Mato Grosso do Sul soma 136,6 mil empresas inadimplentes, que acumulam aproximadamente R$ 4,09 bilhões em dívidas, conforme os Indicadores de Inadimplência de julho, divulgados pela Serasa Experian. Na comparação com julho de 2025, houve crescimento de 25,7% no número de CNPJs inadimplentes e de 45% no volume de débitos.
Ainda conforme os indicadores, o Estado responde por cerca de 1,5% das empresas inadimplentes do país e ocupa a 16ª posição entre os estados com maior número de empresas nessa situação. Além disso, a dívida média por CNPJ também aumentou, passando de R$ 25.962,53 para R$ 29.943,06 em 12 meses, o que corresponde a uma alta de 15,3%. Já no setor rural, 27,6% dos financiamentos dos produtores rurais eram considerados problemáticos, conforme levantamento da Aprosoja-MS. O percentual é quase o dobro dos 13,9% registrados 18 meses antes.
A inadimplência também está elevada em relação às famílias endividadas. De acordo com o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa, o índice de inadimplência da pessoa física em Mato Grosso do Sul chegou a 60,86%. Bancos e cartões de crédito representam 28,32% das dívidas, seguidos por financeiras (17,95%), contas de água, luz e gás (17,86%) e serviços (14,09%).
Cenário é crítico, avalia especialista
Os dados representam um cenário de atenção para empresas, produtores rurais e famílias diante do avanço do endividamento e da inadimplência no Estado, conforme avaliam especialistas. Para o economista e diretor de Projetos da Agricon Consultoria, Fábio Ferreira Júnior, os números revelam um cenário que ultrapassa a dificuldade financeira individual de empresas ou consumidores.
“Estamos vivendo um momento que exige atenção. Endividamento, inadimplência, custo elevado do crédito e redução da confiança acabam pressionando tanto a capacidade de consumo das famílias quanto a capacidade de investimento das empresas. Esse processo pode gerar um efeito econômico importante: quando famílias reduzem o consumo e empresas diminuem os investimentos, a demanda enfraquece, pressionando receitas, emprego e renda”, expressa.
Recuperação judicial
No segundo trimestre de 2026, Mato Grosso do Sul registrou índice de 3,2 IRJ (Indicador de Recuperação Judicial), ficando acima da média nacional de 2,3. O Estado contabilizava 144 empresas em recuperação judicial, sendo a grande maioria micro (37,7%) e pequenas empresas (29,8%).
Na avaliação do economista Fábio Ferreira Júnior, o momento exige decisões financeiras mais individualizadas. “Nem toda empresa ou produtor enfrenta a mesma realidade. Mais do que simplesmente buscar crédito, é fundamental avaliar a capacidade de pagamento, o fluxo de caixa, o mercado de atuação e a finalidade do recurso. Em um cenário de maior restrição financeira, decisões econômicas bem estruturadas podem ser determinantes para preservar a saúde financeira e criar condições para a retomada dos investimentos.”
Para o economista, o desafio está em evitar que o aumento do endividamento se transforme em um ciclo mais amplo de retração econômica. Segundo ele, é preciso cautela, planejamento e análise individualizada. Enquanto algumas empresas podem ter como prioridade a reorganização das dívidas e a preservação do caixa, outras podem precisar investir para ganhar produtividade. “O importante é entender a realidade financeira do negócio antes de tomar novas decisões de crédito ou investimento.”
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








