O dólar operava em alta nesta terça-feira (3), primeiro pregão de novembro, enquanto o Ibovespa caminhava para a sexta queda consecutiva. Os investidores repercutiam a piora das projeções de inflação e juros e aguardavam a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), marcada para quarta-feira (4). Às 15h14, a moeda norte-americana subia 0,82%, a R$ 5,4895. Às 15h16, o principal índice da Bolsa brasileira recuava 1,50%, aos 165.410,23 pontos.
O que está acontecendo
Dólar mantém a pressão após a forte valorização de outubro. A moeda norte-americana seguia próxima de R$ 5,50 na volta do feriado de Finados. A cautela com as contas públicas e a indefinição sobre a equipe econômica do próximo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantinham a procura por proteção.
A moeda norte-americana teve a maior alta semanal desde 2008. O dólar saltou 9,04% na semana passada, na maior valorização ante o real desde outubro de 2008. No acumulado de outubro, avançou aproximadamente 5,22% e encerrou o mês a R$ 5,444.
Mercado passou a projetar dólar mais alto nos próximos anos. O Relatório Focus, divulgado nesta terça-feira, elevou a estimativa para o fechamento de 2026 de R$ 5,05 para R$ 5,34. As previsões também aumentaram para 2027, de R$ 5,15 para R$ 5,40; para 2028, de R$ 5,20 para R$ 5,40; e para 2029, de R$ 5,28 para R$ 5,45.
Ibovespa amplia sequência de perdas após o pior mês desde junho de 2022. O índice encerrou outubro com queda de 9,88%, pressionado principalmente pela reversão das apostas eleitorais na última semana do mês. Nesta terça-feira, chegou a recuar 2,07%, à mínima de 164.446,53 pontos, antes de reduzir parte das perdas.
Propostas de André Lara Resende também entraram no radar dos investidores. O economista defende reduzir a Selic para perto de 7,5% em aproximadamente 12 meses, criar um conselho para coordenar as políticas fiscal e monetária e usar reservas internacionais para suavizar uma eventual desvalorização do real. Críticos apontam riscos para o câmbio e a autonomia do Banco Central, especialmente diante da alta das expectativas de inflação.
O ministro da Fazenda afirmou que o plano não está em discussão. Dario Durigan disse nesta terça-feira (3) que as propostas de Lara Resende têm “várias deficiências” e não estão sendo discutidas com Lula.
Copom divide expectativas
Decisão sobre a Selic divide os analistas. O Copom iniciou nesta terça-feira a reunião que definirá o novo patamar da taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano. A piora das expectativas de inflação fortaleceu a discussão sobre uma interrupção dos cortes, embora parte das instituições ainda espere uma redução de 0,25 ponto percentual.
XP passou a prever manutenção da Selic em 13,75%. Em relatório divulgado nesta terça-feira, a equipe de macroeconomia da casa citou a desvalorização do real, o petróleo elevado e o aumento das expectativas de inflação como fatores que exigem cautela, apesar da desaceleração da atividade econômica. A XP também passou a projetar a Selic em 13,75% até o fim de 2027.
Juros futuros mais longos também subiam. Às 15h01, a taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2029 estava em 15,165% ao ano, enquanto a de janeiro de 2031 marcava 15,495%. A alta ocorria em meio às dúvidas fiscais e à piora das projeções de inflação.
Ações em destaque
TIM e Embraer estavam entre as maiores altas do Ibovespa. Durante a tarde, as ações ordinárias da TIM (TIMS3) subiam 3,65%, enquanto as da Embraer (EMBJ3) avançavam 3,60%. Os papéis preferenciais classe A da Usiminas (USIM5) ganhavam 3%, os ordinários da Suzano (SUZB3) subiam 2,19% e as units do Santander Brasil (SANB11) avançavam 1,88%.
Cogna liderava as perdas do índice. As ações ordinárias da companhia (COGN3) caíam 10,13%. Também recuavam os papéis ordinários da CSN Mineração (CMIN3), em 6,17%; da PRIO (PRIO3), em 4,07%; e da Tenda (TEND3), em 4,05%. As cotações ainda eram parciais.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








