O número de empresas que recorreram à recuperação judicial em Mato Grosso do Sul aumentou no primeiro trimestre de 2026, com destaque para os setores do comércio e do agronegócio. Dados do monitor RGF de Recuperação Judicial mostram que, dos 70 pedidos registrados no período, 27 foram feitos por empresas ligadas ao agro e 20 por empresas do comércio.
No setor comercial, o volume de recuperações judiciais cresceu 18% em relação ao mesmo período de 2025, quando haviam sido contabilizados 17 pedidos. Já no agronegócio, o salto foi ainda maior: de 11 para 27 recuperações judiciais em um ano, aumento de 145%.
Para a presidente da FCDL-MS (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul), Inês Santiago, os números são preocupantes e revelam um ambiente de negócios cada vez mais pressionado.
“Primeiramente, é importante destacar que a recuperação judicial é o último recurso para preservar a empresa e os empregos. Portanto, os dados são alarmantes e acendem um sinal vermelho, mostrando que o setor produtivo está sufocado, altamente pressionado e pedindo socorro”, afirmou.
Segundo ela, a combinação de juros elevados, crédito caro, carga tributária, aumento dos custos operacionais e enfraquecimento do consumo tem dificultado a sobrevivência das empresas.
“As empresas vendem menos, recebem com maior prazo e enfrentam mais inadimplência, mas continuam pagando impostos, salários, aluguel e fornecedores”, destacou.
A dirigente também aponta que as dificuldades enfrentadas pelo agronegócio acabam refletindo em toda a economia sul-mato-grossense. Apesar dos altos volumes de produção, ela ressalta que isso não significa necessariamente rentabilidade para o produtor rural.
“O produtor atravessou ciclos de perdas climáticas, aumento expressivo dos insumos, volatilidade dos preços das commodities e forte elevação do custo financeiro”, explicou.
Na avaliação da FCDL-MS, o avanço das recuperações judiciais demonstra a necessidade de medidas que reduzam os custos para empreender e ampliem o acesso ao crédito, evitando que mais empresas cheguem ao estágio considerado extremo para reorganizar suas finanças e manter as atividades.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)





