A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal chegou ao quinto dia (terceiro dia de atendimentos suspensos) nesta segunda-feira (14), após os trabalhadores rejeitarem a proposta apresentada pelo banco na última sexta-feira (11). Em Mato Grosso do Sul, ao menos 40 agências seguem fechadas por tempo indeterminado.
As negociações começaram em junho, mas não avançaram. Os bancários pediam reposição da inflação e ganho real de 5%, enquanto a Caixa ofereceu 0,6%. Na última proposta, o banco registrou em ata que poderia levar a greve ao dissídio coletivo no TST (Tribunal Superior do Trabalho) caso a oferta fosse rejeitada pelas assembleias.
No domingo (13), a Caixa respondeu ao ofício encaminhado pela Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) e informou a reabertura da mesa de negociação coletiva com as entidades representativas dos empregados. A Confederação havia solicitado a retomada das tratativas, a manutenção da ultratividade dos instrumentos coletivos e a garantia dos direitos dos trabalhadores enquanto as negociações estivessem em andamento.
Em resposta, a Caixa afirmou reconhecer a importância da negociação coletiva e destacou que a manutenção de canais permanentes de diálogo com as entidades representativas é fundamental para a construção de soluções nas relações de trabalho.
Com a reabertura das negociações, o banco também comunicou a suspensão das medidas administrativas previstas, anunciadas anteriormente. Segundo a Caixa, a suspensão permanecerá enquanto as tratativas com as entidades representativas estiverem em andamento.
A empresa informou ainda que adotará as providências necessárias junto às Confederações para viabilizar, de forma precária e excepcional, a prorrogação dos benefícios atualmente oferecidos aos empregados. A intenção é manter as mesmas condições praticadas antes de 31 de agosto de 2026 até a conclusão das negociações.
Luiza Hansen, coordenadora da CEE/Caixa, afirma que a reabertura da mesa é um passo importante, porque garante a negociação de direitos dos empregados da Caixa.
“Essa retomada também é resultado da forte mobilização dos empregados, que demonstraram, com a greve, sua disposição de lutar pela manutenção de seus direitos e pressionaram a Caixa a retomar o diálogo. A Contraf-CUT sempre defendeu a negociação coletiva como caminho para construir um acordo que preserve conquistas e avance nas condições de trabalho”.
Ainda não há data definida para a reunião. A Contraf-CUT espera que o encontro seja agendado nesta segunda-feira (14).
Sindicato critica retirada de direitos
No sábado (12), o SEEBCG-MS (Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região) publicou uma nota de repúdio à CE VIPES 11183/2026, emitida pela Diretoria Executiva e pela Vice-Presidência de Pessoas da Caixa. O documento determinava que as cláusulas dos ACTs (Acordos Coletivos de Trabalho) — encerrados em 31 de agosto de 2026 — e da CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) deixassem de produzir efeitos.
Segundo o sindicato, a rejeição da proposta de renovação do ACT pelos empregados foi democrática e legítima e não deveria resultar na retirada de direitos. Na base de sua jurisdição, a proposta foi rejeitada por 63% dos trabalhadores.
A entidade também criticou a suspensão dos efeitos econômicos das negociações, como reajustes salariais e de benefícios e o pagamento da PLR. O sindicato cita ainda a perda de validade de benefícios previstos no ACT, como auxílio-refeição e cesta-alimentação, além da situação do Saúde Caixa, cuja cobertura, segundo a entidade, seria mantida por apenas 60 dias sob as regras da ANS.
Na nota, o SEEBCG-MS afirma que a medida adotada pela direção da Caixa é “punitiva” e cobra a revogação dos efeitos do comunicado, a retomada das negociações e a apresentação de uma nova proposta aos trabalhadores.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)





