. A preservação dos recursos naturais e a produção agropecuária convivem diariamente nas propriedades rurais da região. O que se questiona é a tentativa de avançar com uma proposta dessa magnitude sem que haja amplo debate, transparência e garantias claras aos proprietários diretamente atingidos. Não é razoável que milhares de hectares produtivos sejam submetidos a um novo regime de restrições sem que as famílias tenham plena compreensão das consequências econômicas, sociais e patrimoniais que poderão enfrentar nos próximos anos. A criação de uma unidade de conservação sobre uma área superior a 60 mil hectares impacta diretamente produtores rurais, trabalhadores, empresas, fornecedores, transportadores, prestadores de serviços e toda a economia regional. Trata-se de uma discussão que exige responsabilidade, diálogo verdadeiro e respeito às comunidades locais, e não a simples imposição de decisões tomadas sem a devida construção conjunta com aqueles que vivem na região. O Sindicato Rural de Miranda e Bodoquena reafirma seu compromisso com a defesa do direito de propriedade, da segurança jurídica, da produção sustentável e da preservação ambiental construída com a participação das pessoas que habitam e produzem no território. Defendemos que qualquer iniciativa de conservação seja debatida de forma transparente e democrática com o respeito aos direitos dos produtores rurais, das famílias e das comunidades que ajudam a construir a história e o desenvolvimento da região.

Miranda – MS, 18 de junho de 2026.

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