A Caixa Econômica Federal apresentou, na madrugada desta quinta-feira (17), uma nova proposta que pode encerrar a greve dos empregados, que chega ao 8º dia em todo o país. Entre os principais pontos estão o aumento da participação do banco no custeio do Saúde Caixa, de 6,5% para 9% da folha de pagamento, a partir de 2027, e a manutenção do pacto intergeracional e do Saúde Caixa no ACT (Acordo Coletivo de Trabalho).
Saúde Caixa
A nova proposta mantém o modelo solidário do plano, sem cobrança diferenciada por faixa etária. Em 2026, não haverá reajuste nas mensalidades e a Caixa assumirá o déficit do Saúde Caixa.
A partir de 2027, a contribuição do titular será de 3,7% da remuneração-base, enquanto a mensalidade para dependentes diretos será de R$ 560.
Para dependentes indiretos, os valores propostos são:
- filhos de 21 a 24 anos: R$ 660;
- filhos de 24 a 27 anos e pais ou mães remanescentes: R$ 900.
O limite de participação do grupo familiar, formado pelo titular e dependentes diretos, será de 9%. Em relação à proposta anterior, a nova versão reduz de R$ 150 para R$ 120 a cobrança por consulta em pronto atendimento e mantém a isenção de coparticipação na telemedicina.
A Caixa também se comprometeu a manter pelo menos um empregado por Gipes (Gerência de Pessoas) e Repes (Representações Regionais de Pessoas) trabalhando exclusivamente com a Saúde Caixa.
Super Caixa
A proposta para o Super Caixa foi dividida entre medidas que já terão aplicação no segundo semestre de 2026 e compromissos estruturais previstos para 2027. Mudanças para o segundo semestre de 2026
NS, CSAT e habilitação
A Caixa propõe a individualização do NS e do CSAT. Para os empregados, a habilitação passará a considerar o NS individual, e não mais a nota da unidade. A mudança busca evitar que toda a agência seja penalizada por ocorrências atribuídas a um único empregado.
O gestor-chefe da unidade continuará relacionado aos indicadores da agência. Já o CSAT deixará de ser aplicado individualmente aos demais empregados e será considerado apenas para o gestor-chefe.
Nos casos em que não houver NS individual calculado, continuará sendo utilizado o resultado da unidade.
Dobro da premiação pela habilitação
A habilitação inicial no Super Caixa passará a garantir 50% da premiação, em vez dos atuais 25%, já no segundo semestre de 2026. A medida busca facilitar o alcance de 100% do valor da remuneração conforme a evolução nos marcos de desempenho de cada dimensão do Alcance.Caixa.
Informações no painel
A Caixa se comprometeu a acelerar a atualização das vendas e dos resultados no painel do programa. Quando não for possível registrar a informação imediatamente, o dado deverá aparecer em até D+5, prazo contado, conforme esclarecido na reunião, a partir do pagamento realizado pelo cliente.
Recursos e casos individuais
Uma comissão será criada para avaliar casos individuais e recursos. A Caixa afirmou que todos os pedidos são analisados, mas reconheceu que o volume de solicitações pode provocar demora nas respostas.
Compromissos para 2027
Para o próximo ano, a Caixa assumiu quatro compromissos principais:
- divulgar o regulamento do Super Caixa já no início de janeiro, para que os empregados conheçam as regras antes do início do ano;
- estudar a inclusão de novos produtos, ampliando as possibilidades de premiação;
- revisar a metodologia de mensuração da satisfação do cliente e de negócios sustentáveis, abrangendo varejo e atacado;
- revisar as regras de gatilho, com escalonamento na faixa de premiação.
Figital, Genesys e atendimento híbrido
O atendimento híbrido permaneceu entre as principais preocupações apresentadas pela representação dos empregados.
Sobre os projetos Figital e Genesys, a Caixa afirmou que:
- não haverá penalização em 2026;
- intervalo atualmente considerado de cinco minutos deverá passar para dez minutos em 2027;
- indicador não será utilizado no Alcance.Caixa;
- projeto continuará como piloto e seguirá em avaliação;
- modelo será discutido com as representações dos empregados antes da definição das regras para 2027.
PFG, carreira e piso da TI
Em relação ao Plano de Funções Gratificadas (PFG) e à carreira, a Caixa assumiu o compromisso de criar espaços de escuta e discussão com a representação dos empregados, incluindo um debate em grupo paritário sobre o plano.
Para os empregados da área de Tecnologia da Informação (TI), a Caixa informou que o estudo de um novo piso salarial específico foi incorporado ao trabalho realizado pela Deloitte.
Trabalho remoto
O trabalho remoto será incluído nas discussões do GT Trajetória. Segundo a Caixa, o objetivo será avaliar mudanças e melhorias no modelo atual. A empresa afirmou que pretende estabelecer reuniões específicas, um cronograma e prazo para a conclusão dos debates.
Prêmio extraordinário de R$ 3 mil
A Caixa manteve a proposta de pagamento de um prêmio extraordinário de R$ 3 mil por empregado, em reconhecimento à superação do IEO (Índice de Eficiência Operacional) de 2026, atingido em junho. Com isso, o pagamento do benefício está garantido.
Manutenção dos direitos
A nova proposta mantém todos os direitos já previstos nos ACTs específicos e na CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) da categoria, além dos demais itens negociados durante a Campanha Nacional dos Bancários deste ano.
Se a proposta for aprovada, o dia de paralisação em 20 de agosto será abonado. Já os dias úteis de greve deverão ser compensados em até 180 dias.
A proposta será submetida à votação dos empregados em assembleias realizadas na próxima segunda-feira (21), das 11h às 18h, por meio de plataforma de votação eletrônica. Se houver aprovação até 21 de setembro, a PLR, o Super Caixa, o bônus e o abono de R$ 3 mil serão pagos já no dia 30.
Sindicatos celebram nova proposta
Para a presidenta da Contraf-CUT e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, o aumento da participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa, de 6,5% para 9%, representa um avanço e deverá ampliar em cerca de R$ 900 milhões a participação recorrente do banco.
“A mobilização mostrou que era necessário colocar mais recursos da empresa no Saúde Caixa e preservar um princípio fundamental do nosso plano, que é o pacto intergeracional. E só conquistamos isso em mesa de negociações graças à mobilização dos trabalhadores”, afirmou.
Presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, também relacionou o resultado à mobilização dos empregados.
“A categoria mostrou que não aceitaria uma proposta que descaracterizasse o Saúde Caixa. A negociação avançou porque houve unidade e pressão dos trabalhadores. Agora temos uma participação maior da Caixa e a preservação do caráter solidário do plano”, declarou.
Já a coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen, destacou as mudanças em relação às propostas anteriores. “Conseguimos retirar a cobrança por faixa etária, preservar o pacto intergeracional e elevar significativamente a participação da Caixa no custeio. São mudanças importantes para a sustentabilidade do Saúde Caixa e para proteger empregados da ativa, aposentados e pensionistas”, afirmou.
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