O campo-grandense Leonardo Mareco, mais conhecido como Leo Mareco, foi selecionado para a exposição no Museu do Design de Zurique, na Suíça. O educador e artista de arte urbana no estilo lambe-lambe representa o Brasil entre 380 mil cartazes.
Para quem não conhece o museu, ele possui uma das maiores e mais importantes coleções de cartazes do mundo. A exposição reúne produções sobre política, cultura e comercial desde o século XIX até a atualidade.
“É quase inimaginável pensar que, depois de tantos anos produzindo e pesquisando a linguagem do lambe-lambe, um trabalho desenvolvido em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, possa chegar a um acervo de relevância internacional como esse. Vejo isso como um reconhecimento da potência artística que existe no Brasil e, principalmente, fora dos grandes centros culturais”, descreve Leo sobre a conquista.
“Poder levar para um acervo internacional uma produção que nasce no Centro-Oeste brasileiro mostra que existem outras cenas, outras narrativas e muitos artistas produzindo trabalhos relevantes em diferentes lugares do país. É uma forma de mostrar que a arte produzida na nossa cidade também pode ocupar espaços internacionais e contribuir para essa história da comunicação visual e da arte urbana”.
Um dos museus mais importantes da história
Leo sabia da existência do museu, mas não tinha ideia da grandiosidade das coleções de arte contemporânea. O espaço reúne a rica criatividade de artistas, estilos e identidades. A seleção de Leo é feita pela Lambes Brasil, que é o principal instituto e plataforma de fomento, pesquisa e valorização do lambe-lambe no cenário das artes visuais e da cultura urbana brasileira.
“A produção de lambe-lambe no Brasil varia muito de região para região, o que mostra o quão rica é a produção artística do nosso país. É muito importante que as linguagens produzidas nas ruas brasileiras possam passar a fazer parte também de um acervo institucional internacional dedicado à história e à produção contemporânea do cartaz.”
Leo é conhecido por transformar espaços de Campo Grande com o poder da arte, pensando no espaço público, na rua. Mas o que muda quando ele sai da rua e passa a ser apresentado dentro de um museu?
“Estar em um museu não significa abandonar a rua ou buscar uma validação que ela não pode oferecer. Significa ampliar os espaços de circulação e discussão dessa linguagem. Acredito que a questão não é necessariamente o que muda na obra, mas o que muda na forma como as pessoas se relacionam com ela. Poder levar uma linguagem tão presente nas ruas para dentro de um museu também é uma maneira de questionar os limites entre o que reconhecemos como arte e os espaços onde esperamos encontrá-la.”
Exposição em breve
Leo recebeu a notificação da seleção no último fim de semana. Ele ainda não tem uma previsão de quando os trabalhos serão entregues para exposição no museu.
“Tivemos a liberdade de escolher a obra que faria parte dessa seleção, e escolhi ‘Arte não é só o que você gosta’, que retrata duas crianças pretas, em uma postura de enfrentamento, segurando um estandarte com essa frase. Escolhi essa obra justamente porque ela sintetiza muito do que venho pesquisando e defendendo através da minha produção, a arte como espaço de questionamento, de representatividade e de construção de outras narrativas”, conclui.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









