Dólar sobe mais de 1% com tensão no Oriente Médio e cautela pré-feriado Pular para o conteúdo
Economia

Dólar sobe mais de 1% com tensão no Oriente Médio e cautela pré-feriado

O real foi mais castigado que seus pares em meio a um provável movimento de saída de recursos
Agência Estado -
Imagem ilustrativa. (Foto: Getty Images)

O dólar acelerou o ritmo de alta ao longo da tarde desta quarta-feira, 3, alinhado ao comportamento da moeda americana no exterior, e encerrou o dia na casa de R$ 5,06. Uma nova rodada de aumento dos preços do petróleo, na esteira do recrudescimento das tensões no Oriente Médio após ataques mútuos entre Estados Unidos e Irã, avivou os temores inflacionários e impulsionou as taxas dos Treasuries, abalando o apetite por divisas emergentes

O real foi mais castigado que seus pares em meio a um provável movimento de saída de recursos da bolsa doméstica e à busca por posições cambiais defensivas na véspera do Dia de Corpus Christi, quando os mercados locais estarão fechados. A aversão ao risco se sobrepôs ao possível impacto positivo da alta do petróleo sobre a moeda brasileira, via melhora dos termos de troca.

Depois de registrar máxima a R$ 5,0902, em paralelo à mínima do Ibovespa, o dólar à vista encerrou o pregão em aumento de 1,14%, a R$ 5,0668 – maior valor de fechamento desde 8 de abril (R$ 5,1029). Com a arrancada, a moeda apagou a perda acumulada de 0,66% nos dois últimos pregões e passou a exibir valorização de 0,47% neste início de junho, após avanço de 1,82% em maio. No ano, o recuo é de 7,69%. O real mantém o melhor desempenho em 2026 no universo das divisas mais líquidas, considerando economias desenvolvidas e emergentes.

“O mercado já vinha fazendo um desmonte de posições em bolsa e favoráveis ao real havia algum tempo, mas de forma mais moderada Vimos hoje [quarta-feira] um movimento mais intenso, com o aumento da aversão ao risco lá fora e uma postura mais cautelosa antes do feriado”, afirma o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.

Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operou em terreno positivo ao longo do dia e subia cerca de 0,30% no fim da tarde, ao redor dos 99,500 pontos, perto da máxima de 99,552 pontos. O Dollar Index já avança mais de 0,50% em junho e acumula ganho superior a 1,20% no ano. Após dados acima das expectativas do mercado de trabalho na terça e na quarta – os relatórios Jolts e ADP -, investidores aguardam a divulgação, na sexta-feira, 5, do relatório de emprego (payroll) de maio para calibrar as expectativas sobre a condução da política monetária nos EUA.

“O dólar continua a subir à medida que dados dos Estados Unidos surpreendem positivamente e o mercado passa a considerar um aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve neste ano”, afirma, em nota, o chefe de estratégia de mercados do banco ING, Chris Turner. Ele ressalta que o trade global de desvalorização do dólar, popular no ano passado em razão da leitura de um Fed pouco comprometido com o controle inflacionário, parece estar perdendo força.

As cotações do petróleo subiram com o aumento do pessimismo em relação a um eventual acordo no Oriente Médio que permita a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde é escoada cerca de 20% da produção global de petróleo. O contrato do Brent para agosto, referência para a Petrobras, fechou em alta de 1,89%, a US$ 97,81 por barril.

O head da Tesouraria do BS2, Ricardo Chiumento, afirma que o aumento dos riscos inflacionários nos EUA com o prolongamento da guerra no Oriente Médio estimula apostas de alta de juros pelo Federal Reserve, o que pode se traduzir em corrosão parcial da atratividade do carry trade, mesmo com a manutenção da taxa Selic em níveis elevados.

“Não havia fundamento para o dólar em R$ 4,80 ou R$ 4,90. Era tudo por conta da bonança externa e do carry elevado. Estamos cada vez mais próximos das eleições, e o risco fiscal doméstico começa a ficar mais evidente”, afirma Chiumento, acrescentando que a escalada protecionista dos EUA em relação ao Brasil também influencia a dinâmica de preços dos ativos domésticos.

Depois de o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) recomendar a imposição de tarifas de 25% sobre parte dos produtos brasileiros a partir do próximo dia 15, houve nesta quarta a proposição de uma nova tarifa ao Brasil, de 12,5%, no âmbito da investigação comercial aberta sobre trabalho escravo. A medida também atinge a União Europeia e outros 58 países.

Chiumento, do BS2, lembra que episódios anteriores de ofensiva tarifária dos EUA contra o Brasil resultaram em redução da desaprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A possibilidade de repetição dessa dinâmica no caso atual pode ajudar a explicar a deterioração dos ativos domésticos. “É uma conjuntura que parece negativa para a candidatura de Flávio Bolsonaro, o que aumenta a percepção de risco fiscal”, afirma o tesoureiro.

Compartilhe

Notícias mais buscadas agora

Saiba mais

STF retira idade mínima para aposentadoria de trabalhadores que exercem atividades nocivas

Motorista fica ferido em acidente entre picape e caminhão boiadeiro na MS-134

Coletivo Diálogos do Forró estreia a quadrilha junina ‘Num Balaio Só’

Empregos

Prefeitura de Campo Grande prorroga contratos temporários de dezenas de servidores até 2027

Notícias mais lidas agora

Cardápio chique: Gerson Claro vai gastar R$ 618 mil da Alems com café da manhã só para deputados

pantanal

Governo de MS decreta emergência ambiental diante do risco de ‘super’ El Niño

gari pix errado

Gari recebeu Pix de R$ 203 mil por engano e ficou famosa em Sidrolândia com decisão

Suspeita de integrar grupo especializado em furto de caminhonetes no PR é presa em Mundo Novo

Últimas Notícias

Transparência

Justiça nega terceiro pedido de liberdade de Alcides Bernal

Ex-prefeito de Campo Grande está preso desde o fim de março pela morte do fiscal tributário Roberto Mazzini

Cotidiano

Concessionária reforça manutenção em rodovias de MS durante feriado

Programação prevê 65 frentes de trabalho entre os dias 3 e 5 de junho para garantir a segurança dos usuários e das equipes em campo

Polícia

Banco Vermelho em shopping traz reflexão sobre casos de violência contra mulheres

Nos cinco primeiros meses de 2026, Mato Grosso do Sul registrou 12 feminicídios

MidiaMAIS

Quem vai? EXPOGEEK 2026 reúne games, cosplay e tecnologia no IFMS Campo Grande

Evento gratuito reúne competições, cosplay, games, inovação e experiências imersivas em Campo Grande