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Cotidiano

Temporais levam 7,3 mil trabalhadores de MS a sacar R$ 22,4 milhões do FGTS

Saque-calamidade foi liberado em Corguinho, Rio Negro, Deodápolis e Ivinhema
Lethycia Anjos -
Quedas de árvores e galhos lideram chamados após temporal em Campo Grande 
Galhos são removidos após temporal. (Reprodução, PMCG)

Quatro municípios de Mato Grosso do Sul tiveram o saque-calamidade do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) liberado em 2026. Ao todo, 7.305 trabalhadores retiraram R$ 22,47 milhões, conforme dados da Caixa Econômica Federal.

O saque-calamidade foi liberado em quatro municípios de Mato Grosso do Sul ao longo de 2026. Corguinho e Rio Negro foram contemplados em março, nos dias 10 e 13, respectivamente. Em seguida, a liberação ocorreu em Deodápolis, em 11 de junho, e em Ivinhema, em 2 de julho.

Ivinhema lidera o levantamento, com 5.222 trabalhadores beneficiados e R$ 16,1 milhões sacados, o equivalente a cerca de 72% do total retirado nos quatro municípios. Em maio, uma tempestade de granizo atingiu a cidade e levou ao reconhecimento estadual da situação de emergência, publicado em junho.

Deodápolis aparece em segundo lugar, com 1.807 trabalhadores beneficiados e R$ 5,7 milhões retirados. O município também foi atingido por uma tempestade de granizo no mês de maio.

Já em Rio Negro, 198 trabalhadores sacaram R$ 406,6 mil, enquanto em Corguinho, 78 beneficiados retiraram R$ 94,5 mil. Os dois municípios tiveram a situação de emergência reconhecida pelo Governo Federal em março, após eventos climáticos extremos.

Apesar dos saques registrados, as cidades de MS não aparecem na lista de municípios habilitados para o saque-calamidade no site oficial do FGTS nem na consulta pelo aplicativo.

Campo Grande ainda aguarda liberação

Em Campo Grande, moradores atingidos pelo temporal de 10 de setembro ainda aguardavam a liberação do saque-calamidade na última atualização, publicada em 10 de outubro. A tempestade provocou mais de 450 ocorrências, entre quedas de árvores e postes, danos em imóveis e interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Na ocasião, a Prefeitura já havia informado o envio da documentação necessária à Caixa, mas o benefício continuava indisponível. A liberação dependia da análise dos documentos e da conclusão da habilitação do município.

Questionada sobre a situação da Capital, a Caixa informou que, até o momento, não havia localizado portaria ministerial que reconhecesse situação de emergência ou estado de calamidade pública aplicável a Campo Grande.

Para ter acesso ao benefício, o município precisa cumprir as etapas de reconhecimento e habilitação. Somente depois da conclusão do procedimento, os trabalhadores que atenderem aos critérios poderão solicitar o saque pelo aplicativo FGTS.

Como funciona o saque-calamidade?

O saque-calamidade permite que trabalhadores retirem parte do saldo disponível no FGTS quando suas residências são atingidas por desastres naturais reconhecidos oficialmente. Entre as ocorrências que podem dar direito ao benefício, estão enchentes, alagamentos, enxurradas, vendavais, tempestades de granizo e tornados.

O limite de retirada é de até R$ 6.220 por conta vinculada, condicionado ao saldo disponível. Para solicitar o benefício, o trabalhador precisa atender aos critérios estabelecidos pela Caixa, incluindo não ter realizado outro saque pelo mesmo motivo nos últimos 12 meses.

A liberação depende do reconhecimento oficial da situação de emergência ou calamidade pública e da habilitação do município junto à Caixa. Nesse processo, a Prefeitura deve informar as áreas atingidas e os endereços das residências afetadas.

Como solicitar o saque?

Se o município estiver habilitado, o trabalhador poderá fazer o pedido pelo aplicativo FGTS, na opção de saque por calamidade. É necessário apresentar a documentação exigida e indicar uma conta bancária para receber o dinheiro.

A solicitação pode ser feita digitalmente, sem necessidade de comparecer a uma agência da Caixa. O benefício, porém, não é concedido apenas por morar no município atingido: o endereço residencial precisa estar incluído na relação de áreas afetadas apresentada no processo de habilitação.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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