Com apenas 23 anos, o campo-grandense Rafael Araújo Diniz relata momentos marcantes e de pura angústia durante os 11 meses em que esteve em guerra pelo exército da Ucrânia.
Em entrevista ao Jornal Midiamax, Rafael relembra os momentos mais marcantes da guerra. “Um dia eu estava conversando com um amigo, tranquilo, e no outro eu estava buscando o cadáver dele. Vi meu próprio amigo pisar em mina e perder metade da perna”, relembrou o jovem.
Rafael retornou nesta sexta-feira (18) para Campo Grande. Após dois anos longe da família por estar em viagem na Europa e 11 meses na Ucrânia, o jovem afirma que sempre quis servir ao Exército, mas nunca se imaginou em uma guerra.
Em conversa com a equipe de reportagem, ele conta que morava em Florianópolis, Santa Catarina, quando decidiu embarcar para a Ucrânia. A viagem foi custeada por Rafael com a ajuda de amigos que já estavam em combate e serviam em uma brigada no país. Antes de entrar em confronto, o campo-grandense precisou passar por 15 dias de treinamento.
“Eu não fui por inspiração ou sonho, nem pelo dinheiro também, mas é difícil explicar isso para as pessoas”, contou o ex-combatente, que serviu ao exército da Ucrânia com o intuito de adquirir experiência militar “um pouco mais avançada”.
Em guerra, Rafael ressalta que só conseguiu extrair força para lidar com o período ao ver o sofrimento da população ucraniana e presenciar a garra dos amigos em combate. “As pessoas que conheci lá… Só nós sabemos a luta que nós passamos. Uns 30% da população ucraniana são muito gratos a nós por sairmos de nosso país e irmos para o país deles, sem obrigação nenhuma de ajudar eles”, afirmou.
Sobre a experiência e a vontade de seguir a carreira militar, Rafael afirma que não pensa mais em voltar para a guerra. O jovem ainda lamenta que o confronto não esteja próximo do fim.
“Essa guerra não vai acabar cedo. Ela está ficando cada vez mais perigosa. A tecnologia está tomando conta da guerra. Só de estar lá, o risco é grande, mas não podemos ficar desafiando o perigo cada vez mais. Eu cumpri minha parte. Fiz meu serviço e ajudei a quem tinha que ajudar. Não pretendo voltar. Como eu disse, essa guerra não é de nenhum brasileiro, de nenhum estrangeiro. A guerra é deles”, destacou.
Reencontro com a família
Ao chegar a Campo Grande, a primeira pessoa que o campo-grandense encontrou foi a mãe, a técnica de enfermagem Elidiane Chaves de Araújo. Para ela, o período longe do filho foi um dos mais angustiantes e difíceis de sua vida.
“Foram dias de muita preocupação, oração e esperança. Como mãe, a gente pensa em tudo e imagina os piores cenários. Eu só pedia a Deus que protegesse meu filho e permitisse que ele voltasse para casa em segurança”, relembrou.
Ainda, a matriarca relembra o momento em que soube da decisão do filho de ir para o confronto. Segundo a mãe do jovem, esse foi um segredo que Rafael escondeu dela durante anos. “Foi só depois que meu filho decidiu ir para a Ucrânia que eu percebi que ele tinha escolhido um caminho muito difícil e perigoso. Como mãe, eu não conseguia imaginar o que ele poderia enfrentar longe de casa, em um lugar marcado pela guerra. Foi um período de muita angústia, medo”, relembrou.
Sobre o reencontro, Elidiane chora de alívio e agradece o fim da espera e da separação. “Hoje, poder vê-lo novamente aqui, salvo, é uma sensação que não consigo explicar em palavras. Depois de todo o medo que senti, o maior sentimento é de gratidão.”
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(Revisão: Nichole Munaro)










